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sábado, 19 de abril de 2025

Frutos do Espírito, poema de Sammis Reachers

 


Frutos do Espírito

 

“Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.”

Gálatas 5:22

 

Santo Espírito, vivaz hortelão

Plante em meu coração o Amor,

Árvore capital, cujos frutos

O mundo os tenha, reminiscências

E alimento do Paraíso

 

Espírito de Santa Alegria,

Que eu seja criança brincando na chuva

Domesticando o caos

Tirando para a dança da vida

O soturno, o deprimido e o contrito

 

Santo Espírito, Pacificador alado

Dinamite minha fúria, negação do céu

E que minhas palavras sejam

Um repouso para homens e feras

Conduza-me ao milagre crístico:

Que Minha passividade pacífica

Seja atividade pacificadora

 

Paráclito que funda e opera o kairós

Que a paciência seja meu burrico,

Meu humilde transporte para tudo

Em todos, todos em tudo

De promessa em promessa, sustentando

A marcha e a semeadura até a parusia

 

Espírito Santo, de coercitiva candura

Que meu semblante seja Tua carta

Que minha amabilidade e benignidade

Sobejem abraços e meu gesto seja um jardim

De delícias e socorro das nações

 

Espírito do Único Bom, que está nos céus

E se revelou em carne e ponte no pó

Potencialize minhas misericórdias

Para enveredar pelo teu caminho, pontífice

Em cumprimento às boas obras que me

Preparaste, lá dantes do parto de tudo

 

Espírito Fidedigno e Santo

Que a escuridão e suas alcovas

O tríplice cantar do galo e suas tentações

O púlpito a presidência a autoridade e seu

Perfume carregado

Não me encontrem traidor

 

Espírito assaz Longânimo

Me torne regaço: riacho doce, paciente

Lento e rutilante de frescor contra as ofensas

E falhas do outro ou do espelho, as lonjuras

Do esperar o parto das justiças e promessas.

 

Fortaleza Pantokrator, que eu domine

As muitas chamas que me ardem

De covardia e lascívia e espírito de vingança

E suporte impávido a chuva de pedras,

Desprezos e acusações

Que a outra face esteja a cada manhã renovada

E que em cada câmbio com a desonestidade

dos homens eu entregue amor

 

 

Espírito Doador, dai-me luzes

Para que eu destrua as trevas

Ou lhes dê um sentido

 

 

sábado, 5 de dezembro de 2020

Recursos para o Dia da Bíblia 2024 em livro gratuito

 

Bíblia Sagrada: O livro amado e combatido que é o coração literário do cânon ocidental, a base de legislações e cosmovisões, cuja influência moral chega até mesmo a lugares em que o cristianismo não possui presença significativa. Sua leitura é atividade informativa e terapêutica, instigante e consoladora, sapiencial e inspirativa tanto para o cristão quanto para aqueles que não comungam da mesma fé.

O livro gratuito que o leitor agora tem diante de si é um verdadeiro baú de recursos para melhor pensarmos, vivermos e celebrarmos as Sagradas Escrituras. Reunimos aqui poemas, frases, peças teatrais e jograis, dinâmicas, esboços de pregações/estudos bíblicos, e ainda diversos planos de leitura para ajudar a você e sua família, igreja e comunidade na jornada por uma leitura e uma vivência proveitosas da Palavra de Deus.

Há diversas narrativas que ilustram a importância da leitura da Bíblia. Uma das que mais aprecio é esta, pela sua clareza e simplicidade:

 

Um velho que morava em uma fazenda no campo, com seu neto. Todas as manhãs, bem cedo, o vovô se encontrava sentado à mesa da cozinha, imerso na leitura de sua velha Bíblia desgastada.

Seu neto, que queria ser como ele, tentava imitá-lo da maneira que podia. Um dia, ele perguntou: "Vovô, eu tento ler a Bíblia como você, mas eu não entendo, e o que entendo eu esqueço assim que fecho o livro. De que adianta ler a Bíblia?"

O avô calmamente terminou de colocar o carvão no fogão, virou-se para o neto e disse: "Leve esta cesta de carvão até o rio e a traga de volta com água." O rapaz fez assim como lhe foi dito, mas, como a cesta tinha pequenos furos, muita água vazou antes que ele pudesse voltar para casa.

O avô riu e disse: "Você vai ter que se mover um pouco mais rápido da próxima vez", e o mandou de volta para o rio com a cesta, para tentar novamente.

Desta vez, o menino correu mais rápido, mas, mais uma vez a cesta estava quase vazia antes que ele pudesse alcançar a casa. Sem fôlego, disse ao avô que era "impossível carregar água em uma cesta", e foi buscar um balde novinho. O velho disse: "Eu não quero um balde de água, eu quero uma cesta de água. Você pode fazer isso, só não está se esforçando o suficiente", e saiu pela porta para ver o menino tentar novamente.

Neste ponto, o garoto sabia que era impossível cumprir a tarefa, mas queria mostrar ao seu avô que, mesmo que ele corresse o mais rápido que pudesse, a água vazaria antes de chegar em casa. O menino encheu o cesto de água e correu muito, muito, mas quando chegou onde seu avô estava, o cesto se encontrava quase vazio, novamente.

Sem fôlego, ele disse, "Veja, vovô, é inútil!"

"Então você acha que é inútil? Olhe para a cesta". O menino olhou para a cesta e pela primeira vez, percebeu que ela parecia diferente. Em vez de uma cesta de carvão suja pela idade, ela estava limpa.

"Meu neto, isto é o que acontece quando você lê a Bíblia. Você pode não entender ou lembrar de tudo, mas, quando lê-la, ela vai mudar você de dentro para fora."

 

É isto: A Bíblia, mais que uma biblioteca de narrativas, poemas e profecias, é um manual de instruções para a vida, cuja leitura constante deve ser praticada e incentivada, conforme ela mesma assevera, no livro de Josué 1.8: “Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem-sucedido.”

Recursos para celebrarmos, das maneiras as mais criativas, esse livro fantástico: Esta é a razão de ser da presente coletânea. Vamos, pois, aos recursos aqui colecionados e seus números?

 

Estão aqui reunidas:

·     260 citações de grandes autores sobre o Livro dos livros;

·     um rico florilégio de 65 poemas sobre as Sagradas Escrituras;

·     100 pequenos esboços de sermões/estudos bíblicos que, além de guias para o pregador, servem como roteiro temático para que o leitor possa conhecer mais aspectos sobre este livro de saúde, consultando diretamente na fonte;

·     nada menos que 170 ilustrações sobre o tema das Sagradas Escrituras;

·     uma seleção de 60 dinâmicas, para serem utilizadas em seu momento devocional ou educativo em EBDs e EBFs, acampamentos, estudos bíblicos familiares ou comunitários;

·     Peças teatrais e jograis, de teor adulto ou infantil, em número de 30;

·     11 Planos de Leitura, para estimular a regularidade em seu momento devocional com a Palavra de Deus.

Perceba que cada um desses gêneros (peças, dinâmicas, poesias, frases etc.) poderia compor, por si só, um livro autônomo. A reunião de todos esses recursos num volume único e gratuito, representa um feito que, esperamos, traga grande proveito para toda a Igreja de Cristo de língua portuguesa. E esse aproveitamento depende também de você:  Compartilhe este recurso, sempre gratuitamente, com outros irmãos e igrejas ao seu alcance.

 

Sammis Reachers


PARA BAIXAR O LIVRO PELO GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.


quinta-feira, 18 de maio de 2017

À ENTRADA DA TERRA DO LEITE E MEL




(Livro de Números, XIII )

Como os olhos dos doze às portas do leite e do mel
o desânimo vai ter olhos e as alegrias diante das videiras
de enormes cachos serão menores que o medo
o desânimo fará aumentar nas retinas
a estatura dos homens, gigantes como colossos
ocupam  as portas, o medo bate nos olhos
o desânimo aconselha cuidados,  regressar
às areias do deserto, à cabeça escondida na areia
e às sombras dos pequenos arbustos, não temos
ainda braços para abraçar a Terra Prometida.

16-05-2017

©  J.T.Parreira

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

PARÁBOLA DO SALMO DO PASTOR



As ovelhas são o meu alimento, oferecem
Com mugidos o leite que risca a noite
Com uma torrente branca, são o calor
Entre as minhas mãos, as ovelhas são a minha lã
Que me resguarda dos medos nocturnos
Pelo rebanho me levanto no meio do luar
Para encontrar entre os espinhos a centésima
Enquanto as noventa e nove estão presas
No redil às próprias sombras.



19-10-2015
© João Tomaz Parreira

sexta-feira, 22 de julho de 2016

A ÁRVORE






Era uma árvore, no meio do jardim
sabia a verdade das coisas: Adão e Eva
a esconderem os olhos do seu próprio sexo;
ou os querubins com uma espada
torneada a fogo,  que  guardaria
a melancolia de um jardim vazio.


21-07-2016

© João Tomaz Parreira

sexta-feira, 22 de abril de 2016

O QUE DISSE UM DOS MALFEITORES



A caminho da morte não falou,  a sua boca
reservava-se ao silêncio divino,  dentro da alma
chorava talvez. Assim vi o melhor espírito de Israel
consumido pela dor
numa cruz, vestido do seu próprio sangue
atravessando  o coração do Pai.
Ao meu lado a arrastar a voz ferida
a deixar no ar palavras de perdão.
Digo
aquela cruz não era para um Deus, eu que sou
um malfeitor a quem  Ele deu uma rua de ouro
no Paraíso.

08-10-2015


© João Tomaz Parreira

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

PARA ENCONTRAR A CRIANÇA ENVOLTA EM PANOS





Deus pôs no céu a mão a guiar uma estrela
No meio de lugar nenhum
Que é o espaço indecifrável da noite
A luz era o único lugar visível, não se via
A mão que a guiava, foi com surpresa
Que a viram estacionar os anos-luz
Sobre um discreto estábulo de Belém.


18-12-2015

© João Tomaz Parreira

terça-feira, 3 de novembro de 2015

SALMO CENTO E VINTE E SETE

É inútil levantar cedo, desviar

O curso desta morte lúcida
Que é o sono, inútil será contar estrelas
Até que amanheça, ir ao berço dos filhos
Ver se respiram, fazer mais filhos
Para serem frechas na aljava do valente

Se o Senhor não guardar o pão do bolor
O  pão ganho com desalento
Se não guardar da casa a trave-mestra
Nem vigiar nos olhos da sentinela
Tudo será vão como a areia
Que não resiste ao vento


12-09-2015
©  João Tomaz Parreira

domingo, 11 de outubro de 2015

SALMO 137 DO SÉCULO PASSADO






Sentávamo-nos junto aos muros do gueto de Varsóvia
e chorávamos com uma estrela no peito,  nas sombras
dos casacos rotos, pensando
que éramos o povo escolhido.  Deus
estava em Jerusalém e lá pendurámos  nossas preces.
Os que nos tinham feito prisioneiros pediam-nos
que cantássemos com a nossa boca
cheia de pão negro, aqueles que nos haviam de destruir
queriam a nossa alegria. Mas como era possível
que entoássemos outro cântico senão um kaddish
pelos mortos? O canto do Senhor em terra estranha.
Se tu, Senhor, te esqueceres de nós, seremos harpas
partidas e as nossas cinzas voarão pelos ares
como um silêncio.

10-10-2015


©  João Tomaz Parreira  

segunda-feira, 13 de julho de 2015

MAGNIFICAT



Eu quero este filho que o céu plantou
No meu ventre, que desceu ao mesmo tempo
Que as palavras do anjo, com a agitação
Da luz nas cortinas no meu quarto
Ele terá o andar de Deus quando pisou o Éden
Terá o andar de Deus sobre a terra, terá nas mãos
E nos pés todo o poder
Pela força clara do sangue que virá
Da sua grande ferida
Eu quero este filho, que o meu ventre
Virgem já enlaça, humilde ventre entre as mulheres
Ele encherá de alegria as multidões
Entre o silêncio e a agonia.


13-07-2015
© João Tomaz Parreira


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

SOZINHO NO JARDIM




A morte preparava os raios da próxima manhã
Ele está acordado, a única maneira de ascender
Ao Pai, no escuro
É  a oração, em forma de um cálice de agonia
Se fosse possível passar, pediu com os olhos
Afastando as sombras do jardim
Pôs-se triste, ao tocar no silêncio
Dos discípulos que dormiam. 

19-02-2015
© João Tomaz Parreira 

  

sábado, 7 de fevereiro de 2015

POEMA


Apocalipse, 22, 1-5

Há um rio que se chama cristal, o brilho
Das folhas aladas da árvore cobre,
De margem a margem, o rio como um céu
Esse rio chamado cristal repousa
No fundo do Apocalipse, não há mar
Esse rio sabe-o e espera que a cidade se habite
De santos e de anjos e dos maravilhosos olhos
Do Cristo
Nela se multiplicam mil anos.
Por cada dia que não passa.

© João Tomaz Parreira





terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A ODE DO PROFETA HABACUQUE




Ainda que a figueira não perca o equilíbrio
Porque não tem figos, nem as vides mostrem o fruto
Da alegria, ainda que falhe
O azeite nas oliveiras, que a vida morra
No rebanho e o silêncio ocupe o espaço dos currais
Espantar-se-á  o mundo com o meu prazer
Em Deus que fez a minha salvação
E na dádiva incrível de asas de corça nos meus pés.                                  

06-01-2015

© João Tomaz Parreira   

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O CALVÁRIO





Morreu esta tarde, por três dias,
às três num monte à beira da cidade.
Inclinou o seu espírito às últimas palavras
que seus lábios entregaram aos ouvidos
dos homens e de Deus, da mãe
não chegariam as mãos para o tirar da cruz.
Do lençol de linho de José de Arimateia
-só é certo que lhe deu o sepulcro- não se sabe,
qualquer teologia que diga que ao morrer
às três da tarde, por três dias, tinha nos lábios
um sorriso, sabemos pelas feridas da morte
que não é verdade, ninguém
morre pelo ódio do seu povo e sorri.
Morreu com o tempo marcado, o relógio
do sol marcaria na porta do sepulcro
a manhã de sábado,  depois outra manhã viria
limpar da noite as sombras, para que o branco
Corpo intocável mais brilhasse.


14-12-2014
© J.T.Parreira

(Arte: Tela de Salvador Dali)

domingo, 30 de novembro de 2014

O CUTELO E A MÃO



(Rembrandt,  "O sacrifício de Isaque", 1635, óleo s/ tela)


A mão do Patriarca sobre Isaque
conduz o brilho do cutelo
a mão silenciada do amor                        
estendida sobre o peito, o gesto
da fé no desespero
de quem ama um filho à Vida dado
sobre o sereno fogo do altar
sob outro fogo
que  vestia a nudez da madrugada.      

30-11-2014

© João Tomaz Parreira  

terça-feira, 28 de outubro de 2014

SALMO 23 EM LINGUAGEM MODERNA



O Senhor é o meu gestor: nada me falta.
Os canais do meu coração são tranquilos, o sangue
mesmo com mais glóbulos brancos não tem rumores

de morte. A vida
não é um banquete contínuo, ainda assim
tem sido longa. A morada
da casa do Senhor não tem cânticos ruidosos
ainda é o silêncio
da minha alma.



26-10-2014
© João Tomaz Parreira

terça-feira, 14 de outubro de 2014

ALGUMAS COISAS QUE FIZESTE




Já dançaste em círculos à volta do bezerro, ébrio
do ouro a escorrer pelos teus olhos,  alguns
dos teus haveres empenhados  no caminho
rumo a Canaã; sentiste as tábuas da lei partidas
contra o teu coração, mesmo assim  colheste
dos arbustos sem nome o mais belo pão divino;
bateste numa rocha
e bebeste a água represada desde o dilúvio; viste gigantes
à porta da terra do leite e do mel, já longe
do Egipto começaste a ter a noção da saudade, a falta das cebolas
e da carne e olhavas para trás, com os pés no chão
andaste quarenta anos no deserto.

13-10-2014

© João Tomaz Parreira 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O QUE CANTOU A SULAMITA A PROPÓSITO DO SEU AMADO




Era uma vez o meu amado como uma macieira
o meu amado era distinto
entre as árvores do bosque,  jovem
a sua sombra ali estava contra os invisíveis
raios solares. Era uma vez o meu amado
como um fruto doce que derramava
frescura no meu paladar.

Ali estava o meu amado, era uma vez com passas na mão
e maçãs como um rubro engaste
Era uma vez o meu amado a acenar ao longe
com o vento nos seus braços, era uma vez
com um perfume que chegava nas mãos, o seu amor
ao redor dos meus cabelos como um laço.


 21-09-2014

© J.T.Parreira

sábado, 20 de setembro de 2014

MARTA & MARIA

Alessandro Allori, 1535-1607, óleo s/madeira, 


Una cosa, amor mío, me será imprescindible 
para estar reclinada a tu vera en el suelo
María Victoria Atencia


Uma coisa, Senhor, me é necessária, o chão
limpo da sala para estar sentada,  detida         
pelas coisas que me repartes pelo coração
pelos  ouvidos silenciosos que retêm
a água intensa das palavras
A casa e seus afazeres, Marta com amor
compõe para a tua presença.

19-09-2014

© João Tomaz Parreira

sábado, 23 de agosto de 2014

A CANÇÃO DE MARIA



"Magnificat anima mea Dominum"


A dor do meu corpo a crescer
será útil para o Senhor

como o dia que se derrama
no fio do horizonte
na púrpura
de um dia novo

a dor de um filho dentro
a crescer pelo meu corpo.


© João Tomaz Parreira