
Tem sido assim desde o princípio: a história dos meus dias, a história da minha vida, cada história que posso contar em si outra história, inenarrável. Um tormento, porque tenho a esperança de que façam sentido as palavras e sentenças que vou justapondo - preto no branco, a trama visível - mesmo que a mim mesmo escape o nexo da história que conto e o sentido daquela que não posso contar. Como a vida, os fatos são fragmentários, a coerência, suspeita. As palavras e as sentenças, desta forma, no máximo podem flutuar acima do que quero - ou do que pretendia - dizer.
"Eu queria contar uma história de amor".
Cíntia Moscovich,
in: Duas Iguais. Ed. Record