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domingo, 20 de maio de 2012

quiasmas tardio

ainda suspiram razões
desprovidas de sentido
e respiram fuligem
na ausência de qualquer
poeira fixa e imutável
que lhes aplaque a fome

são esses quiasmas do nada
bravio
que se entrecruzam
selvagens
num acaso incolor
ao tardio do tempo
que paira fugaz,
verte morto
e esvai gélido
descosendo tramas
miragens e almas.

ainda preferem o tormento
talvez, a lembrança atroz
ao descanso na paz insípida
cama inodora, angustiosa
da inexistência.

Paula Cajaty

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Distância

Guermante
Sua vida continuaria na saudade
Seus sonhos viveriam na distância
E ela, ansiosa, sôfrega, sequiosa
Do tanto que recebia
Se contentaria apenas
Talvez
Um dia
Com a aridez do silêncio.

Paula Cajaty

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Seriam garças?

Lara Fairie
seriam garças?
a despirem lentamente
suas vestes
suas demoras
suas mágoas?

seriam garças?
a rodearem esperas
vertigens e voos
a enrodilharem miragens
nesse manso tempo?

seriam garças?
estampadas levemente
em vontades nuas
escondidas
nessas tuas aragens
de mudo lamento

seriam garças?
essas brancas esgarçaduras
do vento
ou apenas sou eu
entremeada
que respiro nelas?

Paula Cajaty

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Quase como se pudesse voar

Lara Fairie
pudesse, desaprenderia
as coisas mais caras
as coisas várias
inúmeras essenciais
que empalidecem o verbo.

pudesse, deslembrava
gestos e sorrisos
misturava as histórias
apagava essa geografia
guardada em dedos
aflitos desbravando a pele.

pudesse, mais um pouco,
desamarrava mágoas
deslaçava suavidades
quase como se fosse voar.

pudesse tanto
e tantas vezes,
começaria eternamente
desse zero redondo
esquecia o mundo
e partia, suavemente,
a reaprender violáceas
a redescobrir assombros.

Paula Cajaty

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Memória falha

foi tanta a espera
que a memória falha um pouco
geme um pouco
finge que esquece
e se mistura enevoada
feito hiato, sombra
lembrança inexata
de um gosto bom.

a saudade vem mais forte
na medida certa da proximidade.

Paula Cajaty

Quase

o sorriso dela foi largo
cheio de certezas
dessas que voam leves no vento
sentiu o aconchego na distância de seu abraço
a ansiedade apertada de um beijo
sempre soube agradar com poesia
não, não era amor
mas era quase.

Paula Cajaty