Carola Saavedra, in: Flores Azuis. Ed. Companhia das Letras
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
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Norwegian Wood
[...] Sempre é possível perder o que não se tem, sempre é possível afastar-se mais ainda, a possibilidade ilimitada da falta. E eu intuía isso e muito mais, porque no fundo a gente sempre intui, apesar de que eu te diga que em meio ao movimento eu continuava ali deitada, não é verdade que eu continuava ali deitada mas havia a raiva extrema e o rancor e o desejo de que você fosse embora e, mesmo assim, o medo de que você fosse embora, que você enfim levantasse e fosse embora.
Carola Saavedra, in: Flores Azuis. Ed. Companhia das Letras
Carola Saavedra, in: Flores Azuis. Ed. Companhia das Letras
sábado, 23 de abril de 2011
Porque há algo que eu quero te dizer,
Margarida Delgado
Carola Saavedra, in: Flores Azuis. Ed. Companhia das Letras
sábado, 2 de abril de 2011
[...] Mas, mesmo assim, sempre vai haver a esperança de que você volte atrás, quem sabe a semana inteira, ou até meses, anos, o envelope esquecido, jogado em algum lugar, semanas, meses, anos, até que, quem sabe, algum dia, um deslize, um descuido, um movimento impensado, e esta carta que se abre e todo o mundo dentro dela que se abre [...].
Carola Saavedra, in: Flores Azuis. Ed. Companhia das Letras
terça-feira, 22 de março de 2011
[...] as coisas importantes: escrevo para que você me leia.
Simples assim. Para que você me leia e volte, para que você me leia e pense que há algo surpreendentemente belo em mim, algo que você não viu, algo que passou por nós despercebido. Então, para ser ainda mais clara, é possível?: para que você me leia e ame. Por que não? Outra pessoa, ao ler estas cartas, talvez me amasse, você não acha? Mesmo que amar não seja assim tão fácil, você provavelmente pensa, amar não é assim tão fácil, quando já não se ama, que depois do amor ter surgido e vivido e morrido e virado qualquer coisa feito uma planta ou qualquer matéria orgânica, você pensa que o amor não é matéria orgânica, o amor é outra coisa. Não vai virar semente, você diz, que matéria orgânica não é só isso, jardinagem, lavoura, amor não é semente para virar planta e regar e essas coisas tolas que a gente gosta de pensar quando está feliz, essa felicidade tola como são todas as felicidades e tudo mais que nos faz pensar que é possível recuperar o que é irrecuperável.
Carola Saavedra, in: Flores Azuis. Ed. Companhia das Letras
sábado, 26 de fevereiro de 2011
[...] e como saber quando o amor acaba?
Carola Saavedra, in: Flores Azuis. Ed. Companhia das Letras
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
[...] porque o amor deveria ser isso,
Szara Reneta
você pensava, o amor só poderia ser isso, um arrebatamento, um enlevo, e um corpo dentro de outro corpo, desfazendo-se numa impossível simetria, você pensava, o amor só poderia ser isso, essa conquista, essa captura, pois agora tudo meu era teu, a minha espera, o meu receio, e toda alegria e todo assombro, e até as palavras que eu não disse eram tuas, e você pensando que isso deveria ser o amor, quando se perde o medo, e nada mais te fere, e nada mais te escapa, agora que você era capaz de tudo, agora que minha desordem te envolvia e te enlaçava. Porque, finalmente, a nossa força e a nossa fraqueza e o vai-e-vem insistente e a distância, essa linha que nos unia, como se você estendesse entre nós um atalho, uma ponte, e repetisse, vezes sem fim, que era teu o que você quisesse, pois o amor era isso, quando, finalmente, se perde o medo, o medo que nos paralisa, o medo que nos detém, e se é capaz das coisas mais belas e espantosas, como amar e construir uma ponte para o outro corpo, a tua mão, e você pensava que aquilo deveria ser o amor, depois da guerra e da derrota e do medo, o amor, esse vínculo que nos une e nos destrói, e você pensava, o amor deve ser isso, estender uma ponte e atravessá-la e destruí-la para do outro lado, em outro corpo, a descoberta de algo que somente a dor poderia aplacar.
Carola Saavedra, in: Flores Azuis. Ed. Companhia das Letras
Carola Saavedra, in: Flores Azuis. Ed. Companhia das Letras
domingo, 10 de outubro de 2010
Carola Saavedra, in: Flores Azuis. Ed. Companhia das Letras
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