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domingo, 26 de maio de 2013

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Elina Brotherus
[...] Você continua a falar, sozinho no mundo como você deseja. Você diz que o amor sempre lhe pareceu fora de lugar, que você jamais compreendeu, que você sempre se esquivou de amar, que você sempre se quis livre para não amar. Você diz que está perdido. Você diz que você não sabe onde, dentro de que você está perdido.

Ela não escuta, ela dorme.
Você conta a história de uma criança.
O dia alcançou as janelas.

Marguerite Duras, in: A doença da morte. Tradução de Vadim Nikitin. Ed. Cosac Naify.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Ela não consegue definir muito bem o seu sentimento,

não sente ódio, nem repugnância, então talvez se trate de desejo. Não sabe de nada. Consentiu em ir ao apartamento na noite anterior. Está onde precisa estar. [...] Ele está trêmulo. Olha para ela como se esperasse ouvi-la dizer alguma coisa, mas a moça não fala. Então ele também fica imóvel, não a despe, diz que a ama como louco, depois fica calado. Ela não responde. Poderia dizer que o ama. Não diz nada. Subitamente, compreende, num momento, que ele não a conhece, que não a conhecerá jamais. Mesmo com tantos subterfúgios para compreendê-la, jamais conseguirá. A ela compete saber. Ela sabe. [...] Ele diz que está sozinho, terrivelmente sozinho com esse amor. Ela responde que também está sozinha. Não diz com o quê. [...] E chorando realiza o ato. A princípio, a dor. E depois a dor se transforma, é arrancada lentamente, transportada para o prazer, abraçada pelo prazer.

Marguerite Duras, in: O Amante. Ed. Nova Fronteira

domingo, 22 de maio de 2011

por que amar . . .

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
Olho para você. Você me pergunta o que há, sempre um pouco vigilante, quando olho para você. Digo que não há nada, que olhava para você por prazer:
- Não sei se o amor é um sentimento. Às vezes acho que amar é ver. Ver você.

Marguerite Duras, in: Emily L. Ed. Nova Fronteira