Mostrando postagens com marcador Claudia Camara. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Claudia Camara. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Desmemorial

Esqueci. Meu Deus do céu, esqueci sem piedade o motivo do que senti. E era tão forte que me acordava em plena dormência de existir. Disso me lembro, da plenitude, da alma pendurada entre o abismo e o nada. Eu, em feliz fragilidade, vivendo com leveza, as alegrias, as dores, de todas as idades. E agora, que esqueci, o que hei de sentir? O que faço com esse vazio que pesa em mim? Olha, estou afundada na indiferença, morrida na espera. Não me lembro do seu rosto (procuro fotos pra aquietar a agudez do esquecimento), minha boca não sabe mais o seu gosto. Ô meu Deus, esqueci. A sua voz, o seu olhar, esqueci. Se não te sei, se nem te lembro, pelo quê vou esperar, com quem vou sonhar? Por qual milagre acenderei velas?

Claudia Camara

quarta-feira, 2 de março de 2011

...

Brilho de Uma Paixão

Se um anjo me viesse e
oferecesse um milagre, pediria:
quero quereres.

Claudia Camara

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Impasse

Busquei terra escura e fresca pra me plantar.
Criei raízes nervosas, grossas e fundas.
Esqueci das asas.
Perdi o tempo da poda e já não seriam
aparas, mas assassinato.
Desistência.
Agora me estiro entre o chão e sua seiva
e o céu e suas promessas.
Entre o que me tornei
e o que poderia ter sido.

Claudia Camara

domingo, 16 de maio de 2010

Entenda

Monislawa
Você quer saber quando, eu digo, de modo permanente e peço desculpas pela inexatidão das palavras. Não as minhas, ou as que lhe digo (que palavras pertencem a ninguém), mas na armadilha escondidas em todas elas. Todas elas são traiçoeiras e escondem significados. Matam intensidades fechando em copas sentimentos profundos. Odeio as palavras. Não vivo sem elas.

Sei que peço que as diga, que as repita, mas é culpa do silêncio dos nossos corpos que não conversaram nunca mais.

Você exige saber: quando. E eu urro a plenitude da palavra sempre e você pensa que sou evasiva quando, ao contrário, estou definitiva como um ponto final.

Você metafora dizendo que o sempre e o nunca se encontram na mesma impossibilidade. E então, vencida pela sua razão, me calo.

Claudia Camara