Isabel de Sá
Chegam em grupos
mulheres-bonecas apunhaladas.
Parecem fugidas
da catástrofe. Algumas
possuem elementos masculinos,
exibem correntes quebradas.
*
Bispos, rostos de luxúria
e tirania
povoam o insólito mundo dos homens
anônimos das cidades.
Amantes encontram-se, furtivamente.
Frisos de belos figurantes
sonham com amores pecaminosos.
*
Nos bordéis reina a fantasia
de um universo falocrático
onde personagens vestidos
com paramentos religiosos
têm poder sobre os
prostitutos.
Isabel de Sá, in: O Brilho da Lama (Das Trevas para a Luz) 1999
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012
DENTRO DAS IMAGENS
Isabel de Sá
Os poemas têm veneno na boca.
Na estrada da minha vida
plantei a árvore
sem saber quem era.
Em que parte do planeta
há mais ódio? A matéria
erosiva transforma o corpo
e não há regresso. Não
restará um monte de estrume.
Em todo o lado
parece que o mundo em desordem
pouco a pouco enlouqueceu
e os homens atam a corda
à espera que aconteça.
São infelizes
mas não o suficiente.
Não sabem dizer
por que se esquecem de amar.
Isabel de Sá, in: Antologia Resumo 2009. Ed. Assírio e Alvim.
Os poemas têm veneno na boca.
Na estrada da minha vida
plantei a árvore
sem saber quem era.
Em que parte do planeta
há mais ódio? A matéria
erosiva transforma o corpo
e não há regresso. Não
restará um monte de estrume.
Em todo o lado
parece que o mundo em desordem
pouco a pouco enlouqueceu
e os homens atam a corda
à espera que aconteça.
São infelizes
mas não o suficiente.
Não sabem dizer
por que se esquecem de amar.
Isabel de Sá, in: Antologia Resumo 2009. Ed. Assírio e Alvim.
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