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sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Livro gratuito reúne 365 Citações de Martinho Lutero mais as 95 Teses - Baixe o seu

 

        Há poucos anos comemoramos nada menos que quinhentos anos de Reforma Protestante. Assim, redondos, perfeitos. Quinhentos anos depois, devemos ter e manter por mote capital o lema proposto pelo reformador holandês Gisbertus Voetius (1589-1676): “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (“A Igreja é reformada e está sempre se reformando”). A frase significa que a obra da Reforma não está concluída, mas persevera ou deve perseverar em seu avanço em direção à verdade e à vivência de um cristianismo a cada dia mais bíblico (há quem utilize o termo apostólico, perfeitamente válido) e equilibrado.

        Se a Reforma representou um retorno ou reaproximação à verdade, tal verdade deve ser comunicada com urgência e ímpeto; ímpeto maior do que o daqueles que comunicam o engano, cada vez maior, em cada vez mais variadas formas. Cremos que a Reforma é um movimento engendrado em Deus, peça de perfeito encaixe dentro de seu Kairós, seu tempo; movimento que aponta para conserto dos agentes e engajamento na ação, ou seja, reerguimento da Igreja e/para o cumprimento da Grande Comissão. Assim, a Reforma é um prenúncio da volta do Rei, e um movimento fundamental de seu glorioso retorno.

      No Brasil atual, as mais diversas instituições, sejam eclesiásticas, para-eclesiásticas ou seculares, realizam eventos e  publicações em celebração e memória à vida e obra de Lutero. Digno de nota são os esforços da Igreja de Confissão Luterana do Brasil, de cujo site coligimos mais de metade das frases aqui veiculadas, bem como o texto das 95 Teses.

      Este breve e-book, em sua humildade, simplicidade e gratuidade, vem somar-se ao volume de realizações em comemoração ao 503º aniversário da Reforma Protestante. E proporcionar a todos um singelo aprofundamento no pensamento daquele que, apoiado nos ombros de gigantes, verdadeiramente deflagrou a Reforma ensaiada por muitos, dos quais diversos pagaram a ousadia com sua própria vida.

Sammis Reachers, editor

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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Por uma nova Reforma

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Diante de tantos artigos sobre a Reforma Protestante, Seminários Temáticos e Comemorativos sobre a vida e obra dos reformadores (ou daqueles que emprestaram seus nomes aos livros de história para escrevê-la) não tenho a pretensão de dizer que este seja mais um texto que vá mudar radicalmente tudo o que você já conhece sobre os motivos da Grande Reforma.

Meu interesse, neste breve artigo, é que você passeie comigo no passado da Igreja para a gente poder entender um pouquinho o nosso presente e, quem sabe, arriscar um palpite para o futuro do protestantismo no Brasil e no mundo.

Existe muita literatura, até filmes sobre o assunto e mesmo uma rápida pesquisa na Internet poderá lhe dar mais subsídio sobre a rica história da Reforma Protestante, que tem seu marco histórico na manhã do dia 31 de outubro de 1517 quando Martinho Lutero afixou na porta da Catedral de Wittenberg, Alemanha, um pergaminho que continha noventa e cinco teses ou declarações, quase todas relacionadas com a venda de indulgências; porém em sua aplicação atacava a autoridade do papa e do sacerdócio.

Anotemos, então, algumas das forças que conduziram à Reforma e ajudaram o seu progresso. Uma delas foi, o movimento conhecido como Renascença, ou despertar da Europa para um novo interesse pela literatura, pelas artes e pela ciência.

A maioria dos estudiosos desse período eram homens destituídos de vida religiosa; até os próprios papas dessa época destacavam-se mais por sua cultura do que pela fé. No norte dos Alpes Suíços, na Alemanha, na Inglaterra, e na França o movimento possuía sentido religioso, despertando novo interesse pelas Escrituras, pelas línguas grega e hebraica, levando o povo a investigar os verdadeiros fundamentos da fé, independente dos dogmas de Roma.

A invenção da imprensa veio a ser um arauto e grande aliado da Reforma que se aproximava. A imprensa possibilitou o uso comum das Escrituras, e incentivou a tradução e a circulação da Bíblia em todos os idiomas da Europa. As pessoas que liam a Bíblia, prontamente se convenciam de que a igreja papal estava muito distanciada do ideal do Novo Testamento. Os novos ensinos dos Reformadores, logo que eram escritos, também eram rapidamente publicados em livros e folhetos, e circulavam aos milhões em toda a Europa.

O papa reinante, Leão X, em razão da necessidade de avultadas somas para terminar as obras do templo de S. Pedro em Roma, permitiu que um seu enviado, João Tetzel, percorresse a Alemanha vendendo bulas, assinadas pelo próprio papa, as quais, se dizia, possuíam a virtude de conceder perdão de todos os pecados, não só aos possuidores da bula, mas também aos parentes e amigos, mortos ou vivos, em cujo nome fossem compradas as bulas, sem necessidade de confissão, nem absolvição pelo sacerdote. Tetzel fazia esta afirmação ao povo: "Tão depressa o vosso dinheiro caia no cofre, a alma de vossos amigos subirá do purgatório ao céu." Lutero, por sua vez, começou a pregar contra Tetzel e sua campanha de venda de indulgências, denunciando como falso esse ensino. Daí por diante é fácil entender todo o processo que culminou no que chamamos de Reforma Protestante.

Permita-me, agora, fazer uma interrupção no contexto histórico da Reforma Protestante e, depois de haver lembrado um pouco da situação social e religiosa daquela época, apontar para o que vemos hoje no protestantismo brasileiro e mundial.

A não ser que eu esteja equivocado ou enxergando as coisas com olhos muito tendenciosos e até mesmo, por que não dizer? Preconceituosos. O que vejo hoje, quando ligo minha televisão em alguns programas “evangélicos”, é a clara tentativa de, novamente, em nome do ego dos novos “messias”, “apóstolos” e “missionários” dar preço à Graça de Deus para construírem seus suntuosos templos e sustentar sua própria imagem na mídia.

Eles não têm nada de novo a dizer, não desejam que o povo viva o verdadeiro Evangelho de Cristo, quando muito, que tenham até um certo acesso à Bíblia, mas sempre com a “visão” e, é claro, o filtro do “inspirado homem de Deus”, sem o qual qualquer outra luz lançada sobre o texto bíblico é chamada instantaneamente de heresia ou falta de fé, mesmo que para isso seja necessário abrir mão do bom senso.

Atualmente não chamamos de indulgências porque pegaria mal, mas chamamos de oferta de sacrifício. Eu oferto a Deus, algumas vezes o que não posso, e Ele me abençoa. Simples. Minha fidelidade está relacionada ao desprendimento que tenho do dinheiro e não necessariamente com uma vida de santidade bíblica e compromisso com Deus e com meu/minha irmão/irmã.

Só para me fazer entender melhor, não estou de modo algum desqualificando o momento da oferta em nossos cultos muito menos o princípio de fidelidade que ela representa. Ela é necessária sim. Com ela enviamos e sustentamos obreiros nos campos missionários, abrimos novas frentes de trabalho e evangelismo, ajudamos pessoas carentes. O reverendo John Wesley ensinava sua comunidade a ganhar o máximo de dinheiro que pudesse, economizar o quanto conseguisse e ofertar todo dinheiro que fosse capaz para ajudar aos pobres. Sim eu vejo tudo isto, mas o dinheiro não pode ser o centro de nossa teologia e liturgia, caso contrário faremos dele o fim e não o meio.

Uma das muitas coisas que aprendi, na Faculdade de Teologia, é o que meu professor sempre dizia: “através de mim e apesar de mim Deus continua a fazer sua obra.” Vejo muito joio na Igreja, mas também há trigo. Eu creio na soberania de Deus e no agir do Espírito Santo na vida de homens e mulheres que não se deixam seduzir pelas vaidades humanas e a tentação de escolher o caminho mais fácil ou mais cômodo de experimentar um evangelho que seja insípido ou mal iluminado, mas que seja moda.

Existe um clamor crescendo e aos poucos ganhando voz nos corredores da Igreja, desejando uma profunda e sincera revisão dos modismos e ventos de doutrinas que se espalham por toda a terra.

Eu continuo orando por um grande e genuíno avivamento, ou se você preferir, Reforma na Igreja, no Brasil e no mundo, mas a grande onda de “revivals” que tem acontecido em nossos dias, algumas vezes tem trazido consigo aberrações teológicas, não quero dizer que uma reforma litúrgica seja má em si mesma, pelo contrário, creio que da mesma forma que nossa sociedade e sua linguagem se modificam com o passar do tempo, temos que tornar a mensagem e a revelação do evangelho claros, inteligíveis e contextualizados. Mas alguns movimentos, em busca de um culto mais moderno acabam cedendo à tentação de percorrer caminhos muito próximos de um emocionalismo vazio, provocam experiências das mais diversas, que dão lugar à atitudes, pensamentos e teologias sem qualquer reflexão bíblico-teológica mais profunda. Mudam o exterior e a aparência de seus cultos, mas suas práticas estão longe da verdadeira mudança que precisam experimentar. Da mesma forma uma igreja que não experimente uma fé viva e apaixonada e que se emoldura no quadro da história, não consegue reagir e não tem nada de novo a dizer para o meio onde está inserida.

Hora o ceticismo religioso e o enrijecimento da experiência da fé, hora crenças místicas e gnósticas têm sido inseridas em todo o contexto protestante brasileiro, travestida de uma avalanche do “eu sinto”, “Deus me falou”, “fui na casa do profeta” e etc. Sei que estou falando com todos os tipos de tendências: carismáticos, conservadores, liberais e qualquer outro grupo que haja em nosso meio. A Igreja não precisa de bandeiras políticas ou separatistas, não precisa de nada novo e ao mesmo tempo, não precisa de nada velho, só precisa de homens e mulheres que estejam sinceramente interessados em se colocar nas mãos de Deus para se deixar ser reformado e reformar sua nação e igreja e pagar o preço por isto. Este é o Espírito da Reforma.


Sugestão de leitura: GONZALEZ, Justo L. A era dos reformadores, São Paulo, 2004, Ed. Vida Nova.


Leia outros artigos do pastor Pablo Massolar
em Ovelha Magra (www.ovelhamagra.com)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

95 TESES - O documento mais famoso dos protestantes


As 95 teses de Martinho Lutero são consideradas uma declaração corajosa da independência para a igreja protestante.

Quando ele escreveu quase 100 pontos de debate em latim, Lutero estava simplesmente convidando os seus companheiros acadêmicos para uma “Disputa sobre o poder e a eficácia das indulgências”, o título oficial da tese. (O debate nunca aconteceu, mas as teses foram traduzidas para o alemão e distribuídas largamente, criando um tumulto.)
O que eram indulgências? No sacramento da penitência, os cristãos confessavam pecados e achavam absolvição para eles. O processo de penitência envolvia satisfação – pagar a pena secular por aqueles pecados. Sob certas circunstâncias, alguém que estava realmente contrito e tinha confessado seus pecados podia receber remissão parcial (ou, raramente, completa) da punição secular comprando uma carta de indulgência.
Nas 95 teses, Lutero não atacou a idéia das indulgências, pois na tese 73 ele escreveu “... o Papa se levanta justamente contra aqueles que, por qualquer meio, planejam mal a venda de indulgências”.
Mas Lutero protestou fortemente contra o abuso das indulgências – e mais adiante, sob a habilidosa venda de Johann Tetzel. E, no processo, Lutero derrubou, embora provavelmente não tenha percebido, os pilares que apoiavam muitas práticas no cristianismo medieval.

Afirmações-chave
Aqui estão treze amostras das teses de Lutero:

1. Quando nosso Senhor e Mestre, Jesus Cristo, diz “arrependam-se” etc, Ele quer dizer que toda a vida do fiel deve ser um arrependimento.

2. Esta afirmação não pode ser entendida do sacramento da penitência, isto é, da confissão e da satisfação, que é administrada pelo sacerdote.

27. Eles pregam a insensatez humana que finge que, ao ressoar o dinheiro no cofre, uma alma foge do purgatório.

32. Aqueles que acham que por causa de suas cartas de indulgências têm certeza da salvação, estarão eternamente perdidos junto com seus professores.

36. Todo cristão que se arrepende de verdade tem perdão total tanto da punição e culpa lançada sobre ele, mesmo sem as cartas de indulgência.

37. Todo cristão verdadeiro, seja vivo ou morto, tem uma parte nos benefícios de Cristo e da igreja, pois Deus tem lhe dado isto, mesmo sem cartas de indulgência.

45. Os cristãos devem ser ensinados que quem ver uma pessoa necessitada, ao invés de ajudá-la, usa seu dinheiro para uma indulgência, não obtém uma indulgência do Papa, mas o desprazer de Deus.

51. Os cristãos devem ser ensinados que o Papa deve dar – e daria – os seus próprios recursos para os pobres, de quem certos pregadores de indulgências extraem dinheiro, mesmo se ele tivesse que vender a Catedral de S. Pedro para fazer isso.

81. Esta pregação desavergonhada de perdões, torna difícil para qualquer homem instruído defender a honra do Papa, contra a calúnia ou responder as perguntas indubitavelmente sagazes dos leigos.

82. Por exemplo: “Por que o Papa não esvazia o purgatório por amor... pois afinal, ele libera incontáveis almas por dinheiro sórdido contribuído para construir uma catedral?”

90. Suprimir estes argumentos inteligentes por parte dos leigos, pela força ao invés de respondê-los com razões adequadas seria expor a igreja e o Papa ao ridículo de seus inimigos e trazer infelicidade aos cristãos.

94. Nós devemos alertar os cristãos a seguir a Cristo, seu Cabeça, através de punição, morte e inferno.

95. E assim, deixe-os por sua confiança em entrar no céu através de muitas tribulações ao invés de alguma falsa segurança e paz.

Dentro de dois meses, Johann Tetzel revidou com suas próprias teses, incluindo: “os cristãos devem ser ensinados que o Papa, por autoridade e jurisdição, é superior a toda a Igreja Católica e seus conselhos, e que eles devem obedecer humildemente seus estatutos”.

In Portal CRISTIANISMO HOJE - www.cristianismohoje.com.br

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