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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

mais...

(500) Dias com Ela
Algumas vezes dói menos
não é sempre, mas acontece
de a saudade estar mais leve
de a vida adoçar um pouco
acontece, um passo para trás
antes de se lançar no abismo;
acontece de se querer pensar
antes de desaparecer ou pular
em até que ponto se pode amar
alguém bem mais do que a gente.

Cáh Morandi

quinta-feira, 3 de março de 2011

Guardo meu coração para depois, ainda não sei o que fazer com a parte que era tua.

Cáh Morandi

quinta-feira, 29 de julho de 2010

"Meu coração não se cansa de ter esperança..."

Nonnetta
Demorei muito tempo para começar. Demoramos demais para perceber que é preciso descobrir o começo, algum começo. Nos atrasamos e aí lá se foi milhões de cartas, de erros, de um sim quando era não, e de um não que talvez pudesse nos iniciar. As outras pessoas também não sabiam, e mesmo se desconfiassem saber, não poderiam indicar um caminho que só nós mesmos seremos capazes de desvendar.

A vida é mata fechada, quem está vindo agora também está vindo para descobrir algo de novo. Ainda há muitas ilhas, ainda há um deserto infinito no coração de alguém. Ainda temos medo do escuro, e penso que cresce conosco, silencioso e sempre presente. Nosso caminho é feito do que trouxemos desde muito tempo, desde o intervalo, desde um adeus que não sabíamos, de uma solidão que nos abraçou sem que percebessemos.

Trouxemos a solidão desde que guardamos o primeiro bilhete de amor, desde que o primeiro beijo nunca se repetiu, desde que aprendemos a somar um com um e descobrimos que dois era melhor. Não aprendemos a ser sozinhos, nem tão pouco a sermos completos. Sempre nos faltará alguma coisa, sempre teremos alguma coisa ausente e tão doce que doerá no sorriso. Só a vida nos ensinará que para sermos mais, precisaremos nos dividir. Ser metade sempre será mais completo do ser inteiro.

Você deve se achar o máximo, deve se achar a estrela do céu de Hollywood e no fundo você não sabe nada, não sabe nem quem é você, nem quem você está prestes a se tornar. Na verdade você está longe, mas eu entendo, te compreendo, precisamos dilacerar o coração primeiro, entregá-lo a alguém que irá machucá-lo e devolvê-lo com um rosto tão leve que o aceiteremos de volta, e não importa se demoraremos a outra metade da vida tentando juntar pedaço por pedaço para enfiá-lo no peito novamente, o entregaremos de novo mais cedo ou mais tarde, inocentes, o pegaremos nas mãos e deixaremos alguém o levar. Só muito tempo depois é que compreendemos o amor, só depois que o peito tiver sido aberto muitas vezes, de termos escritos muitas cartas, de termos encontrado muita gente, depois que do coração só restar uma ferida, aí estaremos prontos. Pois o amor virá depois que se anular a felicidade que julgamos. Deixamos o amor chegar quando estivermos em milhões de pedaços, para cuidar, para curar, para nos ajudar a construir.

Cáh Morandi

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Um bom lugar

deviantart
bobagem a gente pensar que passa...
que o tempo passa,
que os dias voam,
que a fila anda,
que a vida segue,
se o passado revive
se a lembrança persegue,
se não há tempo que carregue
o desejo de ficar à toa
no pensamento, numa saudade boa,
em uma vontade, em um sossego,
em uma pessoa.

Cáh Morandi

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Meu corpo não é o mesmo. Algo dentro e fora de mim tem mudado. Mudado de forma, teor, intensidade e lugar. Algo em mim é transitivo de um futuro que não é o mesmo, de um ficar que não ficou aonde deveria. O amor não é para agora e nem é para ontem. O amor sempre esteve, sempre estará. O meu amor não foi embora junto com um rosto e uma promessa desfeita. Ele permanece e perpetua desde aonde vim e é ele também que me levará. Lavará. A chuva não é a mesma. Não sou a mesma, meu amor. Agora resisto, fortifico e resplandeço. Teu toque não mais me derruba, teu olhar não mais me devasta. Sou minha antes de ser tua.

Cáh Morandi

terça-feira, 2 de março de 2010

Segredos no silêncio

Alaya Gadeh
eu te escrevo, embora ninguém entenda
que nesse silêncio te revelo meus segredos;
escrevo e te amo, porque não há outra forma
de passar pela vida se não passares comigo;
me guarde perto das coisas que levaste
para contar quando tudo já estiver tarde;
me eternize num feliz retrato que nenhum poema
ainda conheceu, pois que é só teu meu riso;
não me esqueça, não me deixa, nem parta,
porque agora a inspiração é farta
de tanta rima que surge no teu beijo;
e quando te tenho, e te recebo,
e vens me invadindo o mundo
ah, por esse segundo
eu daria a eternidade inteira.

Cáh Morandi

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

(...)

tentar chegar ao amor
é como reduzir da terceira para a segunda,
engrenar a marcha ré e pisar fundo,
é desacelerar, é querer voltar,
é desfazer as malas e voltar para casa,
é não perder o cheiro,
é não cobrir o corpo,
é não perder o tato,
é querer ficar,
é não abandonar as memórias...
tentar chegar ao amor:
pensar na primeira coisa
que deveria se esquecer.

Cáh Morandi

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Sobre fazer sonhar

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
Nunca consegui enumerar todas as coisas que eu gostava e as que você me fazia sentir. Primeiro, porque eram muitas. Segundo, porque algumas não tinham nome. Éramos extremamente felizes porque acreditávamos no amor, porque de início não víamos nada de empecilho, não víamos distancias, sejam de idades ou sejam de cidades, nós apenas vivíamos aquele presente que a vida parecia nos dar. E quando começaram surgir os planos, os sonhos, e fomos dando nomes para eles, a dar local e datas, e eu, então, parecendo um foguete a voar pelo céu de felicidade, vi você se afastando, medroso, inseguro. Mas que direito tinha eu de te fazer estar comigo todos os dias de amanhã? Que direito tinha eu de amarrar tuas mãos com a minhas? Não precisavas ter medo, tu não tinhas que arranjar uma forma de fazer tudo acontecer, tua única obrigação era me fazer sonhar.

Cáh Morandi

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Desencontro

Remexo dentro de mim,
nem sempre é fácil
saber a parte de nós
que ficou no caminho:
toco... Faço a ferida arder.
Sentir a ferida, é a maneira
mais rápida de curá-la.
Nada em mim foi covarde,
nem mesmo as desistências:
desistir, ainda que não pareça,
foi meu grande gesto de coragem.

Cáh Morandi

sábado, 23 de maio de 2009

Os lírios que demoram

Somos atrasados, somos ultrapassados por nossa pressa
só percebemos o amor a tempo de lembrá-lo
só descobrimos que era a última chance depois de perdê-la
só aprendemos depois que os erros foram cometidos,
que as oportunidades passaram,
que os anos foram estampando nosso rosto;
beijaríamos mais doce se soubéssemos que aquele
seria o último beijo;
gravaríamos a expressão do riso, o som do riso,
a leveza do riso, o porque do riso;
amaríamos mais quem nos importa do que
nosso egoísmo;
amaríamos mais... e apenas isso nos salvaria
de uma vida comum.

(O amor esquece de começar. Você estava dento dele, e eu acabo de chegar. Só agora cheguei ao amor, eu cheguei a você. Depois que as juras venceram, que os presentes foram dados, que os corpos foram expostos. Eu estou sempre atrasada. Eu sou sempre depois de você. Tenho sempre as certezas erradas. Você já foi, e eu ainda estou te esperando naquele aeroporto.

Eu te amo, tarde mais, naturalmente.)

Cáh Morandi

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sem face

Vânia Medeiros
Abre os braços
Me recebe desmoronando,
Desfalecendo;
Me aperte contra teu corpo
E olhe nos meus olhos se apagando;
Contempla em mim
Essa coisa inacabada que sou
Essa beleza que não tenho
Essa frieza que não quero
Esse desespero em desabar;
Me abrace, me aceite
Sobre tuas pernas
Ainda que eu seja
Essa mulher sem face;
Me enlace, me afunde
Nesse gozo que surge
Ainda que eu pareça
Essa fera sem nome.

Cáh Morandi

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Abrir-me

meu olhar e minha paixão pelas coisas de fora
me fascinam e quase me levam
apesar da beleza quase que irresistível
apesar da doçura e do deslumbramento
apesar da vontade e querer de estar longe
a vida é uma cilada sem chances de fuga
eu quase me esqueço, mas quando me toco

quando a ventania começa a soprar mais forte
me vejo, me tenho e me lembro:
o amor é uma porta para dentro.

Cáh Morandi

domingo, 18 de janeiro de 2009

DeviantArt_Curlytops
Tenho os pensamentos longos transcritos em versos curtos, não abuso da palavra, não me estendo em assuntos; Só acrescento amor em tudo que faço, e todo amor vem da gana da vida... Em encontrar beleza nas “coisinhas”, em se apaixonar todo dia pelo céu, em ser quase azul entre o mar, e se ver voando, e se ver brincando em asas que só a imaginação é capaz de nos dar.

Cáh Morandi

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Vem, vai, vão

Alone Gut
nada muda
tudo mudo
e acontece
esse
vem e vai
e eu
no vão.

Cáh Morandi

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Um poema para nós

Alone Gut
Ninguém acredita da forma
que a gente se cola e gruda
uma pele na outra, nuas
a coisa vira tão única
que nessa loucura
um corpo no outro
a gente tatua;
O que irão dizer
todos os sábios
quando souberem
que em um abraço
a gente ocupa
o mesmo lugar
no espaço?

Cáh Morandi

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

[...] Os amores antes de chegar, deviam me enviar cartas avisando com antecedência sua visita em minha vida, ou então um telefonema com ligação a cobrar, ou sinais de fumaça, ou pombos com recados, ou garrafas jogadas no mar. Mas que desse um jeito de me comunicar de sua dolorosa chegada, para que antes eu preparasse o terreno, tá entendendo? É, arrumasse a casa aonde moro e a casa da aonde moram meus sentimentos, dispensasse outras possíveis visitas, orasse pedindo sol e calmaria por todos esses dias que o amor ficasse, tirasse o pó acumulado sobre as esperanças, me prevenisse dessas dores de parto. Sim, dores de parto, parto duplo: uma nova vida chegando e já com alguma pretensão de logo partir. [...]

Cáh Morandi

sábado, 8 de novembro de 2008

[...] Nunca disseram adeus, nem até mais, nem qualquer outra coisa que desse possibilidade de um fim ou de um próximo encontro; terminavam as conversas com beijos, quando mais frios com abraços. Talvez ele a ame. Talvez ela quisesse saber disso. Por causa da mudez das emoções que sentiam, eles não sabiam que destino davam a si. O bonito deles é a coisa mais simples em suas histórias: de alguma forma silenciosa e cheia de esperança, eles esperavam um pelo outro, embora nenhum pedido tenha sido feito.

Cáh Morandi

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Nonnetta

muito tempo para pensar
faz a gente amar ou desamar
além da conta

Cáh Morandi

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

[...] Preciso agora me organizar para a vida madura que virá, encontrar um amor, encontrar alguém para caminhar comigo, para me dar filhos e para me oferecer um abraço para quando eu quiser desabar. Não quero encontrar minha metade, pois assim como sou inteira, exijo encontrar meu inteiro, esse completo que se encaixa com meu completo. Agora é hora de arrumar as malas que vou levar para a vida toda, cada escolha é muito definitiva, é muito decisiva no sentido de nos guiar por um destino. Até hoje não descobri o que quero, só sei das coisas que me fazem falta. (Puta Merda! Como um telefone faz falta). Mas tenho aprendido a ser dura, a não me abalar, mas principalmente a não me render e ser fraca. Nunca mais vacilar, nunca mais vou mendigar um carinho, uma delicadeza, um restinho de amor.[...]

Cáh Morandi - Trecho do seu diário em: 14.08.08

sábado, 13 de setembro de 2008

12th September

Cai uma chuva gelada por trás da vidraça. Os dedos dos pés impacientes dentro da meia de lã, as mãos se aquecendo com a xícara de café, os lábios sendo mordiscados com os dentes, um pijama velho, um moletom jogado em cima, os cabelos bem amarrados, os olhos pequenos e perdidos acompanhando o desenho que água faz no vidro da janela.Não me importo em estar assim despojada, só quero me sentir o máximo bem que puder, embora seja improvável isso acontecer em uma noite de sexta, quando o fim de semana chega e você não tem ninguém. Ninguém que vá te abraçar enquanto a chuva cai lá fora. Ninguém que vá acalmar a tempestade que acontece dentro de você. Ninguém que vá te dar a mão quando você tem tanto receio de estar sozinha. Ninguém que ficaria ali, de graça, deitado ao teu lado escutando os trovões. Por um instante você pensa que isso é tão triste, que isso pode ser tão miserável e o amor parece ser uma esmola que você pede em troca de um sorriso, por mais falso que isso pareça. Frágil, o barulho da chuva viola o silêncio do pensamento, da lembrança, da doce ignorância em planejar o futuro. Você tem medo, porque você vê que tem tanta lágrima por dentro, escondida, calada, tímida e um dia chuvoso e frio é tão pouco comparado a tudo que você esconde atrás de um rosto discretamente limpo e doce.

Cáh Morandi