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quinta-feira, 8 de março de 2012

Conversando a sós comigo

Federico Erra
perco-me em mim e no nada
sou um labirinto de memórias
onde o fio se perdeu
suspeito até que Ariadne não exista
nem eu
nem o tempo
e o local seja apenas o espaço
onde me confesso.

Helena Monteiro

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Encostando o ouvido à noite

Se tu soubesses da solidão das palavras
enrolarias o silêncio
na noite sem pirilampos

depois
como numa prece

ouvirias do mar o canto.

Helena Monteiro

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Para sempre

Como num soluço
a solidão

passadas as framboesas
perdidos os aloendros
só o malmequer
na cozinha junto ao sol
permanecia

malmequer
bem me quer
muito
pouco
nada

sorriu

ainda ouvia murmurar
deste poema o título.

Helena Monteiro