Mostrando postagens com marcador Machado de Assis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Machado de Assis. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 15 de junho de 2011


[...] o tempo é um tecido invisível em que se pode bordar tudo, uma flor, um pássaro, uma dama, um castelo, um túmulo, também se pode bordar nada. Nada em cima de invisível é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro.

Machado de Assis, in: Esaú e Jacó. Ed. Ática

sexta-feira, 10 de junho de 2011

— Que é a saudade senão uma ironia do tempo e da fortuna? Veja lá...

Lilya Corneli
começo a ficar sentencioso. Trinta anos; mas em verdade, não os parecia. Lembra-se bem que era magra e alta; tinha os olhos como eu então dizia, que pareciam cortados da capa da última noite, mas apesar de noturnos, sem mistérios nem abismos. A voz era brandíssima, um tanto apaulistada, a boca larga, e os dentes, quando ela simplesmente falava, davam-lhe à boca um ar de riso. Ria também, e foram os risos dela, de parceria com os olhos, que me doeram muito durante certo tempo.

Machado de Assis, in: do conto A Desejada das Gentes

quinta-feira, 2 de junho de 2011

da série Capitu
Na verdade, Capitu ia crescendo às carreiras, as formas arredondavam-se e avigoravam-se com grande intensidade; moralmente a mesma coisa. Era mulher por dentro e por fora, mulher à esquerda e à direita, mulher por todos os lados, e desde os pés até á cabeça. [...] os olhos pareciam ter outra reflexão, e a boca outro império.

Machado de Assis, in: Dom Casmurro. Ed. Avenida Gráfica

sábado, 28 de maio de 2011

"Deixe estar, – pensou ele um dia – fujo daqui e não volto mais."

do curta Uns Braços
Não foi; sentiu-se agarrado e acorrentado pelos braços de D. Severina. Nunca vira outros tão bonitos e frescos. A educação que tivera não lhe permitia encará-los logo abertamente, parece até que a princípio afastava os olhos, vexado. Encarou-os pouco a pouco, ao ver que eles não tinham outras mangas, e assim os foi descobrindo, mirando e amando. No fim de três semanas eram eles, moralmente falando, as suas tendas de repouso. Aguentava toda a trabalheira de fora, toda a melancolia da solidão e do silêncio, toda a grosseria do patrão, pela única paga de ver, três vezes por dia, o famoso par de braços.

Machado de Assis, in: do conto Uns Braços

terça-feira, 24 de maio de 2011

da série Capitu

Capitu, apesar daqueles olhos que o diabo lhe deu... Você já reparou nos olhos dela? São assim de cigana oblíqua e dissimulada.

Machado de Assis, in: Dom Casmurro. Ed. Avenida Gráfica