Mostrando postagens com marcador Adriana Versiani. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Adriana Versiani. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de abril de 2012

Alaya Gadeh
hoje sonhei ser segredo,
seu segredo,
algo distante de mim.
aquilo que mora no pulmão do maestro,
enquanto pausa, enquanto lembra, enquanto espera o som.
sonhei ser antes da pintura da nave,
antes da tinta ou das mãos,
antes da ideia.
sonhei ser segredo,
seu segredo.

Adriana Versiani

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Misantropo

Francesca Woodman
Teu olhar tem encantos como essa pedra ou o cheiro de ervas fervendo.
Encantos de chá ou de sangue derramado no altar do sacrifício, teu olhar.
Entrei no local sagrado onde, sob a pedra, crepitavam brasas rastejando no lastro do teu olhar.

Desde muitos séculos há leveza no lenço pendurado no varal. O vento sopra por trás e eu sou o vento através do teu olhar.

Escravizado pela alma que habita esse espelho fui, um dia, a alma distorcida desse espelho.
Alma do espelho, porta do teu olhar.

Abismo que a qualquer matéria dissipa, grito sufocado pela sombra dos teus cílios, tétrica caverna onde me desloco cristalino com ira de navalha,
Torto, torpe, arranco da órbita

esse teu olhar.

Adriana Versiani

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A Culpa é de Voltaire
As árvores perderam as folhas no outono.

Coração de pedra, vento frio, amor eterno.

Toma-me tudo que se espalha pelo chão.

Deito-me de lado, pendo a cabeça,

aguardo

o toque dos seus lábios no branco lírio desse mármore.

Adriana Versiani, in: Explicação do Fato

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Há dias faz frio aqui dentro.
Sua falta:
Estalaquitite soltando do teto.
Saída estreita: nadar não alivia.
Vejo estes morcegos e peixes albinos.
Escura a sua falta.
Há dias, faz frio aqui dentro.

Adriana Versiani, in: Explicação do Fato
Sinto falta de você que não existe
Dedico esses versos a você que não existe
Invento uma história para você que não existe
Bebo, como, danço, sofro por você que não existe
Mordo a boca, molho os lábios, tremo, enquanto
sonho
com você que não existe.

Adriana Versiani, in: Explicação do Fato