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domingo, 10 de maio de 2026

NOVAS ILUSTRAÇÕES MISSIONÁRIAS: Livro gratuito com 600 ilustrações sobre missões, serviço e mordomia cristã

O livro gratuito que você tem diante dos olhos possui um valor altíssimo. Está mesmo na prateleira de cima dos livros mais valiosos. Ele é uma antologia: uma reunião do melhor encontrável nos melhores livros. Um antologista percorre milhares e milhares de páginas para extrair aquilo que julga ser o mais relevante segundo o propósito que ele tem em mente. E, após muita depuração, entrega ao leitor a riqueza que custou o suor, as experiências, a inteligência e a criatividade de dezenas ou centenas de autores.

Ao longo dos anos, publiquei duas grandes seletas de ilustrações. A obra Ilustrações Missionárias: 777 Ilustrações sobre mordomia cristã e as obras de evangelização e missões (2020), e o Almanaque do Promotor Missionário (2024), que, dentre seus diversos recursos, possui uma seção com nada menos que 340 ilustrações de enfoque missionário.

Mas, leitor e coletor contumaz que sou, em minhas leituras e pesquisas subsequentes a tais obras continuei a me deparar com textos cuja preciosidade precisava ser compartilhada. Assim, esta obra traz para a Igreja uma nova coleção de ilustrações e reflexões, a somar-se às coleções pregressas.

PDF com tamanho de fonte (letra) otimizado para
leitura em aparelhos celulares.

Uma ilustração, verdadeiro canivete suíço, é uma ferramenta homilética, evangelística, devocional e motivacional, útil em todos os momentos: Pode ser usada durante uma pregação, ou na evangelização individual; serve de inspiração em seu momento devocional em grupo ou a sós; e contribui para enriquecer textos e publicações as mais diversas. A título de ilustrações, aqui o leitor encontrará de parábolas e fábulas morais a testemunhos de vida e fé, de poemas e orações edificantes a pequenas reflexões, teológicas e práticas, sobre o serviço cristão e a missão, coligidas das mais diversas fontes.

Nossa oração é para que você leia e pratique os textos aqui colecionados – e compartilhe esta obra, sempre gratuitamente, com quantos irmãos você puder.


BAIXE O LIVRO PELO SITE BIBLIOTECA DE MISSÕES, CLICANDO AQUI.

BAIXE O LIVRO PELO SITE GOOGLE DRIVE, CLICANDO AQUI.

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E, se você deseja o LIVRO IMPRESSO, ele está disponível na editora Uiclap, ao preço de custo (não obtemos lucros com a venda, para deixar o livro no mínimo valor possível na editora, que imprime e vende sob demanda). Ele possui 542 páginas, em formato 16x23cm. Acesse o site da editora AQUI.



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

SALMO DE NATAL


Alexey Kondakov  "Le Chant des Anges", de Bouguereau


Meu Deus, Meu Deus, por que nos abandonaram
Nestes lugares vazios?
Em trânsito de Belém da Judeia  para o mundo
Circunscrito dos homens, viajando
Em todos os comboios, com o sono
Do Menino em sobressalto, com anjos
Sem sapatos, que adormecem os ouvidos
Do Menino e de Maria
A tocarem nos intervalos do silêncio
Um glória a Deus na terra da alegria.


07-12-2016


© João Tomaz Parreira  

terça-feira, 1 de novembro de 2016

OUVE-SE UM CHORO EM ALEPO




Um choro se ouve em Alepo
É Raquel chorando os seus filhos
Que não regressarão da escola

O grande pranto triste do fundo dos úteros
Que ficaram órfãos

Ouve-se um choro em Alepo
É Raquel a despedir-se 
De si mesma.

01-11-2016  
João Tomaz Parreira



terça-feira, 4 de agosto de 2015

VIAGEM



Não nos ajoelhamos nas margens
do Mar, mas nossos joelhos tremiam
com o chão pela cavalgada dos egípcios
O que seria de nós diante
das vagas fechadas do Mar Vemelho
se a vara de Moisés não esculpisse
nas águas moles dois muros de vidro.
Até hoje 
nunca nos ajoelhamos
nem no Muro das Lamentações
nem à entrada das câmaras da morte
onde uma água falsa nos removeria
a vida.  


04-08-2015
©  João Tomaz Parreira


segunda-feira, 22 de junho de 2015

a Mulher

    (Nicolas Poussin, Louvre, 1653)

              
onde estão, Mulher, aqueles teus acusadores?
que vieram escondidos atrás das sombras
como falsificadores de Moisés, onde estão
aqueles que escutaram  através das paredes,
que não vêem
senão a carne dos dramas alheios, os que trazem
o incenso do sexo na cabeça
e  denunciam o que pode ser um amor
errado, mas ainda assim amor.
onde estão, Mulher, aqueles acusadores
que se vestiram com vestes empertigadas
para o solene cortejo, para te levarem ao cúmulo
das pedras, onde estão agora
aqueles que usaram na voz a volúpia rasteira,
todos aqueles que medem tudo com o ranger
dos dentes da sua santidade?

22-06-2015

© João Tomaz Parreira

quinta-feira, 11 de junho de 2015

O SALMO 8 POR UM POETA SECULAR




Não se pode averiguar o peso quântico da eternidade
Na oficina celeste, todos os anjos reunidos
Não sabem a mais leve partícula do nome Deus
Não há espaço no Céu para conter Deus
Todo o Céu fica aquém, só as Suas mãos
Que fazem e desfazem astros estão para lá de tudo
O que nos adormece em segurança quando olhamos
O Espaço, quem somos nós para limitar Deus ao quarto
Onde dobramos os joelhos e citamos várias vezes a nossa vontade
E contudo
Não sendo o Seu corpo que habita nos templos
Feitos pelas mãos dos homens
Só o Seu olhar  agrega-nos a todos como um alvo
Do Seu Amor no fio do horizonte.

09-06-2015

©  João Tomaz Parreira 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

É TERRÍVEL SER O SENHOR



“Καὶ ὁ λόγος σὰρξ ἐγένετο καὶ ἐσκήνωσεν ἐν ἡµῖ “
(E o Verbo se fez carne e habitou entre nós)
J. 1,14

É terrível ser o Senhor e estar sentado à mesa
entre os homens, subir a crosta da terra
até ao cume onde já foram contados outros
malfeitores, andar entre os leprosos com a carne
diáfana e pura de ser Deus, partilhar
de todas as manhãs como artesão do sol
É terrível ser o Senhor entre cegos
e andar eterno no limite temporal.

14-04-2015
© João Tomaz Parreira 


sexta-feira, 3 de abril de 2015

PILATOS DIRIGE-SE AOS JUDEUS


João Tomaz Parreira


Eis o Homem
que chegou aqui pelo valor mais baixo
que às vezes tem o beijo, o da traição
Este que chegou a golpes de chicote pelo corpo
e pelas faces em silêncio que oferecia
às bofetadas. Este que chegou aqui
pelo crime de ser Deus
com uma cruz difícil sobre as costas.

02-04-2015




segunda-feira, 30 de março de 2015

O QUE DISSE DAVID NA CORTE DE SAUL


(Rembrandt, "David tocando harpa para o rei Saul", c.1630/31)



“David tocava harpa, e a dedilhava; então Saul sentia alívio”
I Livro de Samuel, 16,23



Dai-me o coração de Saul e farei dele uma harpa
E aliviarei com ela os pensamentos de sangue,
Uma harpa apaziguadora,
E tirarei as sombras dos seus olhos. Depois
Dai-me uma funda e com ela partirei o ar,
Cinco pedras vivas
E conquistarei um gigante e farei um reino.


30-03-2015
© João Tomaz Parreira

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

PASTORAL (Inédito)




O bom pastor discerne as minhas pegadas de outras pegadas
Perante o modo como me julga, pouca importa
O tamanho do Oceano Atlântico ou dos Mares do sul
Com  suavidade e a dureza
Dos seus ombros, vem ter comigo
Quando alguma coisa me empurra para baixo
Ou quando o medo cresce nas sombras, são suficientes
Os seus olhos sobre mim, são a arquitrave
Que suporta o peso do céu de um dia pleno de sol
Ou de tempestade.


26-01-2015

© João Tomaz Parreira 


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A ESTRELA

(Foto da NASA)



“No cerne da solidão / os olhos de Deus”
Joanyr de Oliveira



Se vier, virá do cerne da solidão, do deserto
Das areias cósmicas, do pó esplendente
Dos cometas, se vier
Ancorará cansada o seu vórtice misterioso
No topo do mundo, no sono
Das crianças, nos ramos dos pinheiros, alçará
Os fonemas da alegria, se vier
Será matéria para contar aos netos dos futuros netos

Matéria disparada do etéreo, povoa
O silêncio da noite, estrela que se revela do rebanho
De outras estrelas, o seu canto
Só os anjos acordados à sua própria voz
Conhecem.  Mas canta realmente
Depois de milénios a fio muda?  O frio
Por onde passa é cada vez mais
O caminho, mas cante ou não
Vem da direcção da luz.


17-12-2014
© João Tomaz Parreira  



segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O CALVÁRIO





Morreu esta tarde, por três dias,
às três num monte à beira da cidade.
Inclinou o seu espírito às últimas palavras
que seus lábios entregaram aos ouvidos
dos homens e de Deus, da mãe
não chegariam as mãos para o tirar da cruz.
Do lençol de linho de José de Arimateia
-só é certo que lhe deu o sepulcro- não se sabe,
qualquer teologia que diga que ao morrer
às três da tarde, por três dias, tinha nos lábios
um sorriso, sabemos pelas feridas da morte
que não é verdade, ninguém
morre pelo ódio do seu povo e sorri.
Morreu com o tempo marcado, o relógio
do sol marcaria na porta do sepulcro
a manhã de sábado,  depois outra manhã viria
limpar da noite as sombras, para que o branco
Corpo intocável mais brilhasse.


14-12-2014
© J.T.Parreira

(Arte: Tela de Salvador Dali)

domingo, 23 de novembro de 2014

ANTES DO SALMO 51 DAVID E NATÃ





Com uma das mãos lavo o rosto
Com a água corrente dos meus olhos
A outra apoia-se no vazio, abraça
A solidão, a sombra do silêncio
Da harpa suaviza o meu coração de pedra
Agora de carne e fogo
Um hissope começa a escrever o cântico
Do perdão a sangue e água, no espelho
Do meu rosto.


23-11-2014
© João Tomaz Parreira



segunda-feira, 4 de agosto de 2014

ELOGIO DA AMADA NO CÂNTICO DOS CÂNTICOS


                          
“Quem é esta que sobe do deserto, como colunas de fumo,
perfumada de mirra”
 Cântico dos Cânticos


Ela vem como ilusão de óptica no deserto
as faces rodeadas de uma água solar, a luz
do seu rosto se derrama, a cor dos seus lábios
sufoca os meus olhos

Ela vem como algodão de nuvens
as minhas mãos são rudes indignas da seda
dos lírios que florescem nos seus dedos

A minha amada vem ágil como o vento
a dançar nos véus do seu cabelo

Vem esplêndida, a minha amada vem como um alvo
de beleza para todos os olhares.


01-08-2014

©  J.T.Parreira

sábado, 12 de julho de 2014

O CÂNTICO DE MARIA




Alimentei o meu Cordeiro, todos
os outros estão mortos, levaram séculos
a morrer, o meu Cordeiro não
as minhas mãos assumiram formas de amor
nos seus cabelos, cuidei-O com desvelo
a sua beleza era a minha
correu pelos campos de Nazareth, as suas mãos
pela madeira, preparavam-na para o bom nome
do carpinteiro, o meu Cordeiro como todos
os meninos, tinha os anjos acampados
ao redor do seu sono, até ao dia
em que veio o deserto
e as multidões, as meretrizes e os publicanos
todos os pobres sem violência
e vieram outros do seu povo injuriá-lo, lavrar
nas suas costas a chicote a ignorância
coroá-lo com o peso viperino dos espinhos
e os meus olhos não suportaram
a verdade do meu Cordeiro numa cruz.

12-07-2014

© João Tomaz Parreira  

sábado, 21 de junho de 2014

A COROA

Annibale Carracci, óleo s/tela, 1585


Repouso a minha cabeça para a coroa
de espinhos, ostentarei
o silêncio da flor envergonhada
com flechas no lugar das pétalas

Poderia no fim da vida
ter uma coroa que me amaciasse
a cabeça, mesmo que o reino fosse pesado
uma coroa limpa

Mas não, eu não poderia suportar uma coroa
que esmagasse em mim o meu amor
escarlate pelo mundo
para ter um reino na terra, se assim fosse
teríeis outras razões para a minha morte. 


20-06-2014
© J.T.Parreira 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O rio cujo nome ignoramos



Por vezes, como o tigre de Jorge Luís Borges
passamos pela margem do rio
cujo nome ignoramos


pode ser a Morte
ou a Manhã futura, forma clara
que se move desde o Arché
em que Deus está, é aqui


que os nossos olhos se repartem
olhar o abismo sob a água
ou deixarmos que corra
à superfície da frescura, o rasto
do odor que se segue até ao mar.


2/5/2014
João Tomaz Parreira

segunda-feira, 10 de março de 2014

TEOLOGIA PESSOAL




Escuto-Te a passar no silêncio
Ao longo dos canais da Ria
Não tens corpo, mas tens uma ave
Que dulcifica os meus olhos e o vento
Que se equilibra na minha barba, levanta-se
Um robalo num salto
Para alcançar o outro azul que a água espelha
Escuto-Te nada tenho a perder
A passar na frágil asa da libélula
Como é fácil ser-se silêncio
Passas no colo da mulher que apanha moliço
Para  a beleza
do que há-de nascer da terra
Escutei-Te, passavas na minha adolescência
E dos meus amigos que entravam com risos
De cristal nas águas impenetráveis dos canais.

Ria de Aveiro, 7-03-2014
© João Tomaz Parreira