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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Por este ínvio caminhar sem datas

Se o que penso
e o que sinto
fossem o que penso
e o que sinto

não teria assim tão maltratado
o coração.

Ah como o homem
é cheio de inquietação
e tolice.

Antonio Brasileiro, in: Pequenos Assombros

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Lição das coisas

Nathália Cavalhiere
Já vão florir as rosas de setembro, tu dirás,
e ainda não sei quem sou.
Terás nas mãos os ventos amainados,
os cabelos grisalhos, os olhos grisalhos –
mas não sabes quem és.
A alma é só um barco na vitrine.
Queres chorar, não choras.
Barcos só singram.

Antonio Brasileiro, in: Pequenos Assombros

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Corpos

Dentro de mim as retas não se encontram.
Sou dois no deserto.
O que tem sede caminha para o outro.
O outro suicida-se num lago.
Ó maldito de mim que não se abate!

Antonio Brasileiro, in: Licornes no Quintal

domingo, 21 de agosto de 2011


)Tudo é segredo.
O teu amor, amiga, é meu segredo:
sabes de mim o que nem mesmo sei.

Amar é ter histórias jamais ditas.(

Antonio Brasileiro, in: O Anjo no Bar

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Estudo 204

Vejo o vento que sopra nas árvores
e estou aqui.
Há uma sensação de paz antiga
no vento que sopra nas árvores.

(Vou plantar esperanças no quintal
e decidir o que farei com a vida -
com esta e com a outra)

Estou aqui e o mundo está aqui.
Olho as folhas movendo-se nas árvores
e alguma coisa silenciando no coração.

Antonio Brasileiro, in: A Pura Mentira

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mônica Palhares
Calmos passantes
por ruas calmas.

Fala-se de pássaros
e elegância.

Ah, poesia,
por que não paras

de inventar?

***
Há fuligem do mundo
no gramado.

Antonio Brasileiro, in: A Fuligem do Mundo

domingo, 23 de janeiro de 2011

Partida

Partias gravemente;
meus olhos te seguiam.

Bem sei que se voltasses
não mais te quereria.

Entanto, ao partires,
meu peito arfava um pouco.

Talvez houvesse um cisco
no canto do meu olho.

Antonio Brasileiro, in: Antologia Poética

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Poemeto

Amanda Cass
Não há o que temer
nem aplaudir.

O que somos é só
este fremir.

Parte de mim é bela.
Parte é aquela

vontade de fugir.

Antonio Brasileiro, in: Antologia Poética

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Coisas íntimas

Deviantart
Trouxe-te flores
e não estavas.

Que há de se fazer
com ternuras?

Antonio Brasileiro, in: Antologia Poética

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Tudo que somos

Tudo que somos,
pouco sabemos.

Um poço imenso
cheio de sonos.

Quando choramos,
não nos perdemos.

Viver é um sonho,
não esqueçamos.

Viver é a sombra,
o assombro, o apenas.

/ Tão fragéis somos!
Fragéis e imensos.

Antonio Brasileiro, in: Antologia Poética

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Nuança

Deviantart
Meus caminhos, meus mapas,
meus caminhos.

Tudo está em ordem
em minha vida.

Como se faltasse
alguma coisa.

Antonio Brasileiro

Das definições de Manoel, o são

A vida – diz Manoel, o são – é
tempestável. E que é tempestável,
Manoel? Tempestável? Ah, tempestável!
É a vida, filho. Quem lá sabe!

Antonio Brasileiro

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Viola de amor

Nas ondas do mar me enlevo
nessas ondas me redimo
meus sofrimentos são nada
nas águas das ondas claras

(nos ventos do mar me enlevo
nesses ventos me redimo
sofrer é estar de passagem
entre o agora e o eterno)

Como as ondas que se quebram
e são sempre as mesmas ondas
vou seguindo meus destinos
como as ondas que se quebram

(como os ventos que nos passam
e nos levam os pensamentos
vou vagando, vendaval
devassando e devassado).

Antonio Brasileiro

Loucura e poesia


Furtava as cores de todas as paisagens
que colhia.
Um dia morreu
e um arco-íris bebia
seus olhos.

Antonio Brasileiro

Poema de amor

E era azul o dia da partida.
Não um azul azul como os azuis da alma
colorida, mas negro azul, profunda
escuridão beirando o nada.

Azul
assim, hermético, escuro –
escuro como a alma, não a calma, a
alma: pois era azul,
luz última, o dia da partida.

Antonio Brasileiro

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Que tanto buscamos?
O rabo esquecido
na alba?

Quem tanto
nos chama? A voz
esquecida no antanho?
Quem chama? Onde estamos?

Quem somos? Sabíamos
que é fim? É
silêncio
o nome que bradam
as máquinas obscuras
do Tempo? Que tempo?
Que tempos? Quem somos?

Antonio Brasileiro
Estar com o rio não é molhar-se na água.
Nem ser leito.
É ser a água e o leito.
E o mar.
E ser as nuvens do céu.

Nosso destino é o que somos. Somos
o destino – o olho d’água
e a foz.
Somos a foz
e o ruído das águas se encontrando.

E as nuvens do céu e o homem
sentado numa pedra. E a pedra.

Antonio Brasileiro