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domingo, 7 de novembro de 2010

Perdição

Guermante
só me acho
em lugar
nenhum.

Cris de Souza

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

girassol
no crepúsculo
em poesia
move
músculo.

Cris de Souza

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Vigília

rasga
a fenda
que você
me remenda

folga
poro por poro...
abusa ao tocares
toda linha do visado

reza
a lenda
que você
me desvenda

prova
gole por gole...
suga nos altares
toda vinha do pecado

Cris de Souza

Às tontas

pra revelar
o que está
tão dentro
o que me move
o que me atento

me sinto perto
me sinto viva
me sinto vento

pra disfarçar
o que está
tão fora
o que me encolhe
o que me devora

me sinto lenta
me sinto longe
me sinto morta

Cris de Souza

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

(Marca)passo

Caroline Feitosa
Segui
Tua cor
Em algum luzir
De peito pintado

Segui
Teus traços
Em algum rabiscar
De olhar matizado

Segui
Teu contorno
Em algum entonar
De riso riscado

Segui
Teu sinal
Em algum traçar
De amor bordado

Cris de Souza

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Tremor

Me assusta
Quando tu
Não estás,
E teu aroma
Finca pelos ares
Eu te sinto,
Aqui permaneces.

Me assusta
Quando estou
A te convocar,
E anseio tua voz
Sobre luares
Eu te vislumbro,
Aqui enterneces.

Me assusta
Quando te sonho
A me violar,
E me resta supor
Que depares
Eu te pretendo,
Aqui resplandeces.

Sumariamente
Assusta meu ser,
Quando
Enlouqueço
Por te reter,
E tu me estremeces.

Cris de Souza

Retoque

Serenade for the Doll
Teu
traço
em mim
permanece,
ainda assim
estou a procura
de teus
contornos
A te esperar
despida
A te almejar
remexida
A te relembrar
perdida
pra te retocar.

Cris de Souza

Fugaz

Atônito
Inconter
Sentimento
Que apronta
E respira

Ufânico
Perceber
Alumbramento
Te encontra
E revira

É quando, eu me pego...
É tanto, eu me entrego...
À mercê do pensamento
Que escapa e te relê.

Cris de Souza

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Entorpecente

Serenade for the Doll
Cobre-me aéreo,
Dom das delícias
Despe-me do sério,
Tom das malícias
Tal vinho
Que deságua...
Qual marinho
Que embriaga...
Confesso
Que pra ele,
Meu não é um sim
Confesso
Que o sim dele,
Derrama por dentro
De mim

Cris de Souza

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Irisz Agocs
é repentina
a clareira que seduz
a menina

é adrenalina
a maneira que conduz
a menina

é sol de rua,
vivaz redemoinho
teu estado risonho

é pó de lua,
voraz olhinho
teu bocado de sonho

Cris de Souza

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Leszek Kowalski
ás vezes o riso é ínfimo, sereno
noutras madruga voraz
ás vezes o riso é íntimo, obsceno
noutras fuga audaz
todos vertem de tu e instiga
meu espírito que os abriga
face gargalha pra lá e pra cá
declara o que não dá pra ocultar :
és culpado pelos meus risos
dos breves aos longos...
dos externos aos incisos...
e de todos o mais deleitoso
é aquele que se despe de gozo

Cris de Souza