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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Nos desapegos da vida...




Wilma Rejane


O sacrifício de Isaac é relembrado como um gesto de fé de Abraão que obedecendo a uma instrução de Deus, viaja cerca de 90 km, por três dias, de Berseba até o Monte Moriá, para oferecer o filho em holocausto.  Abraão comprovou ter uma fé inabalável porque acreditou que Deus era poderoso para ressuscitar seu filho, caso viesse a ser sacrificado (Hebreus 11:18). Ele caminhou por três dias movido pela fé de que Moriá não seria uma tragédia, mas um meio de contemplar a glória de Deus: o que de fato aconteceu.

Teve um outro momento na vida de Abraão que não é relembrado com tanto entusiasmo por comunidades de fé judaica e cristã: a separação entre ele e Ismael. Imagino quanta dor não deve ter sofrido Abraão por mandar embora de sua vida - de uma vez por todas - o filho Ismael e sua mãe Agar. Considero esse também um grande sacrifício! Não o digo em concordância com a fé muçulmana que acredita ser Ismael o filho do sacrifico, digo pelo amor que sentia o pai pelo filho.

Meditar sobre essas renúncias de Abraão é motivo de grande aprendizado, pois há momentos em nossas vidas que somos confrontados a deixar para trás ou se dirigir ao Moriá entregando coisas que consideramos tão necessárias para nossa felicidade. Há momentos em que temos que desapegar para crescermos e contemplarmos a glória de Deus em nossas vidas . Não sei se você já parou algum dia para pensar no desapego de Deus ao enviar Seu filho Jesus até a terra, renunciando a  glória celeste para ser humilhado.

Somente quem ama é capaz de sentir a dor de amar e  do “desapegar”.  Porque  desapegos são esquinas certeiras da vida: e lá se vai alguém, dobrando a rua sumindo de vista e nossas lágrimas descendo as ladeiras do rosto, moldura da alma. Viver às vezes dói e esse doer só não destrói porque olhar para Deus, caminhar com Ele é um Bálsamo curador. Quando pensamos que as renuncias, desapegos,medos irão nos consumir, Deus vem dizendo que jamais desapegará de nós. Essa lição Ele ensinou para Abraão. Ele escreveu em cruz, em sangue, na eternidade do horizonte! Como o arco-íris mostrado a Noé depois do dilúvio, um desapego da humanidade corrompida.


Gênesis 9: 13- O meu arco tenho posto nas nuvens; este será por sinal da aliança entre mim e a terra.

Mais uma vez a glória de Deus é revelada após um desapego. Quantas coisas não deixaram de existir com o dilúvio? E quantas não passaram a ter novos significados depois disso? Assim é a nossa vida. Haverá momentos em que teremos de sacrificar Isaac's, despedir Ismaei's. O que jamais devemos fazer é desapegar de Deus porque Nele tudo se recompõe, especialmente a alma.

Escrevo sobre desapego porque tenho sido confrontada com isso nos últimos dias, quem sabe, você também.  Escrevo sobre desapegos depois de saber que alguém muito querido está com câncer e vejo essa pessoa tão cheia de vida dizer que a doença exigirá dela desapegos. Escrevo porque meu esposo Franklin tem me falado que preciso desapegar de pessoas que amo demais para que essas pessoas possam aprender a caminhar sozinhas rumo a seus desapegos: Crescendo, mudando, reeditando.

E que não sejam nossos desapegos tristezas, mas a razão de contemplarmos a glória Divina nos conduzindo nos Moriás da vida.


Deus o abençoe,amado leitor.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Saudades de quê?




Wilma Rejane


Saudade é um sentimento comum em nossas vidas. Quem algum dia, nunca sentiu saudade?  Cientistas relacionam o fato ao cérebro, por ser ele capaz de imprimir imagens familiares, sons, cheiros... Tudo isto é reunido em uma espécie de “caderno mental”. Estas informações circulam em nossa mente, provocando sensações que chamamos de saudade que é biológica e também emocional. Acontece quando estamos distantes de casa, de pessoas que amamos, quando por algum motivo apenas nos é permitido recordar.

Distante de casa, na  Babilônia, um exilado, entoou  saudoso Salmo em memória de Sião.

"Junto dos rios de Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião. Sobre os salgueiros que há no meio dela penduramos nossas harpas. Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediram uma canção; e os que nos destruíram , que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião. Como cantaremos a canção do Senhor em terra estranha? Se eu me esquecer de ti ó Jerusalém, esqueça-se a minha direita da sua destreza." Sl 137:1-5.

O imigrante não tinha forças sequer para cantar, tamanha era a tristeza provocada pela saudade. As lembranças de Sião estavam “circulando” em sua memória.   Perdi meu pai há oito anos, mas todas as vezes que sinto o cheiro de sua comida preferida, ou vejo minha mãe preparando-a, fico pensativa a lembrar-me de sua alegria e disposição em sentar-se a mesa. Sinto falta de sua presença conosco também nestes momentos.

Nenhuma ciência ainda foi capaz de medir nossas emoções, mas Deus em sua eterna sabedoria nos dotou de vínculos e laços de amor que perduram uma vida, e mesmo quando chega à morte. É quando percebemos intensamente o significado que pessoas têm para nós. É quando chega um tipo de saudade que não pode ser saciada, deixando marcas que somente o tempo é capaz de amenizar.

Amor e ausência são pais da saudade. A saudade nos faz refletir e, sobretudo, sentir com mais vigor, presença e intensidade. O autor Nelci Silvério, sobre a saudade comenta: " Toda saudade é amor, e amar é conhecer alguém ou algo. Ninguém tem saudades do que não ama e ninguém ama o que não conhece".

Sobre a essência inflamada da saudade, podemos ainda enunciar os seguintes paradoxos: é um mal de que se gosta, e um bem que se padece. Saudade não necessariamente diz respeito a coisas que se perderam, pois também há saudade de bens que não foram ainda possuídos, de pessoas e coisas que permanecem sendo esperados, a vontade de estar próximo nesses casos, também é saudade.

Chorar de Saudade

Saudade se caracteriza pela ambivalente lembrança alegre - triste de algo extraordinário e marcante em nossas vidas. Davi, relata a dor da saudade sentida por causa da ausência do filho Absalão:

 “Absalão fugiu, e foi para Gesur; e ali esteve por três anos. Então tinha o rei Davi, saudades de Absalão. E Davi pranteava por seu filho todos aqueles dias” II Sm 13:37-39. Por três anos, o homem segundo o coração de Deus chorou a distância do filho.  

Um recente artigo, divulgado pelo jornal CNN aponta que as universidades americanas estão lotadas de jovens saudosos de suas casas e de tudo o mais que deixaram para trás, ao partirem ao encontro do sonho de concluir os estudos e terem uma carreira estável. Os entrevistados descreveram com detalhes as lembranças que circulavam em suas memórias:







Keila Pena - Hernandez : “Lagos ou rios do centro oeste, não se comparam com o mar do caribe, tenho saudades das frutas tropicais e da brisa fresca do mar”. A estudante estava tal qual o exilado na Babilônia, desejando sua terra. Acima Keila na Universidade de Missouri, a família ficou em Porto Rico.


Curando a dor da Saudade


A Palavra de Deus é um alto refúgio em todos os tempos. Ela conforta, dá ânimo e restaura as forças. É através dessa fórmula que missionários e imigrantes cristãos, conseguem superar a dor da distância: “Orações aliviam meu coração dolorido, confio a Deus tudo o que está acontecendo comigo e com meu filho que está distante de mim” Homesik (imigrante).A exemplo de Homesik costumo entregar todos os cuidados a Deus, e   de maneira sobrenatural, Ele envia o refrigério. Imagem à esquerda: Imigrantes reunidos em estudo da Bíblia para superar saudades de casa.


Saudade na Era da internet

Vivemos em um mundo repleto de novas tecnologias e é possível uma comunicação rápida e eficaz com todas as partes do globo terrestre. Estes recursos têm possibilitado que familiares curem (em parte) a dor da saudade.  Minha sogra tem 68 anos. Aprendeu  usar Orkut, email , Skype e webcam para se comunicar com filhos e netos que moram em outro estado. É possível vê-la dando boas risadas  nessa interatividade virtual. E pensar que o Rei Davi chorou por três anos a distância de seu filho...

Mas a era da tecnologia, também provoca um paradoxo: une e separa. O uso exagerado da tecnologia, pode provocar um esvaziamento das relações, ansiedade e alienação dos laços amorosos. Não se colhem lágrimas, nem abraços, nem afetos em uma comunicação unicamente virtual. É preciso se aconchegar no outro, chorar e sorrir juntos, sentir os níveis de intensidade da voz e do olhar. Perceber os gestos, enfim amar de tão forma que se provoque saudade de amar sempre, mesmo juntos.

E Paulo sentiu saudades...

Filipenses 1:8 Pois Deus me é testemunha de que tenho saudades de todos vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus. (apóstolo Paulo)


Desprovida de saudade, a vida humana decerto seria miserável, pois estaríamos reduzidos a um presente instantâneo, grosseiro, automático.         

Ao sentir apertar a dor da saudade, lembre-se: você não está sozinho. Neste exato momento em  algum lugar, ou em muitos lugares do planeta, lembranças estão circulando no memória de quem ama.  Mas como tudo na vida, essa dor há de passar.

Deus te abençoe.

Fontes: Bíblia Sagrada e artigo de Renato Bitencourt: A saudade e a Nostalgia Inefável.  Revista Filo. Ciência e Vida Ed nº 72

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O empurrão da águia-mãe


A águia empurrou gentilmente seus filhotes para a beirada do ninho. Seu coração se acelerou com emoções conflitantes ao mesmo tempo em que sentiu a resistência dos filhotes a seus insistentes cutucões.

Por que a emoção de voar tem que começar com o medo de cair? Pensou ela. O ninho estava colocado bem no alto de um pico rochoso. Abaixo, somente o abismo e o ar para sustentar as asas dos filhotes.

E se justamente agora, isto não funcionar?

Apesar do medo, a águia sabia que aquele era o momento. Sua missão estava prestes a se completar, restava ainda uma tarefa final... o empurrão. A águia encheu-se de coragem.

Enquanto os filhotes não descobrirem suas asas não haverá propósito para a sua vida. Enquanto eles não aprenderem a voar não compreenderão o privilégio que é nascer águia.

O empurrão era o maior presente que ela podia oferecer-lhes. Era seu supremo ato de amor. Então, um a um, ela os precipitou para o abismo. E eles... voaram! Às vezes, nas nossas vidas, as circunstâncias fazem o papel de águia. São elas que nos empurram para o abismo.

E pode ter certeza que, são elas, as próprias circunstâncias, que nos fazem descobrir que temos asas para voar.

Pense nisso, e comece a encarar os obstáculos, com 'outros olhos'. 

Autoria indefinida 

Fonte: Belverede

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Conheça o Vale de Elah: o lugar da batalha entre Davi e Golias






Wilma Rejane
A Tenda na Rocha


O lugar da batalha entre Davi e Golias ainda existe até nossos dias, preservado com o mesmo nome "Vale de Elah" : "Porém Saul e os homens de Israel se ajuntaram no vale de Elah, e ali ordenaram a batalha contra os filisteus" I Sm 17:2.  Elah significa carvalho, uma árvore muito comum na região.

Ainda é possível contemplar o riacho onde Davi ajuntou as cinco pedras que arrumou em uma funda, lançando-as direto no gigante Golias. O riacho atravessa o vale e recebe o nome de "ribeiro de Elah", é um riacho sazonal, seco na maior parte do ano. Por todo o riacho há abundantes seixos, pedrinhas de todos os tamanhos.

 Apanhando seixos em Elah


Nesse mesmo vale, Davi reuniu um exército de homens endividados em uma caverna "A caverna de Adulão". Adulão, é o nome de um sitio ao extremo leste do vale de Elah. Ainda hoje também é possível ver as inúmeras cavernas na região, mas é difícil afirmar em qual delas Davi se refugiou com os 400 homens, entre os mais pobres de Israel.




 Uma das cavernas em Adulão


Fiquei fascinada em saber que esse lugar ainda reserva características do tempo Bíblico em que ocorreu a famosa batalha entre Israel e filisteus. Esse é um dos lugares que gostaria de visitar. Conhecê-lo, ainda que virtualmente, me fez compreender melhor os caminhos percorridos por Davi para driblar ou vencer ou inimigos.

Frio, fome, feras, armadilhas traiçoeiras, tudo isso ele enfrentou por amor a Deus e a seu chamado de Rei ungido em Israel. Para que alcançasse a glória, antes lhe foi dado o vale. Elah, também é conhecido como "vale das sombras" e creio que nele Davi se inspirou para compor:

 Visão panorâmica do vale de Elah

"O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta. Em verdes pastagens me faz repousar e me conduz a águas tranquilas; restaura-me o vigor. Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome. Mesmo quando eu andar por um vale da sombra da morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem. Preparas um banquete para mim à vista dos meus inimigos. Tu me honras, ungindo a minha cabeça com óleo e fazendo transbordar o meu cálice. Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharão todos os dias da minha vida, e voltarei à casa do Senhor enquanto eu viver." Salmos 23:1-6


Relembrar Davi no vale das sombras, me fez firmar mais um versículo no coração: "Mas Deus garante; não nos dará provação maior do que podemos suportar" 1Co 10.13.

Davi poderia ter murmurado e lamentado enquanto esteve no vale, poderia ter desanimado, desistido, retroagido, mas não. Ele usou a geografia do vale a seu favor: a caverna para formar um exército, as pedrinhas para derrubar o gigante, os carvalhos para repousar à sua sombra... Isso nos diz algo?



Em Cristo.

domingo, 15 de janeiro de 2012

O Segredo das Estações




Wilma Rejane

Moro em uma das cidades mais quentes do Brasil (Teresina) e todos os anos presencio a vegetação de meu jardim, e de outras áreas, definhar com as altas temperaturas e revigorar com a chegada da chuva. As mudanças de estações revelam lições uteis a nossa vida. É possível fazer viver a consolação e os milagres, tão somente observando o curso da natureza e a forma como Deus mantem e renova o que por algum período parecia não ter vida: Árvores ressequidas e “despidas” pela queda de folhas, em apenas alguns dias de inverno ressurgem  com a beleza de quem sorri pela felicidade de amar. 


O amor tem esse dom de entrelaçar céu e terra em largo riso visível  até a plenitude do invisível.  Não se sabe onde começa, nem onde termina a alegria dos que amam. Assim é o esplendor da natureza, ou melhor: do Senhor da natureza!  Parece sonho!  Lá estava um “esqueleto” de Ipê. Tristonho e sem vida, mas quando chega a sua estação, quantas flores!! Quem passa ao longe, vê a graça da cor.

Ipês amarelos.


Nossa vida obedece esse curso de rotina: “Enquanto a terra durar; sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite não cessarão” Gn 8:22.  Não há tristeza que dure para sempre, nem alegrias que não se renovem.  Espalhamos sementes que brotarão a seu tempo, tal qual o florir do Ipê. Esse dom  que se assemelha ao movimento dos astros; influenciando noites e dias, secas e enchentes -e outras vertentes – carrega consigo a esperança: De que sempre haverá um futuro onde possamos nos resguardar das tempestades e comemorar a superação das adversidades. Misericórdia sem fim brota no universo para você e para mim! É Deus no controle dos dias, derramando Sua graça, conservando o belo, enquanto a maldade persiste no caos.


Essa força de recomeços, está em nós.  A anatomia humana conspira a favor da vitória. Não há nada sob a face da terra que se iguale a coroa da criação: o homem. Não há outro ser com capacidade de compreender “os porquês”  e  adentrar no secreto dos céus com orações  em gratidão ou mesmo rebelião. O bem e o mau ganharam  forma, desde que senhor Adão corrompeu o coração sob as folhas da árvore da vida e promessas malditas.  Foi em um jardim. Natureza por todos os lados: vida e morte conjugados. E ele escolheu a morte, como fruto que lhe comoveu as entranhas em agonia e perdição.

Eis o mundo: um jardim. Já não é tão belo desde que Adão e Eva se entregaram a escolhas erradas. Contudo: “sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite” continuam a existir anunciando novos tempos, novas estações carregadas de esperança e oportunidades de felicidade. Não desperdicemos essa rotina que se encrava em nós a cada manhã, quando no horizonte o maravilhoso espetáculo do nascimento do sol, deixa para trás a escuridão da noite. Mas a noite está lá, presente em algum outro lugar! No dia, o céu oculta a infinidade de estrelas que voltarão a brilhar obedecendo a rotina das horas. 



Na estação do amor.


Tudo no universo é resultado do amor de Deus por nós. A linguagem de amor e misericórdia nos acompanha insistentemente: “ Porque as suas coisas invisíveis desde a criação do mundo, tanto o Seu eterno poder, como a Sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis” Rm 1:20


As estações nos ensinam,  porque trazem consigo a linguagem de Deus. Esse curso natural do planeta, sofre consequências da ação humana porque ao homem foi dado o domínio da terra, assim também é a nossa vida.  As estações existem, fazendo parte do percurso da vida, contudo, está em nós a escolha de nos tornarmos mais fortes e belos  ou mais fracos e infelizes a cada novo tempo. O profeta Habacuque viveu em cerca de 600 ª C. Seu nome significa “abraço” e pela fé em Deus ele abraçou escolhas corretas,  afagou o Criador que conservou em firmeza seus passos, quando tudo ao seu redor tinha cheiro de morte. Habacuque, presenciou uma seca terrível e ao contemplar as dores do seu tempo declarou:

“Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas e nos currais não haja vacas. Todavia, eu me alegrarei, no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. Jeová, o senhor, é a minha força, e fará os meus pés como os da cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas”. Hc 3:17,19.

A força e alegria de Habacuque em tempos de grande seca vinham de sua fé. O profeta dançou e rodopiou em meio aos campos devastados. A palavra “me alegrarei” no verso e no original hebraico é “Gil”: bailar de alegria, saltar em canto. Eis a lição de superação retirada dos piores dias, que deixam de ser piores quando há fé na justiça e direção de Deus. Habacuque, não era um super-homem (eles não existem) era um de nós.

Um outro profeta chamado Jeremias, presenciou seu povo ser levado cativo para a Babilônia. Mortos e feridos, choro e ranger de dentes; destruição. A estação era de seca e o céu era noite. Enquanto muitos de sua nação, amargavam em lamentos e  falta de perspectivas , Jeremias tinha outra visão. Ele enxergava com os olhos da fé e via restauração : Inverno e primavera:

“Ó Senhor, fortaleza minha, e força minha, refúgio meu no dia da angústia!” Jr 16:19. Força, do hebraico oz, verbo azaz : ser firme e constante. Quem vive pela fé no Deus vivo e no Cristo ressuscitado é firme e constante, mesmo que o mundo desabe ao seu redor. Jeremias, como bom observador que era da natureza, deixou registrado para a eternidade os frutos de sua fé, de seu relacionamento com Deus, ao que comparou:

“Bendito o varão que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. Porque ele será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas sua folha fica verde; e no ano da sequidão, não se afadiga, nem deixa de dar fruto” Jr 17:7,8.




A reação humana diante das adversidades pode ser ainda superior ao comportamento das árvores e tudo mais nas estações propriamente ditas. Qual a árvore que fica verdinha e cheia de vida em tempo de intenso inverno? Somente as que estão plantadas junto a ribeiros de água. A vegetação próxima as cataratas do Niágara são vistosas permanentemente porque suas raízes são bem alimentadas e a terra regada diariamente pela abundância de água cristalina. Assim é o homem que se refugia no Senhor: Tem vida em meio a morte.


Esse artigo nasceu da necessidade de compartilhar esses “segredos das estações” que estão reservados aos que vivem pela fé em Jesus. Acredite, busque ao Senhor com todo o coração, como as raízes das árvores plantadas junto aos ribeiros de água que se estendem a longas distâncias e não temem o intenso calor.

A Tenda Na Rocha

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Ai Que Saudades!


Wilma Rejane

Saudade é um sentimento comum em nossas vidas. Quem algum dia, nunca sentiu saudade?  Cientistas relacionam o fato ao cérebro, por ser ele capaz de imprimir imagens familiares, sons, cheiros... Tudo isto é reunido em uma espécie de “caderno mental”. Estas informações circulam em nossa mente, provocando sensações que chamamos de saudade que é biológica e também emocional. Acontece quando estamos distantes de casa, de pessoas que amamos, quando por algum motivo apenas nos é permitido recordar.

Distante de casa, na  Babilônia, um exilado, entoou  saudoso Salmo em memória de Sião.

"Junto dos rios de Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião. Sobre os salgueiros que há no meio dela penduramos nossas harpas. Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediram uma canção; e os que nos destruíram , que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião. Como cantaremos a canção do Senhor em terra estranha? Se eu me esquecer de ti ó Jerusalém, esqueça-se a minha direita da sua destreza." Sl 137:1-5.

O imigrante não tinha forças sequer para cantar, tamanha era a tristeza provocada pela saudade. As lembranças de Sião estavam “circulando” em sua memória.   Perdi meu pai há oito anos, mas todas as vezes que sinto o cheiro de sua comida preferida, ou vejo minha mãe preparando-a, fico pensativa a lembrar-me de sua alegria e disposição em sentar-se a mesa. Sinto falta de sua presença conosco também nestes momentos.

Nenhuma ciência ainda foi capaz de medir nossas emoções, mas Deus em sua eterna sabedoria nos dotou de vínculos e laços de amor que perduram uma vida, e mesmo quando chega à morte. É quando percebemos intensamente o significado que pessoas têm para nós. É quando chega um tipo de saudade que não pode ser saciada, deixando marcas que somente o tempo é capaz de amenizar.

Chorar de Saudade

E mais uma vez no relato bíblico, Davi nos dá uma demonstração da dor da saudade: “Absalão fugiu, e foi para Gesur; e ali esteve por três anos. Então tinha o rei Davi, saudades de Absalão. E Davi pranteava por seu filho todos aqueles dias” II Sm 13:37-39. Por três anos, o homem segundo o coração de Deus chorou a distância do filho.

Um recente artigo, divulgado pelo jornal CNN aponta que as universidades americanas estão lotadas de jovens saudosos de suas casas e de tudo o mais que deixaram para trás, ao partirem ao encontro do sonho de concluir os estudos e terem uma carreira estável. Os entrevistados descreveram com detalhes as lembranças que circulavam em suas memórias:






Keila Pena - Hernandez : “Lagos ou rios do centro oeste, não se comparam com o mar do caribe, tenho saudades das frutas tropicais e da brisa fresca do mar”. A estudante estava tal qual o exilado na Babilônia, desejando sua terra. Acima Keila na Universidade de Missouri, a família ficou em Porto Rico.


Curando a dor da Saudade


A Palavra de Deus é um alto refúgio em todos os tempos. Ela conforta, dá ânimo e restaura as forças. É através dessa fórmula que missionários e imigrantes cristãos, conseguem superar a dor da distância: “Orações aliviam meu coração dolorido, confio a Deus tudo o que está acontecendo comigo e com meu filho que está distante de mim” Homesik (imigrante).A exemplo de Homesik costumo entregar todos os cuidados a Deus, e   de maneira sobrenatural, Ele envia o refrigério. Imagem à esquerda: Imigrantes reunidos em estudo da Bíblia para superar saudades de casa.


Saudade na Era do Twitter

Vivemos em um mundo repleto de novas tecnologias e é possível uma comunicação rápida e eficaz com todas as partes do globo terrestre. Estes recursos têm possibilitado que familiares curem (em parte) a dor da saudade.  Minha sogra tem 68 anos. Aprendeu  usar Orkut, email , Skype e webcam para se comunicar com filhos e netos que moram em outro estado. É possível vê-la dando boas risadas  nessa interatividade virtual. E pensar que o Rei Davi chorou por três anos a distância de seu filho...

Saudade em Verso

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: aquela que nunca amou. 
E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda         

Ao sentir apertar a dor da saudade, lembre-se: você não está sozinho. Neste exato momento em  algum lugar, ou em muitos lugares do planeta, lembranças estão circulando no memória de quem ama.  Mas como tudo na vida, essa dor há de passar.

Deus te abençoe.

Fontes:
Biblia Sagrada
suite101
cnn

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Uma Líder Na Reforma Protestante - Katharina Von Bora





Wilma Rejane

"Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher", diz o ditado. Sou admiradora de Martinho Lutero, líder da reforma protestante, mas pouco se fala de sua esposa. Tive, portanto a curiosidade de pesquisar sobre ela, a mulher que fez Lutero desistir da batina e formar uma família. É bem verdade, Lutero já não concordava com muitos preceitos do catolicismo, inclusive o celibato.

Lutero escreveu em um de seus artigos: "Quando Deus fez o homem e a mulher, Ele abençoou e lhes disse: "Crescei e multiplicai-vos.  Essa passagem nos da a certeza de que o homem e a mulher têm o dever e a obrigação de se unir para se multiplicar".


Katharina Von Bora


Nasceu em 29 de Janeiro de 1499, na Alemanha. Com apenas 5 anos de idade foi estudar em regime de internato, em convento católico, onde permaneceu até 1523.  Ela foi educada por um professor e aprendeu latim numa época em que as mulheres não conseguiam ler nem mesmo a própria língua. Katharina fugiu do convento com mais 11 freiras. Ela e as demais ouviram falar do Ensino Bíblico de Lutero, consideraram seus princípios e quiseram deixar o convento. Um comerciante ajudou na fuga.Pois é, Katharina Von Bora, foi embora do convento para sempre!

Casou com Lutero dois anos após a sua fuga, em 1525. Consta-se que ela era uma ótima gerente familiar. Apesar dos fundos limitados e um grande número de hóspedes, plantou legumes e comprou uma fazenda com criação de bovinos, frangos e cerveja fabricada.







O casal teve seis filhos e ainda adotou mais quatro. A família,era considerada modelo na Alemanha. Lutero chamava sua esposa de "estrela da manhã de Wittinberg". Katie viveu por mais seis anos após a morte do esposo em 1546.

Katarina abriu as portas da sua casa para que monges, freiras, padres que escancaravam seus corações pra verdade de Deus e se tornavam adeptos da Reforma se refugiassem, mesmo sabendo que estavam entrando num tempo de perseguição e isso pudesse resultar numa invasão ao seu lar. Existiram vezes, que 25 pessoas moravam em sua casa, sem contar ela, Lutero, as crianças e os  órfãos  de quem cuidavam!

Lutero nunca se negava a ajudar um necessitado. Sempre oferecia dinheiro a quem precisava e logo logo, acabou com as lindas porcelanas que Katarina ganhou de presente de casamento, vendendo-as para conseguir dinheiro e abençoar aqueles que lutavam pela causa da graça de Cristo! 

Katy cuidou de Hans Lutero, seu primeiro filho, ao mesmo tempo em que seu esposo passava por uma terrível depressão. Ela se sentava ao seu lado e lia a Bíblia pra ele edificando seu coração. Conciliou as tarefas da casa, de hospedagem, mãe, esposa com a árdua tarefa de ajudar Lutero na tradução das escrituras para o alemão. Ouvia os desabafos de Martinho e sabia que cada vez que ele saia para pregar podia não o ver voltar, pois quanto mais pregava, mais inimigos Lutero ganhava. Expandir o Reino e as verdades bíblicas significava para Katarina poder ficar viúva. Mas ela sempre o encorajava: “Deus cuidará de nós. Não tema! Pregue!”.

Ela era admirável. Sua postura permitia Lutero pregar livremente e arriscar sua vida pela Verdade! Katarina não escreveu nenhum livro nem pregou nenhum sermão, mas sua inestimável ajuda possibilitou que o marido fizesse isso. Ela foi um grande apoio pra ele. Como Lutero mesmo disse a um amigo: “Minha querida Katy me mantém jovem e em boa forma também (risos). Sem ela eu ficaria totalmente perdido. Ela aceita bem minhas viagens e, quando volto, está sempre me esperando. Cuida de mim nas depressões. Suporta meus acessos de cólera. Ela me ajuda em meu trabalho e, acima de tudo ama a Jesus. Depois de Jesus, ela é o melhor presente que Deus em deu em toda a vida... Se um dia escreverem a história da Reforma da Igreja espero que o nome dela apareça junto ao meu e oro por isso.”.


Bem, Lutero ficaria decepcionado ao saber que o nome da esposa nunca é citado quando o assunto é Reforma da Igreja, mas aos mais sensatos nunca ficará esquecido o ditado reformado: " Ao lado de um grande homem, há sempre uma grande mulher" por isso, Katarina Van Bora marcou presença na história.


domingo, 21 de agosto de 2011

É Tempo de Esperança!



Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo” I Rs 19:7


Wilma Rejane
A Tenda Na Rocha

Não é o fim do caminho, ainda que você esteja olhando para todos os lados sem enxergar o chão,mas um abismo bem a frente, sem forças e sem ânimo. O natural nessas horas é entregar-se as circunstâncias tornando-se derrotado; o sobrenatural é olhar para o alto e perceber que não está só, é dar meia volta nesse penhasco e considerar o recomeço. Não é trilhar um caminho de volta, é caminhar sobre um novo fundamento que Deus colocou ali especialmente para você.

O profeta Elias estava em uma situação difícil, chegou a pedir a morte, Deus porém lhe diz: “Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo” I Rs 19:7. Quero te animar a perceber o caos com os olhos criadores do Pai. No começo a terra “era sem forma e vazia” Gn 1:2 e isso bastou para que Ele formasse o Paraíso. Elias estava tão deprimido que o horizonte sobre ele era uma negra cortina, mas Deus diz: “Não é o fim, você precisa reagir, se fortalecer e prosseguir porque tens muita vida pela frente.”

É estranho que seja necessário chegarmos ao extremo da tristeza para descobrirmos quem somos e o quanto Deus nos ama. É maravilhoso saber que as revelações sobre Deus se apresentam para o homem, quando este se reduz a total dependência, reconhecendo sua fraqueza e sua origem. É exatamente quando não se tem força alguma que surge a Verdadeira fonte de sustentação. É quando colocamos nossa confiança no Senhor que Ele estabelece conosco um relacionamento ímpar, fazendo-nos compreender o sentido de todas as coisas.

Não é o fim para os que amam, porque através do amor é possível encontrar felicidade no que aparentemente não tem motivo para assim ser. Quem poderia imaginar que no sofrimento da Cruz, do Cristo humilhado, ferido e injustiçado estaria a Redenção da humanidade? Quais foram os olhos que viram na fragilidade do Jesus ferido e ensanguentado a minha e a sua salvação? :” Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem escondiam o rosto não fizemos caso algum, mas Ele levou sobre si nossas dores e enfermidades...” Is 53 3,4.

Não faço ode ao sofrimento, mas a superação deste, a redenção, aleluia! Quero te animar a acreditar em Deus com todas as suas forças, ainda que pense que sua força seja pequena, mas ao entregarmo-nos a Deus, através de Cristo Jesus, somos alimentados. Se faz real em nós a mesma ordem dada a Elias: “Levanta, come e anda porque o caminho é longo”. E esse caminho já não será o mesmo, ainda que enfrentemos as mesmas adversidades, Ele está conosco e isso é tudo. E ai quando se acha que é o fim é apenas o começo. Jesus ressuscitou! E foi quando a morte achou que tinha vencido que foi vencida! “tragada foi a morte da vitória! Onde está, ó morte o teu aguilhão? Onde está, ó inferno a tua vitória? “ I Cor 15:54:55.

Acredite, Deus tem algo novo para os que se entregam ao arrependimento, com coração sem reservas e quebrantamento de ser. Qualquer que seja a circunstância Ele transforma.

Deus o abençoe.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O Dia Das Pequenas Coisas




Wilma Rejane
A Tenda Na Rocha


Essa fotografia retrata o Japão após terremoto. São bombeiros e uma civil recolhendo roupas  em meio aos escombros. Guardei-a em meus arquivos para que ficasse bem nítida em meu coração a mensagem que ela me transmitiu: o valor das pequenas coisas. Temos o triste hábito de esquecer rápido as bênçãos, ou mesmo nem percebê-las e dar proporção gigantesca as derrotas.  Aconteceu com os Israelitas quando peregrinaram no deserto, com os discípulos que auxiliaram Jesus em Seu ministério, acontece comigo e com você. Não costumamos agradecer a Deus pelas nossas unhas dos pés (como?) saudáveis, até que uma delas fique encravada e a dor nos incomode a tal ponto de não conseguirmos desfrutar do simples gesto de calçar um sapato fechado.

A imagem me diz que roupas esquecidas em algum lugar do armário têm valor inestimável quando tudo o mais fora arrastado pela água ou soterrado. Aprendo que devo me alegrar até mesmo pelo que é impercebível, pelo desprezível. Que graça teria a vida, sem o conhecimento da dor da morte? O encontro, sem o sofrer da despedida? Não anseio pelo lado obscuro da vida, mas sem ele, sequer perceberia o surgir da luz, da adorável Luz que adentra na escuridão do túnel nos resgatando da solidão e morte.

Em alegoria pergunto: quantas roupas temos esquecidas em nosso armário? Será preciso uma catástrofe para que percebamos o valor que elas têm? 

No dia em que Jesus realizou o milagre da multiplicação dos pães e peixes, algo surpreendente aconteceu nos bastidores: o discípulo André olha para a multidão de mais de cinco mil homens e diz: “temos aqui cinco pães de cevada e dois peixinhos, mas o que é isso para tantos?” Jo 6:9 Até hoje, não consegui entender porque André fez essa confissão- que deve até ter arrancado o sorriso sarcástico de alguns - se não acreditava que Jesus pudesse pegar “as roupas esquecidas no armário” e resolver o problema da fome naquele lugar.

Seu colega Felipe já havia demonstrado ser mais pessimista (e incrédulo), em relação à fome da multidão: “duzentos dinheiro de pães não lhes bastarão, para que cada um deles coma um pouco” Jo 6:7. Felipe definitivamente não percebeu “as roupas esquecidas no armário”, as pequenas coisas ao seu redor. Para resolver um problemão, só mesmo somas astronômicas! Daí vem Jesus, pega o desprezível e transforma em necessário e o milagre acontece. Aprendo mais uma vez que não devo desprezar o pouco, o pequeno, o insignificante. Ele pode me ser necessário.

Alguns de meus alunos têm o triste hábito de resmungar: “Ah professora, só vale um ponto? Não dá pra aumentar”? Sempre respondo: Some um, mais um, mais um,.. é assim que conseguiremos chegar a dez.

E ainda sobre o milagre dos pães, quando todos já estavam saciados, Jesus fala: “Recolham os pedaços que sobejaram para que nada se perca” Jo 6:12. Vejo a mulher da imagem que ilustra esse artigo, recolhendo as migalhas do que restou, do que lhe faltou.

Em todo o cenário da foto que guardei, o bem mais precioso, é claro, não são as roupas que a senhora carrega, mas as vidas que estão de pé, em meio a tanta coisa que virou pó. Aprendo que viver é motivo de muita felicidade, mesmo em meio as mais duras adversidades. “Porque quem despreza o dia das coisas pequenas?” Zc 4:1. Que possamos nos alegrar todos os dias, com a beleza que brota das  "pequeninas"  e necessárias coisas que Deus nos concedeu.

Em Cristo.

domingo, 17 de julho de 2011

Afligidos, às vezes... Mas nunca destruídos!

“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.

Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” - 2ª Coríntios 4: 8, 9.




E.A.G.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Vencendo a Ansiedade Com Ajuda de Jesus



Manter-se tranqüilo diante das adversidades é um desafio para todos os homens. Lembro-me das tantas vezes em que estive ansiosa, preocupada, com situações que se resolveram posteriormente na mais perfeita paz. Sofri a toa. Poderia ter escolhido confiar e permanecer em repouso, como um belo pardal saltitando no telhado, entoando um cântico de louvor ao céu. Jesus disse que nenhum desses pequeninos pássaros está distante de seus olhos. Ele tem a conta de cada um. Por que não teria de mim?

Foi quando me preparava para ministrar uma aula sobre o capitulo seis de Mateus (cuidados e inquietações) que recebi de Deus a instrução: “Ansiedade é pecado”. Que descoberta! Não tinha esse item em minha lista de pecados. Mas foi só observar atentamente os versículos para constatar que eu era uma pecadora em potencial, precisava imediatamente me corrigir. Pequenas coisas costumavam tirar meu sossego. Se eu queria tanto agradar a Deus e ser ouvida de forma eficaz em minha caminhada com Cristo, algo tinha que ser feito.

 “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. Por isso, vos digo: Não andeis cuidadosos quanto a vossa vida...” Mt 6:24, 25.

Mamon é um sinônimo de “deus do dinheiro”, também indica um sistema de materialismo. Esse verso é bem conhecido e citado individualmente para designar idolatria. Mas ao prosseguir na leitura, Jesus complementa: “Por isso, não andeis cuidadosos”. Ou seja: “Por este motivo, por esta causa, não andeis cuidadosos quanto a vossa vida”. A ansiedade é uma conseqüência do abandono de Deus. Ela acontece quando supervalorizamos o material em detrimento do espiritual.

A tradução para “andeis cuidadosos” é “merimnao” de “merizo”, que quer dizer “dividir em partes”. A palavra sugere uma distração, uma preocupação. Ao ficar ansioso, eu divido minha mente, minha força, minha adoração com outros que não Deus Único e Verdadeiro. Ao dividir a mente, entrego a vida na mão de “outros senhores”. Uma desobediência, um agravo ao senhorio de Cristo. Porque, se Ele reina em mim, devo ser absolutamente Dele. Se Ele me satisfaz, não há necessidade de estar insatisfeita. Se Ele é tudo para mim, por que vivo como se me faltasse paz?

Alguém diria: Impossível não ficar ansioso! Também já pensei e agi dessa forma, carregando um pesado fardo de coisas que julgava serem pedras, quando não passavam de penas. Mas também, já carreguei pedras que não caberiam em um fardo. Seria necessário um guindaste para removê-las. Graças a Deus e por sua eterna misericórdia, aprendi que não preciso agir como se estivesse sozinha no mundo. Jesus é o que nos dá descanso, e fortalece. Nele é possível encontrar calmaria em meio à tempestade.

É só olhar para Cristo. Em Seu ministério terreno, teve todos os motivos do mundo para estar ansioso e não esteve: Perseguido, caluniado, com a missão de resgatar a humanidade, tendo conhecimento de sua morte e ainda assim, nunca, jamais perdeu a fé e a tranqüilidade. Retirava-se para os montes em longas horas de oração. Poucas horas antes de ser capturado pelo exército romano, Jesus retira-se para o jardim Getsêmani na companhia de seus discípulos e diz para eles: “Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar” Mt 26:36.

Ele nos dá a mais preciosa receita contra a ansiedade: “Vou orar”. Na oração, Jesus encontrou refúgio e força para os dias de angustia Ele passava horas em conversa com o Pai. Nada, absolutamente nada, foi capaz de fazer com que Jesus ficase ansioso. Bem, é verdade que Ele ficou um pouco furioso com uns mercadores no templo e derrubou mercadorias com uma espécie de cordão. Mas isso não constitui ansiedade. Porque esse sentimento maquina a respeito de "impossibilidades" ou de abundantes possibilidades. A atitude de Jesus tem a ver com justiça, pleno dominio de si. Certeza da vontade de Deus. Um servo inteiramente sob o dominio do Senhor.

E por ter vencido todas as imposições do materialismo é que Jesus se oferece como solução para ajudar aqueles que não conseguem se livrar dos fardos, da ansiedade. Ele venceu, até mesmo a morte. O mais angustiante sentimento existente no Universo. Dor para quem vai e para quem fica. Ele venceu e ressurgiu para glória do Deus Pai, e abrigo para os perdidos. Ele mesmo é quem diz: "Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas" Mt 11:28,29.

Não precisamos estar ansiosos. Esse mal tem remédio. Não é um paleativo apenas, é um bálsamo diário para todas as situações. Entremos no jardim do Getsêmani. Oremos sem reservas. Confiando toda nossa mente a Deus. Sem dividir com nada, nem ninguém. Lembram-se do que Jesus falou a Marta? "Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas mas uma só é necessária. Precisas imitar Maria, que escolheu a boa parte" Lc 10:41,42. Enquanto a mente e a presença de Marta se dividia entre a sala, cozinha e outras partes da casa, Maria repousava aos pés de Jesus. Marta correndo afadigada e Maria ouvindo o Mestre, confessando seus medos, aprendendo, sendo edificada, recebendo refrigério.

Marta ansiosa, ainda perguntou; "mestre, não te importas comigo"? A ansiedade sempre procura um culpado. Ela se move na direção dos problemas, não das soluções. O ansioso considera que pensar demais no problema lhe trará a solução. Mas não. Isso só faz com que moinhos de vento se transformem em monstos. Você conhece essa lição contida na obra de Miguel de Cervantes? A fim de proteger a donzela por quem estava apaixonado, Dom Quixote se atira em um moinho de vento, acreditando tratar-se de um monstro de garras destruidoras.

Assim acontece conosco. transformamos moinhos de vento, em monstros e sofremos desesperadamente tentando destruí-los . Deus olha para nós e diz: "Filho, não temas, olha para mim, tenho o controle do moinho, sei a direção do vento, descansa". Em silêncioso clamor respondo: " Preenche-me Senhor, fortalece-me e guarda-me de servir a Mamon".


Sobre o grego: Biblia de Estudo Plenitude.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Como tomar decisões


André Filipe, Aefe!

Há 2 perguntas na Bíblia que expressam a angústia de dois jovens. As duas são grandes perguntas. O primeiro jovem pergunta sobre o que ele deveria fazer para alcançar a vida eterna (Mc.10.17). É uma boa pergunta, pois aponta que o jovem almeja a vida eterna, isto é, a eternidade em comunhão com Deus. Quantos de nós deixamos de querer alcançá-la? Quantos não estão diante de Deus perguntando: como alcançar um(a) namorado (a)? Qual curso profissional escolher? Como ganhar muito dinheiro? O que fazer para viver de maneira confortável? Que fazer para ser reconhecido? Que fazer para ser amado? Parece-me que não são muitos que estão buscando uma comunhão eterna com Deus.
Este primeiro jovem estava perguntando sobre qual caminho tomar. Mas há uma segunda pergunta que eu considero a mais incrível de todas, na Escritura. Quem faz a pergunta é o compositor do Salmo 119, no versículo 9. Ele interroga sobre como guardar puro o caminho.
A pergunta dele não era sobre direção, mas sobre “modo de fazer” e a sua preocupação não era algo a ganhar (a vida eterna), mas fazer o presenteador feliz. O maior valor para este jovem não era a sua própria felicidade, mas se apresentar diante de Deus de modo agradável.

A resposta.

As duas perguntas possuem uma única resposta. Jesus dirige o primeiro jovem para seguir a lei, e o salmista responde ao jovem para que guarde a Palavra (a lei) no coração. Deste modo, o salmo 119 nos apresenta duas dimensões bíblicas a respeito da vida: a dimensão do caminho, da direção, horizontal; e a dimensão do coração, do interior, vertical. “Como tomar uma decisão?”, é da dimensão do caminho, mas a resposta deve ser buscada na dimensão do coração.
Qualquer decisão, qualquer direção, deve ser colocada à luz da Palavra de Deus: qual delas está no caminho da vida eterna? Qual delas é pura diante de Deus?
Além do mais, não podemos fugir de duas outras dificuldades. A primeira é que, após encontrar o caminho correto, como seguir o caminho correto. Saber é diferente de seguir. O próprio salmista, no versículo 5, exclama a dificuldade de firmar os passos na vontade de Deus, e o”jovem rico”, da primeira pergunta, sabia o que fazer, mas desistiu de tentar, porque saber é diferente de seguir. Para seguir o caminho, precisamos rogar a Deus que, através do sangue de Cristo e do espírito de Deus, purifique nosso coração, dia a dia.
A segunda dificuldade é tomar uma decisão entre duas ou três possibilidades viáveis, puras, no caminho, e encontrar, entre elas “a vontade de Deus para minha vida”. Penso que, ao rogar a Deus que purifique o seu coração, ao avaliar fielmente suas opções e ficar com aquelas agradáveis a Deus, deixe de lado a ansiedade e siga corajosa e confiantemente os seus sentidos (o seu coração restaurado), pois quando o coração é puro, ou a direção é correta, ou Deus a endireita, e quando o coração não é puro, simplesmente todas as direções levam para o abismo.

domingo, 11 de outubro de 2009

O amor entre homem e mulher

O amor entre um homem e uma mulher no grego é eros. Infelizmente no português utilizamos amor para designar todos os tipos de amor, como o amor por objetos, por animais, por pessoas, tanto de forma fraternal, conjugal, sexual, quanto por Deus, por programas de TV, como se fosse exatamente a mesma coisa.

Essa palavra eros não significa necessariamente o amor sensual que se concretiza de forma sexual. Na verdade esse tipo de amor sensual é o amor eros-vênus que dentro do casamento heterossexual apenas é pecado se praticado de forma isolada, com outra pessoa (fora do casamento, ou apenas no pensamento) ou de forma que submeta a pessoa a um sentimento ruim de opressão ou violência.

Mas o eros, que até agora não expliquei é muito bonito. Já senti esse tipo de amor e vou sentir várias vezes. E acredito que esse amor é tão importante que pretendo guarda-lo o máximo que conseguir para uma só pessoa. E não fico triste por isso, na verdade o sentimento é que cada vez mais estou mais próximo de concretizar isso.

Torno a lembrar que não estou falando de sexo, estou falando de amor. Esse amor eros todavia é pequeno perto do amor que Deus tem pela humanidade, por todos, por mim. Esse amor que Ele tem é eterno, é forte, é paciente, é uma beleza de amor. Não se mede, porque é grande demais para ser medido. O eterno não possui começo ou fim. O eterno é eterno.

Assim, à medida que espero vou aprendendo a transformar meu simples e pobre amor eros, no amor de Deus (ágape) que é um amor bem melhor que isso que sinto. Assim, à medida que me entrego ao amor de Deus, Ele cuida de todas as minhas necessidades, Ele prepara a pessoa que só Ele tem guardado para mim. Existe coisa melhor que isso?


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Oséias 6.3 - conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor!

Belverede_2009. Photobucket

Estação de trem Pirituba - São Paulo / SP

A vida neste mundo é passageira. Estamos aqui de passagem. A nossa morada verdadeira é lá no céu.

Cresci ouvindo o pastor da minha igreja dizendo estas frases em suas pregações, ficaram incutidas em minha mente até hoje. E elas são verdadeiras. A Bíblia está repleta de versículos que as corroboram.

No entanto, é triste ver que alguns crentes em Jesus se esquecem dessas verdades, e passam a amar esta vida. Como dói constatar que alguns desfazem as malas de viagem - da viagem para o céu!

Na segunda carta de Paulo para Timóteo temos o retrato do fim da longa viagem do apóstolo.

Paulo teve diversos amigos fraternos, mas entre eles haviam também os pseudos-amigos. Em nossa jornada não é diferente. Alguns, são como Demas, eles abandonam a obra e até os irmãos justamente no momento em que mais se precisa de sua ajuda. Outros, como Alexandre, parecem seguir em viagem conosco, porém, negam apoio e fazem grande oposição, tiram a paz da irmandade. Para estes dois tipos de gentes haverá a justa paga da justiça divina (4.6-18).


A lida é cansativa e estressante. As lutas tendem a nos fazer pensar em desanimar. Às vezes os nossos olhos naturais não enxergam os resultados esperados. A notícia de bênção demora a chegar. Mas, precisamos continuar a viagem. Deus está à bordo nos acompanhando, como estava no barco dos discípulos ao atravessarem o mar da Galiléia e de Paulo quando seguia para Roma (Mateus 8.24; Atos 27.18).

Não podemos parar, não devemos olhar para trás. Prossigamos na carreira que está proposta por Deus, fazendo a vontade dEle em tempo e em fora de tempo. Um dia chegaremos ao final dessa jornada e experienciaremos o momento em que receberemos a recompensa, o refrigério e o descanso nos braços do Pai. Será assim com todos que perseverarem até a última estação, até o porto seguro!

Não revidemos traições com a fúria, não paguemos maldades com maldades. O cristão verdadeiro entrega os maus nas mãos do Senhor sem desejar que eles se percam na eternidade, mas venham a se arrepender e embarcar na mesma viagem.

Vamos em frente, conhecendo a cada dia mais ao Senhor. Lendo e meditando na Palavra de Deus crescemos na fé, colocando-a em prática em nosso viver seguimos a viagem ao destino certo, pois ela é nossa única regra de fé e conduta cristã.

E.A.G.

Texto postado originalmente no blog Belverede