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segunda-feira, 12 de maio de 2014

em 1976,

The Weird Love por Francesco Tortorella

ah se pelo menos
eu te amasse menos
tudo era mais fácil
os dias mais amenos
folhas de dentro do alface

mas não
tinha que ser entre nós
esse fogo
esse ferro
essa pedreira
extremos
chamando extremos na distância

Paulo Leminski, in: Toda poesia. Ed. Companhia das Letras

quinta-feira, 1 de maio de 2014

.

Mark Cohen
no centro
o encontro
entre meu silêncio
e o estrondo

Paulo Leminski, in: Toda Poesia. Ed. Companhia das Letras

quarta-feira, 16 de abril de 2014

profissão de febre - trecho /

Betania Zacarias
[...]
chove de novo,
de novo, chovo,
assobio no vento,
daqui me vejo,
lá vou eu,
gesto no movimento

Paulo Leminski, in: La vie en close / Toda Poesia. Ed. Companhia das Letras

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

.

Adara Sánchez Anguiano
não possa tanta distância
deixar entre nós
este sol
que se põe
entre uma onda
e outra onda
no oceano dos lençois


Paulo Leminski, in: Caprichos & Relaxos / Toda Poesia. Ed. Companhia das Letras

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Leminski_ando

 Uma vida é curta
para mais de um sonho

*

 O olho da rua vê
o que não vê o seu.
Você, vendo os outros,
pensa que sou eu?
Ou tudo que teu olho vê
você pensa que é você?

*

Mariana Dias
Amando,
aumenta
até duas mil vezes
o tamanho.

Paulo Leminski, in: Quarenta clics em Curitiba [1976] / Toda Poesia. Ed. Companhia das Letras

.

Siedemzeroiks
o silêncio
se mete a maltratar
me ditando
abreviaturas de mim
e,
quem sabe,
a mim mesmo me dilatando

Paulo Leminski, in: Quarenta clics em Curitiba [1976] / Toda Poesia. Ed. Companhia das Letras

.

Nadja Sveir
tem quem se proteja
por trás
de uma barragem
de bons dias
boas tardes
boas noites
assim não tendo
que ver o que está passando

Paulo Leminski, in: Quarenta clics em Curitiba [1976] / Toda Poesia. Ed. Companhia das Letras

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

volta em aberto

berserker
Ambígua volta
em torno da ambígua ida,
quantas ambiguidades
se pode cometer na vida?
Quem parte leva um jeito
de quem traz a alma torta.
Quem bate mais na porta?
Quem parte ou quem torna?

Paulo Leminski, in: Distraídos venceremos, 1987 / Toda Poesia. Ed. Companhia das Letras

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

.

Elizabeth Builes

Frutas que só ficam
Maduras depois de colhidas
Minhas velhas conhecidas

Paulo Leminski, in: Quarenta clics em Curitiba [1976] / Toda Poesia. Ed. Companhia das Letras

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Nonnetta

você pára
a fim de ver
o que te espera

só uma nuvem
te separa
das estrelas

Paulo Leminski, in: Melhores Poemas. Seleção Fred Góes e Álvaro Marins. Ed. Global

a noite
me pinga uma estrela no olho
e passa

Paulo Leminski, in: Melhores Poemas. Seleção Fred Góes e Álvaro Marins. Ed. Global

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

temporal

Eva Armisen


fazia tempo
que eu não me sentia
tão sentimental

Paulo Leminski, in: Distraídos Venceremos. Ed. Brasiliense
Amy Borrell

hoje à noite
lua alta
faltei
e ninguém sentiu
a minha falta

Paulo Leminski, in: Distraídos Venceremos. Ed. Brasiliense

sábado, 4 de junho de 2011

Além alma (uma grama depois)

Meu coração lá de longe
faz sinal que quer voltar.
Já no peito trago em bronze:
NÃO TEM VAGA NEM LUGAR.

Pra que me serve um negócio
que não cessa de bater?

Mais me parece um relógio
que acaba de enlouquecer.

Pra que é que eu quero quem chora,
se estou tão bem assim,
e o vazio que vai lá fora
cai macio dentro de mim?

Paulo Leminski, in: Distraídos Venceremos. Ed. Brasiliense

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

parada cardíaca

Lilya Corneli
essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure
vem de dentro

vem da zona escura
donde vem o que sinto
sinto muito
sentir é muito lento.

Paulo Leminski, in: Distraídos Venceremos. Ed. Brasiliense

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Bem no fundo

Vânia Medeiros
no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Paulo Leminski, in: Distraídos Venceremos. Ed. Brasiliense

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Romero Britto
o amor, esse sufoco,
agora há pouco era muito,
agora, apenas um sopro.

ah, troço de louco,
corações trocando rosas,
e socos.

Paulo Leminski

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010


coração
PRA CIMA

escrito em baixo
FRÁGIL

Paulo Leminski

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Saudosa amnésia

Memória é coisa recente.
Até ontem, quem lembrava?
A coisa veio antes,
ou, antes, foi a palavra?
Ao perder a lembrança.
grande coisa não se perde.
Nuvens, são sempre brancas.
O mar? Continua verde.

Paulo Leminski

Arte do chá

ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silêncio
comigo.

ele veio
meio a esmo
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo.

Paulo Leminski, in: Distraídos Venceremos. Ed. Brasiliense