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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

porralouca

Hope Gangloff
brindes 
de fúria
aguardente 
drinques de 
sangue 
drugs 

[life] é esse 
filete
de veneno
que trago 
na língua 
e guardo 
nos dentes 

[pus 
à mostra] 

banquete 
que pulsa 
veias 
vísceras 
carne crua 
carniça 

loucura seria 
bebê-la [vida] 
água com açúcar 
mastigá-la sopa 
[fria de ócio] 

sugo & mordo 
essa vida 
pútrida 
antes que ela 
[vampira] 
me engula

Valéria Tarelho

terça-feira, 10 de abril de 2012

s.o.s. solidão

Hadley Hooper
sonho
que
comporta
outros
corpos
pesa
pouco

tenso
o pesadelo
que
suporta
cama

:
sem
soma
de
t[r]emores

Valéria Tarelho

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

ausência

o sol se nega a sair
e não venta

há dias fico à sombra
mofando idéias úmidas
e desculpas idem
penduradas no cabide

Valéria Tarelho

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

ego

Delilah Woolf
eis-me aqui
diante do espelho:
um nonsense

face
&
disfarce

eis-me aqui
um contra-senso

reflexo
&
avesso

eis-me aqui
ante meus versos:
uma antítese

imagem
&
miragem

a bem da verdade
reconheço o que viso:

um oásis de vaidade
pregando no deserto

eis-me aqui:

narciso
&
eco.

Valéria Tarelho

domingo, 29 de maio de 2011

platônico

Amanda Cass
por te amar
tanto assim
revolvo céus
revolto mares
movo placas tectônicas

niña - louca -
reviro tudo
á tua volta
teu mundo vira
um haiti

aquele rumor
de tsunami
no havaí
(que não houve)

era você
nem aí.

Valéria Tarelho

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Solilóquio

que falta me faz
um ocaso
com pano de fundo
ouro e púrpura
um esvair raso
em cenário
espelho e prata
faltam adereços
branco-espuma
e um denso manto
envolvendo o palco
onde, à toa, atuo

no fundo
falta alga no contexto
alguma água salgada
refletindo um doce texto

e nessa peça vaga
falta a sensação
[insana]
de mergulhar em brasa

falta
a tua ação
em cena.

Valéria Tarelho

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Ciclo

o tempo estende-se,
dias a fio,
contíguos,
que perduram
- pendentes -
pelas barras do destino.

não demora,
o tempo exíguo,
recolhido,
será passado
a ferro brando.

[enquanto uma nova era
de horas aguadas,
na máquina do tempo,

espera...]

Valéria Tarelho

sábado, 20 de dezembro de 2008

So(m)bra

meu corpo
projeta vultos
do que fomos:

projetos incultos,
sobras obscuras,
escombros,
passado morto...

quando te pressinto
tão íntimo,
que dentro;
tão incontido,
que transborda,
me assombro.

também sinto medo
quando percebo sua sombra
batendo à minha porta
e a atendo.

Valéria Tarelho

Revoo

Lilya Corneli
dia desses
deixei um bilhete
na porta do freezer:

"fui ali ser feliz
e já volto"

aí saí afoita
ao encontro
dessa tal felicidoida

o curioso foi que a vi
frente a frente

o triste
é que voltei
como disse.

Valéria Tarelho