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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

André Petry volta à carga


André Petry, militante ateísta, colunista de VEJA (ainda que isso não tenha nada a ver com a razão do post), defensor das novas causas afirmativas como a desefa do PL 122/2006, volta à carga na revista da edição 2098, de 04 de fevereiro de 2009. Conhecido aqui no blog, por sua jocosidade contra os evangélicos, veio celebrar os 200 anos de Darwin, com o seguinte comentário:
É inaceitável dar criacionismo em aula de biologia. Embrutece porque ensina o aluno, desde cedo, a confundir crença e superstição com razão e ciência. Não há problema em que o criacionismo seja dado nas aulas de religião, mas ensiná-lo em aulas de ciências é deseducador.
Conheço a Teoria da Evolução há duas dezenas de anos, me interesso pelo tema, leio o que posso, apesar de não ser cientista, sou evangélico, mas não me embruteci. É justamente o contrário, vejo o mistério da vida a esmagar minha pretensão de superioridade. Mas vamos acompanhá-lo, sempre "inovador":
Quem estuda religião precisa saber disso. É uma fábula encantadora, mas não é ciência.
Que novidade espetacular! Você, leitor, não sabia disso? Mas ele não se dá por rogado. Mais adiante crava:
Em biologia, vale o evolucionismo de Darwin, segundo o qual todos viemos de um ancestral comum, há bilhões de anos, e chegamos até aqui porque passamos no teste da seleção natural. É a melhor (e por acaso a mais bela) explicação que a ciência encontrou sobre a aventura humana na Terra.
Como todo bom ladrão de consciências o André não esclarece é que o que está sendo ensinado nas escolas confessionais é o Design Inteligente. Uma versão criacionista com dados científicos que fazem qualquer cientista sério corar. Na linha do livro de Norman Geisler, Não tenho fé suficiente para ser ateu. E não a leitura simplista do capítulo inicial do Gênesis, que aliás, embabasca os mesmos. O DI tem a vantagem de aprofundar o debate fazendo os cientistas ateus tomarem o mesmo veneno: a informação como arma de afirmação. Se perguntarmos ao Petry por que ele acredita nos bilhões de anos da criação, ele responderia que confia inteiramente na ciência. Mesmo quando ela refaz os cálculos e diminui ou acrescenta alguns milhões de anos aos cálculos. O que são alguns milhões de anos, se em um as maiores financeiras do mundo faliram?

Leia outra pérola de André:
Quem contrabandeia o criacionismo para as aulas de biologia diz que, em respeito à "liberdade de pensamento", está "mostrando os dois lados" aos alunos. Afinal, são escolas religiosas, confessionais, e os pais podem ter escolhido matricular seus filhos ali exatamente porque o criacionismo é visto como ciência. Pode ser, errar é livre, mas que embrutece não há dúvida.
E sentencia ao final:
Darwin foi um gênio. Em seu tempo, não se sabia como as características hereditárias eram transmitidas de pai para filho. Nem que a Terra tem 4,5 bilhões de anos e que os continentes flutuam sobre o magma. No entanto, a teoria da evolução se encaixa à perfeição nas descobertas da genética, da datação radioativa, da geologia moderna. Só um cérebro poderosamente equipado, conjugado com muito estudo, pode ir tão longe. Confundido com criacionismo, Darwin parece um macaco tolo. É assustador.
Eu poderia ficar aqui falando muitas coisas sobre o artigo, mas gostaria de fazer umas perguntas, que aliás serão enviadas à VEJA: Dado que o cálculo de seis mil anos para a idade da Terra foi fundamentado nos estudos criacionistas do judaísmo, por que ele não critica as escolas confessionais judaicas, que semelhantemente às evangélicas ensinam a visão bíblica da criação? Será porque o financiamento dos principais veículos de comunicação mundiais são judeus, e habilmente ele não quer "fechar a porta"? Se Darwin era tão bem selecionado naturalmente por que não sobreviveu à própria morte? O que precede à criação de uma célula: a informação ou o material?

Em tempo: a própria revista registra que as escolas adventistas estão entre as melhores nos rankings do MEC. E os cursos do Mackenzie estão entre os mais bem avaliados do País. Pelo visto se embrutecer tem suas vantagens.

Leia o artigo todo aqui.

Publicado em Reflexões Sobre Quase Tudo

terça-feira, 3 de junho de 2008

Retrato do estereótipo em VEJA

Coluna Gente da Revista VEJA, edição 2063, 04/06/2008: "Poucos brasileiros encarariam com tanta disposição quatro dias de viagem de barco pela Amazônia, dormindo na rede e cercado por 100 evangélicos que só liam a Bíblia, como fez o americano SETH KUGEL. Colaborador do caderno de turismo do The New York Times, ele escreveu sobre a experiência e voltou ao Brasil sete vezes..." e continua a coluna.

É assim que a grande mídia, que quer se parecer vanguardista enxerga os evangélicos brasileiros. Um bando de vidrados em mantras, repetindo versos da Bíblia, enquanto as pessoas estão dormindo em redes nas viagens pelo rio Amazonas, é a tortura para quem não sabe nadar ou pode viajar de avião. O que não dirá dos demais? Só liam a Bíblia, um livro atrasado? Deveriam ter lido VEJA, que é moderna, de vanguarda! Ou quem sabe Playboy, que é da mesma editora?

É aquela velha história, a imprensa olha para uma cidade miserável do Afeganistão e diz: Olhem, vejam só como são atrasados, são muçulmanos! Vivem no obscurantismo. Falam sobre Dubai, muçulmana, e dizem: Olhem, vejam que vanguarda, quantas edificações maravilhosas! As mulheres aqui são tradicionais, guardam os preceitos do Corão.

Os judeus são filmados balançando a cabeça repetidamente, no Muro das Lamentações por exemplo, enquanto memorizam ou recitam passagens da Torá (os cinco primeiros livros do Velho Testamento em Hebraico)? Aquilo é tradição religiosa, é o supra-sumo da religião judaica.

A revista deveria se prestar a informar seus leitores. Aqui em Igarassu/PE, tem umas senhoras carolas que passam na frente da Assembléia de Deus, na avenida que liga suas casas á Igreja Católica. Próximo á igreja evangélica, mudam de calçada, como se algum mal fôssemos lhes fazer. O que não ouço no dia-a-dia e sou obrigado a desfazer vocês não imaginam. São coisas absurdas que determinados líderes religiosos inescrupulosos propagam e a mídia endossa.

No fim das contas o problema se resume a dinheiro. São judeus que financiam a mídia. Quanto aos muçulmanos, quem é doido de falar mal deles, apenas mascaram o estereótipo? Conosco é diferente. É o povo que não é, somos milhões, mas a mídia solenemente nos ignora. Ah! Além da Bíblia eu leio VEJA, toda semana. Como a Bíblia é milhões de vezes mais importante do que a revista, leio-a todos os dias, a revista somente quando chega. Deveria ser diferente?

Publicado originalmente em http://daladier.blogspot.com - Reflexões Sobre Quase Tudo!