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domingo, 29 de abril de 2012

Resistência

um pote cheio
do furor que escorria dos teus olhos
guardei

porque gastamos todas
as nossas mãos

e restou inteiro
esse sentimento
enrugado

que não
passa

Mariana Botelho, in: O Silêncio Tange o Sino. Ed. Ateliê Editorial
Maria Elina
é uma cidade muito pequena
para tanta distância

é preciso
ir devagar
com os cuidados, meu pai

devagar com os cuidados

é uma cidade muito pequena
para caber tanta dor

Mariana Botelho

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Sundari Carmody
a manhã nos obriga
a chorar
sempre

esquecer
a tosse noturna do filho

a urgência
do amor

o verbo
nosso pai
o silêncio
nosso filho

nosso rito diário
de esquecer

Mariana Botelho

sábado, 9 de julho de 2011

Vânia Medeiros
não sei verbalizar
o abismo

sei cair
dentro dele
como dois olhos que eu avisto e temo

e o chão se demora -
amor -
a tocar meus pés.

Mariana Botelho

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Julieta numa nota só

Vânia Medeiros
eu te quero tanto que meus olhos se magoam.

Mariana Botelho

terça-feira, 4 de maio de 2010

Segredo



O silêncio dorme sobre a palavra
que morre na boca.

Mariana Botelho
Vânia Medeiros


Nunca um silêncio me falou tão alto.
acho que fiquei (ab)surda!

Mariana Botelho

domingo, 14 de março de 2010


findo o dia
minhas pernas vão para casa

vão chorando

querem esquecer o caminho.

Mariana Botelho

Separação

Leszek Kowalski
aquele homem
era a minha rotina

eu cerzia suas roupas
limpava seus sapatos

ele fazia do meu corpo
um caminho só de ida.

Mariana Botelho

Micro

Vânia Medeiros
moço olha bem no meu olho. vê? isso é um abismo. você não vai querer pular. vai?

Mariana Botelho

sábado, 8 de agosto de 2009

Gustv Klimt

sua voz
faz cadente
a estrela
de meu corpo.

Mariana Botelho

sábado, 20 de junho de 2009

Encantamento

no silêncio da tarde
meu corpo se encheu de
espantos.

e beleza nenhuma havia
senão sob o prisma desse
medo.

Mariana Botelho

quinta-feira, 9 de abril de 2009

ventos
insistem
nas portas

aqui
nenhuma dor
é breve.

Mariana Botelho

domingo, 28 de dezembro de 2008

Estudo sobre o silêncio II

Anne Aubrey

n’algumas coisas o silêncio
canta
n’outras arde
em mim.

Mariana Botelho

Estudo sobre o silêncio I

Anne Aubrey
ficamos imóveis
diante do imenso
pássaro de pedra:

silêncio

sólido impassível belo

falamos
e ele assume-se leve
ave emplumada
num vôo de morte.

Mariana Botelho

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Menina

Lilya Corneli
do fundo
de minha retina
retirei uma
imagem

eu nunca a havia visto

e era toda
feita
da umidade dos meus
olhos.

Mariana Botelho

Vão

eu queria guardar teu
sorriso o tom
de tua voz teu
cheiro

mas só cabe ausência
nesses potes cheios
de
solidão.

Mariana Botelho

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

[o silêncio]

Vânia Medeiros

o silêncio tange o
sino de tão
leve ninguém
escuta

Mariana Botelho

Água

Vânia Medeiros
Água.

fui sentir o cheiro de
terra molhada.

ficamos ali
eu e meu corpo,
cantando a plenitude do mato
depois da chuva.

Água.

me amei.

Mariana Botelho