Mostrando postagens com marcador Patrícia Moresco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Patrícia Moresco. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de julho de 2010

Companheira solidão

ah, companheira
eu e você nessa noite inteira
ontem, amanhã, você aqui comigo
não tem nenhum perigo
porque eu estou assim no seu cuidado
ah, companheira
fica do meu lado
que eu não quero nenhuma choradeira
estar só não é um tédio,
é uma inspiração
veja, companheira,
pulsa meu coração
e eu escrevo assim dessa maneira
obrigada, companheira
por me dar esta canção.

Patrícia Moresco

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Arquipélago

Henri Cartier
Meus olhos são espelhos para os teus reflexos invisíveis.
O meu poema aqui,
e este sorriso que tenho,
são as minhas armas contra a tua ausência.
Eu fico assim, hoje e sempre,
e o teu caminho se esparrama aos meus pés.

Meus olhos são canais para a tua correnteza.
Revejo o meu barco em naufrágio
e a minha fuga
leva-me sempre para a mesma noite
perdida, no meio desta ilha escura.

Patrícia Moresco

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Absoluta

Eu sou uma mulher que pulsa.
E pulsa em mim, além da vida,
a vontade inerente à minha natureza
a vontade pura, transparente, avulsa,
que faz em mim a fera mais temida
e mais pulsante, e de maior beleza.

A mulher em mim se descompassa
e o pulso faz-se oculto pela blusa
que tem a cor e o tom da minha pele.
Mulher macia, gesto são, alma devassa,
que perde o rumo, a chave, se põe confusa
no medo enorme de que o sonho se revele.

Eu sou uma mulher que se eterniza.
Trago sementes mortas que o beijo ressuscita,
e que germinam paixões, flores e frutos.
Gosto da gota de suor quando desliza
e, quando abro o botão da rosa que me habita,
conto o segredo dos heróis mais dissolutos.

Patrícia Moresco