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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A noite estrelada

Edward Hopper
Isso não impede que eu tenha uma terrível necessidade de
- pronunciar a palavra? - religião.
Assim saio à noite a pintar as estrelas.

Vicent Van Gogh, numa carta a seu irmão.


A cidade não existe
exceto onde uma árvore de negra cabeleira escorre pra cima
como uma mulher afogada no céu quente.
A cidade está silenciosa. A noite ferve com onze estrelas.
Ó noite estrelada! Assim é como
desejo morrer.

As estrelas se movem. Estão todas vivas.
Inclusive a lua avoluma-se em seus ferros alaranjados
para escorraçar crianças, como um deus, de seu olho.
A velha serpente invisível engole as estrelas.
Ó noite estrelada! Assim é como
desejo morrer:

dentro dessa impetuosa besta noturna,
sugada por aquele grande dragão,
da minha vida sem bandeira,
sem ventre,
sem choro.

Anne Sexton / Tradução de Priscila Manhães