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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O Amor que nos salva





Wilma Rejane
A Tenda na Rocha


Uma passagem Bíblica no livro de Gênesis me chamou a atenção. É sobre José. Lendo-a pude perceber porque ele era tão especial e teve um papel relevante na história do povo judeu. Um gesto de José na prisão, muito me falou sobre sua personalidade(pequenas coisas quase sempre significam muito).

Imaginei a cena como se estivesse lá, embora lá (na prisão) não fosse um bom lugar para se estar. "E veio José a eles pela manhã, e olhou para eles, e viu que estavam perturbados. Então perguntou aos oficiais de Faraó, que com ele estavam no cárcere da casa de seu senhor dizendo: Por que estão tristes o vosso semblante?"(Gn 40:6,7)

José percebia o estado sentimental das pessoas, coisa rara em nossos dias. Julgo o individualismo a característica mais marcante da sociedade atual. Muitas pessoas passam por nossas vidas diariamente e muitas se vão sem que percebamos como estão, quem são e o que poderíamos fazer por elas.

Jesus também agia como José. Ele parou em um lugar que os judeus geralmente não parariam e falou com uma samaritana, a quem seus compatriotas ignorariam. Faminto e com sede, Jesus quis primeiro saciá-la: "Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz : dá-me de beber, tu lhe pedirias, e Ele te daria água viva." Em pouco tempo de conversa a samaritana foi curada.



Porque não paramos para perceber os sentimentos e curar vidas? Estamos tão preocupados com nós mesmos que esquecemos do outro. Achamos que precisamos ser curados primeiro para depois curar o outro, porém nunca estamos curados totalmente. Jesus curou toda a humanidade quando esteve em sua maior dor. Ele libertou à todos quando esteve preso pelos pés, pelas mãos,todo o seu corpo doía, seu espírito clamava pelo Pai. Foi ai que consolou as multidões .

Que cada vez mais possamos nos deparar com pessoas parecidas com José e Cristo , ou melhor, que possamos ser pessoas como eles.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

"Deus" mandou matar!




A Idade Média, chamada também de Idade das Trevas pelos historiadores, foi profundamente manchada de sangue com a Santa Inquisição, realizada em nome do "Deus" dos "Cristãos". Milhões foram torturados, queimados vivos e mortos por aqueles que julgavam prestar serviço a Deus com tais práticas.

Embora a Bíblia contenha a Palavra de Deus revelada ao homem, ela pode se tornar a antítese dela mesma se o texto for lido sem o filtro da Graça e da Lei do Amor. O Evangelho não é a letra impressa, a língua ou tradução usada, mas sim a mensagem transmitida muitas vezes sem papel e sem tinta. O Verbo se fez carne e habitou entre nós!

As boas novas produzem verdade, autoconhecimento, libertação e vida. Do contrário, ainda que se use as Escrituras Sagradas para justificar a maldade, e muitos a usam para tal, de fato, não poderá ser chamada de Evangelho, de Palavra de Deus. Mesmo que o nome de Jesus seja utilizado e em nome dele se pregue a palavra distorcida, com acréscimos ou com engano, tal palavra jamais será a Palavra. Este falso Jesus jamais será o verdadeiro Deus e a vida Eterna. O verdadeiro Jesus se faz presente quando o Reino de Paz, Justiça e Alegria no Espírito de Deus é pregado com e na verdade por grandes e pequenos.

Uma vez alguém me escreveu dizendo que eu deveria colocar as referências e versículos bíblicos que embasam as afirmações e os textos que escrevo. Descobri que existe gente viciada no texto bíblico tal qual ele está escrito/traduzido. Não conseguem identificar uma vírgula fora dele, qualquer relâmpago ou faísca da Revelação que está muito além do texto em si.

De modo algum estou desqualificando o texto bíblico, muito pelo contrário, ele é o parâmetro, é ele quem deve orientar e balizar o que cremos e falamos. Qualquer "revelação" fora do texto, que o contradiga ou não se sustente no contexto de toda a revelação bíblica, ou ainda, que não passe pela perspectiva da Graça de Deus deve ser abandonada. No entanto, existem os "doutores da lei", aqueles que conhecem e sabem citar de memória qualquer parte das Escrituras, mas não sabem enxergar nelas a Vida, a Justificação pela Fé, a Paz e Alegria que a mensagem de Deus ao homem pode gerar. Estes acreditam que Deus é o texto.

Quem acha que a Palavra foi totalmente sequestrada e amarrada pelo texto, jamais descobrirá a profundidade do que significa "Os céus proclamam a glória de Deus, o firmamento anuncia as obras de suas mãos. (...) Não há discurso nem palavras, não se ouve a sua voz. Mas por toda a Terra se faz ouvir a sua voz ".

Os viciados no Texto quase sempre se viciam também nas instituições, como se, fora delas, não houvesse possibilidade de Deus exercer misericórdia. Alguns chegam a confundir a instituição com o próprio Deus. Enchem os templos em busca de um Deus que, ironicamente, não habita em templos e catedrais feitos por mãos humanas. Enganam-se os que pensam que Deus é institucionalizável, contido por nomes, leis da física e tradições. Não creio em um Deus impessoal, em uma "força", mas eu creio no Deus que está muito além da nossa compreensão, maior até do que qualquer manifestação religiosa. Que, apesar de toda a sua incompreensível e inalcançável glória, se encarnou na história humana, se autorrevelou como Deus conosco, como o Deus que ama e vemos em Jesus. Não o Jesus do cristianismo, da instituição, mas o Jesus que tem o nome sobre todo nome, o Jesus anunciado pelos mudos e até por aqueles que não sabem o nome histórico/humano de Deus, mas sabem da vida que o indizível faz brotar em todos os que creem.

Aprenda a ler a vida (e a Palavra) com os olhos da Graça! Você descobrirá que o Eterno pode falar maravilhosa e profundamente através das coisas mais simples e naturais, até mesmo através de onde menos esperamos. O Evangelho, a Boa Notícia do amor de Deus pelo homem, está escrito não somente nas tábuas de pedra ou nas folhas de papel, mas também na arte, na música, no passeio em família, com amigos ou andando descalço na areia. O que Deus tem a dizer para você pode ser dito não somente pelos sacerdotes, igrejas ou profetas, mas através do sorriso das crianças e da dança alegre de viver a vida com a confiança inabalável e descansada no Nome e na Palavra.


O Deus da vida, que fala sem som e fora das religiões, te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!



Leia outros textos de Pablo Massolar
acessando o blog Ovelha Magra (ovelhamagra.com)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Palavras chave para a igreja de nossos dias - Parte I

Créditos da imagem: www.mensagensvirtuais.com.br

Perdão

Voltamos a este assunto muitas vezes ao longo de nossos textos, mas a cada dia sentimos que é imprescindível fazermos isto. Não apenas devemos buscar o perdão diante de Deus (I Jo 2:1), mas crer que todos os pecados foram apagados (Cl 2:14). Nesta última referência, o mestre William Barclay, nos ensina que havia duas palavras para cancelar ou riscar em grego. Uma era chiazen, que consistia em apor um X, a letra chi, sobre um documento. Até hoje adotamos uma prática semelhante, dando dois riscos cruzados, que parecem a mesma letra. A outra palavra é ecsaleiphen, e consiste em apagar um papiro ou pergaminho, utilizando a técnica do palimpsesto. Deus não apenas cancelou nossas dívidas, de modo que alguém pudesse vê-las, mas apagou totalmente.

Crentes há que vivem martirizados por pecados cometidos, e há irmãos que buscam martirizar outros pelo que fizeram outrora no mundo. Muitas vezes é o próprio Diabo que se especializa em aproveitar a fragilidade do cristão, atrofiando a fé de alguém. Não podemos deixar de arcar com as conseqüências de nossos erros, como, por exemplo, doenças decorrentes de vícios, mas fomos totalmente perdoados por Jesus, de todos os pecados (Mq 7:18,19) dos quais faz questão de não lembrar mais (Is 43:2).

Devemos também perdoar os nossos irmãos, em qualquer coisa que tenham feito e esquecer seus erros. É uma atitude difícil de ser tomada, pois somos egoístas, mas é um gesto bíblico ao qual Deus atenta sobremaneira. Muitos de nós não compreende passagens profundas como o perdão diante da oferta, que se torna rejeitada por Deus se insistirmos em fazê-lo com inimizade (Mt 5:23,24). Se Deus não aceita uma oferta de alguém que está intrigado com seu irmão, imagine receber tal pessoa no Céu? E olha que a recomendação foi para o caso de sabermos que alguém tem algo contra nós... Portanto, raízes de amargura semeadas pelo Inimigo e regadas por nós, tornam-se armas poderosas para desviar-nos das bênçãos de Deus (Hb 12:14,15), opondo irmãos entre si. Jesus afirmou, certa vez, que um reino dividido não pode prosperar (Lc 11:17).

A blogosfera, por vezes, manifesta este comportamento contraditório, aonde as pessoas classificam e denominam umas às outras, por um simples ponto de vista diferente. Infelizmente, aqui é um lugar aonde o ódio e a inimizade encontram um terreno fértil. Eles crescem diante da impessoalidade intríseca da web. Mas Deus não faz distinção entre real e virtual, especialmente no que tange à nossa espiritualidade.

É preciso compreender que o perdão traz consciência tranqüila diante de Deus e do próximo. E uma expectativa de vida saudável. Já há inúmeros estudos médicos comprovando que pessoas que cultivam ódio e inimizade afetam seu bem estar físico e emocional. A probabilidade de tais pessoas desenvolver quadros de infarto, depressão, hipertensão, transtorno obsessivo e/ou compulsivo, aumenta diante de tal comportamento.

Quem não gosta de mim por minhas posições sinta-se perdoado. E se alguém se sentiu ofendido por minhas colocações, sinceramente: Perdoe-me!

Bibliografia
Palavras Chave do Novo Testamento, William Barclay, 1985 - Edições Vida Nova

Publicado originalmente em Reflexões Sobre Quase Tudo!