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sábado, 23 de março de 2013

Reflexões sobre a Páscoa em 2013


Páscoa
João Cruzué


A primeira Páscoa aconteceu às vésperas da saída de Israel do cativeiro do Egito. Foi a celebração de uma festa familiar, similar aos churrascos que fazemos em casa, a diferença  era que um cordeiro foi assado e comido, acompanhado de um pão sem fermento e uma salada de ervas amargas. Cada família devia se reunir e preparar a sua própria páscoa e sacrificar o seu próprio cordeiro. E tudo deveria ser feito às pressas, pois, logo em seguida Israel iria ser expulso do  Egito, por causa da perda dos primogênitos.

O propósito da Páscoa era servir de memorial para o povo judeu. As ervas amargas trariam à memória o gosto amargo dos 200 anos de cativeiro no Egito. O cordeiro apontava para o Cristo, o cordeiro de Deus que seria sacrificado em um futuro longínquo. A Páscoa destes tempos de pós-modernidade deve ser um evento genuinamente volta do para seu personagem central. Páscoa  não são coelhos nem ovos ou colombas de chocolates. Seu protagonista é o Senhor Jesus Cristo, o Cordeiro do Deus Vivo, que se entregou espontaneamente  para morrer  pelos pecados de cada pessoa.

A segunda Páscoa que vamos meditar, foi aquela última celebração que Jesus participou, em vida, com seus discípulos. Naquela ocasião ele chegou montado em um jumentinho e encontrou seus discípulos reunidos, discutindo quem seria o menor, para tomar a toalha e lavar a poeira dos pés dos outros. Acontece que não conseguiram chegar a um consenso.

Então, para surpresa de todos, Jesus cingiu-se com a tolha, pegou água, e começou a lavar os pés.  Nesta Páscoa o Senhor partiu o pão, orou, e disse: Isto é o meu corpo que é partido por vós. Depois, Tomou o cálice e orou: Este cálice é o novo testamento no meu sangue que é derramado por vós. Nesta Páscoa não tinha um cordeiro assado, mas ali havia um cordeiro ali presente: era o Senhor Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

A Páscoa tem um significado especial para mim.

Assim como o sangue de cada cordeiro sacrificado devia ser pincelado nas umbreiras das portas das casas de Israel, minha liberdade também foi comprada do senhor do reino das trevas pelo sangue de Jesus, o Cristo cordeiro de Deus, derramado na cruz do Calvário. Um porta sem sangue nas umbreiras era um lar sem proteção contra o anjo da morte. Nos dias de hoje, um coração sem Jesus é uma vida escravizada pelo pecado.

E o senhor dos escravos é o diabo. Todo aquele que ama o pecado é escravizado por satanás, o adversário de Deus. E quem é escravo do pecado, mesmo desejando deixar de pecar não tem forças para se libertar das correntes da escravidão. A liberdade do poder do pecado e da vontade incontrolável de pecar só pode vir da decisão do pecador de procurar uma Igreja Evangélica para dizer na presença de todos que deseja aceitar Jesus de todo coração.

Romanos 6:23
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor

Romanos 10:9
A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. 

S. João 1: 11-12

11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. 
12 Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; 

A Páscoa celebrada na Igreja Evangélica, no que diz respeito à Igreja Assembleia de Deus, onde sirvo, é celebrada de mês a mês com o nome de Culto da Santa Ceia. Ali, solenemente fazemos a leitura apropriada ao evento, baseada em  I Coríntios 11: 23-34; depois oramos e partimos o pão,  e depois do pão, oramos e tomamos o vinho em um pequeno  cálice. O vinho simboliza o sangue de Cristo, o preço de nossa remissão. O pão é o símbolo do corpo de Cristo que foi partido e moído em nosso lugar na cruz do Calvário.

A Ceia, além de ser um memorial, também é a lembrança de um grande evento profetizado por Cristo, de que, um dia, todos os crentes salvos irão se reunir em uma grande Ceia no céu, celebrada pelo próprio Senhor, na presença dos apóstolos  e rodeados de tantos salvos como a areia da praia.

A Páscoa traz em essência o conceito de liberdade. Libertação da escravidão do Egito para o povo judeu, e libertação do poder do pecado e do reino das trevas  para cada cada crente em Cristo. Esse conceito de liberdade deve estar bem claro na mente de cada um. Há leis espirituais complementares que regem os detalhes dessa passagem de um reino para outro.

Para ser livre do pecado é preciso entender que quem garante a nossa liberdade é o Senhor Jesus Cristo. Somos livres não para fazer a nossa própria vontade, mas à dele. E os seus mandamentos não são pesados.

Entender o que significa ter Cristo como Senhor de nossa vida, é ter a disciplina necessária para que, diante de escolhas  e decisões, nada deve ser feito sem oração, nem com pressa, mas com o bom senso de esperar para saber o que o querer do Senhor. E para saber qual é a vontade do Senhor, é preciso, no mínimo, ter o coração em perfeita paz, para não decidir errado.

Além de Senhor da nossa das decisões e escolhas de nossa vida, Cristo também é nosso Salvador. Foi ele que nos comprou da nossa vã maneira de viver, e nos tirou do  reino das trevas para o Reino da sua maravilhosa Luz. 

Sem Cristo, nunca poderíamos ser verdadeiramente livres tanto da  escravidão do pecado quanto do egoísmo que costuma habitar em cada um de nós.




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quinta-feira, 5 de abril de 2012

O que é Páscoa?

Páscoa é um evento religioso judaico/cristão, normalmente considerado pelas igrejas cristãs como a maior e a mais importante celebração. Na Páscoa os cristãos relembram e anunciam a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação que teria ocorrido durante a celebração da Páscoa dos judeus, em Jerusalém, entre o ano 30 e 33 da Era Comum.


Origem do nome

Os eventos da Páscoa teriam ocorrido primeiramente durante o Pessach (Passagem em Hebraico), data em que os judeus comemoram o êxodo, libertação e fuga de seu povo escravizado no Egito, liderados por Moisés, para a Terra Prometida.
A palavra Páscoa advém exatamente do termo Pessach, em hebraico, da festa judaica. Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques. O sentido de “passagem” vem do julgamento de Deus sobre Faraó e os egípcios, que oprimiam e escravizavam o povo judeu, até que Deus anuncia a Moisés que libertará o seu povo da escravidão.
Segundo a Bíblia (Livro do Êxodo), Deus mandou 10 pragas sobre o Egito. Na última delas (Êxodo capítulo 12), disse o Senhor a Moisés que todos os primogênitos egípcios seriam exterminados (com a passagem do anjo da morte por sobre suas casas), mas os primogênitos de Israel seriam poupados. Para isso, o povo de Israel deveria sacrificar um cordeiro, passar o sangue do cordeiro imolado sobre as portas de suas casas, e o anjo passaria por elas sem ferir seus primogênitos. Todos os demais primogênitos do Egito foram mortos, do filho do Faraó aos filhos dos prisioneiros. Isso causou intenso clamor e tristeza entre o povo egípcio, que culminou com a decisão do Faraó de libertar o povo de Israel, dando início ao Êxodo de Israel para a Terra Prometida.
A Bíblia judaica e cristã institui a celebração do Pessach em Êxodo 12.14: "Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o como uma festa em honra ao Senhor: Fareis isto de geração em geração, pois é uma instituição perpétua".


Páscoa Cristã

A Páscoa cristã celebra a morte sacrificial e a ressurreição de Jesus Cristo. Nos Evangelhos, Jesus é anunciado como o "cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", deste modo, toda a simbologia da Páscoa judaica aponta para Jesus que, através de sua morte e seu sangue, liberta o homem do poder da morte e do pecado.
A última ceia partilhada por Jesus Cristo e seus discípulos é narrada nos Evangelhos e é considerada, geralmente, um “sêder do pessach” – a refeição ritual que acompanha a festividade judaica – se nos ativermos à cronologia proposta pelos Evangelhos sinópticos. O Evangelho de João propõe uma cronologia mais acurada, ao situar a morte de Cristo por altura da hecatombe (do grego antigo ἑκατόμβη, composto de ἑκατόν "cem" e βοῦς "boi" - sacrifício coletivo de muitas vítimas) dos cordeiros do Pessach. Assim, a última ceia teria ocorrido um pouco antes desta mesma festividade.
Depois de morrer na cruz, o corpo de Jesus foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu por três dias, até sua ressurreição. É o dia santo mais importante para os cristãos.


Páscoa é pagã?

Não! E também, atualmente, sim! Muitos costumes modernos ligados ao período pascal originaram-se, de fato, dos festivais pagãos da primavera. Hoje existe um sincretismo entre a Páscoa judaico-cristã e rituais de passagem pagãos, mas nem sempre foi assim.
A festa moderna utiliza a imagem do coelho e ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz solar, dados como presentes. Os antigos povos pagãos europeus da Idade Média, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa. Ostera (ou Ostara) é a deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Deméter. Na mitologia romana, é Ceres. Ishtar ou Astarte é a deusa da fertilidade e do renascimento na mitologia anglo-saxã, na mitologia nórdica e mitologia germânica.
Na primavera, lebres e ovos pintados com runas eram os símbolos da fertilidade e renovação a ela associados. A lebre (e não o coelho) era seu símbolo. Suas sacerdotisas eram ditas capazes de prever o futuro observando as entranhas de uma lebre sacrificada. A lebre de Eostre poderia ser vista na Lua cheia e, portanto, era naturalmente associada à Lua e às deusas lunares da fertilidade. De seus cultos pagãos originou-se a Páscoa (Easter, em inglês e Ostern em alemão), que foi absorvida e misturada pelas comemorações atuais.
As hipóteses mais aceitas relacionam a época do ano com Estremonat, nome de um antigo mês germânico, ou de Eostre, uma deusa germânica relacionada com a primavera que era homenageada todos os anos, no mês de Eostremonat, de acordo com o "Venerável Beda", historiador inglês do século VII. Porém, é importante mencionar que Ishtar é cognata de Inanna e Astarte (Mitologia Suméria e Mitologia Fenícia), ambas ligadas à fertilidade, das quais provavelmente o mito de "Ostern", e consequentemente a Páscoa moderna (direta e indiretamente), tiveram notórias influências.
Os antigos povos nórdicos comemoravam o festival de Eostre no dia 30 de Março. Eostre ou Ostera (no alemão mais antigo) significa “a Deusa da Aurora” (ou, novamente, o planeta Vênus). É uma deusa anglo-saxã, teutônica, da primavera, da ressurreição e do renascimento. Ela deu nome ao Shabbat Pagão, que celebra o renascimento chamado de Ostara.


Conclusão

É comum, hoje, a prática de pintar ovos cozidos, decorando-os com desenhos e formas abstratas. Em grande parte dos países ainda é um costume comum, embora que em outros, os ovos tenham sido substituídos por ovos de chocolate. No entanto, o costume não é citado na Bíblia, nem na Páscoa judaica, nem na Páscoa cristã. Portanto, este costume é uma alusão a antigos rituais pagãos.
A Páscoa, em suas raízes mais antigas, é uma festa genuinamente bíblica, que aponta figuradamente para o sacrifício de Jesus por toda a humanidade. Esta é a oportunidade que, como cristãos, discípulos de Jesus, temos de anunciar não somente o sentido cultural da festa mas, principalmente, que ela tem a ver com o amor de Deus por toda humanidade. Isto inclui todos nós. Deus entregou seu único filho, como sacrifício pelos nossos pecados e Nele, somente Nele, temos Vida Eterna, ou seja, "passamos" da morte para a vida. O evangelho de João, no capítulo 3, resume esta mensagem da seguinte forma: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que entregou (à morte) o seu único Filho para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a Vida Eterna."


Veja o que o "Coelhinho da Páscoa" tem a dizer sobre a Páscoa





Fonte: Ovelha Magra (www.ovelhamagra.com)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A Pedra, inédito de J.T.Parreira


Muito pouco tem sido dito
sobre a pedra, uma
fronteira do sepulcro
uma forma densa do não
muito pouco
perante as circunstâncias
se tem dito sobre a pedra
surda e um olho cego no dia
da ressurreição
não se entrava nem saía
dessa pedra, e no entanto
foi uma gota de água
como uma folha branda
um cristal tocado pela imensa
Mão, uma claridade
no primeiro dia da semana.


24/4/2011

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Jesus e o amor que não tem fim

André Filipe, Aefe!

1. Memória do futuro.

“Ora, antes da Festa de Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai (...)”
Ali no cenáculo com seus discípulos, Jesus sabia que aquela não era mais a páscoa dos judeus, mas a páscoa de todo aquele que crê em seu nome. Logo mais não apenas os judeus estariam comemorando a sua libertação do Egito, mas a Igreja estaria comemorando a libertação do pecado. Isso ocorrerá porque Deus enviou seu Filho ao mundo para que Ele, ao retornar aos seus braços, trouxesse consigo algemas arrebentadas pelo seu sangue. Jesus sabia disso, sabia que viera do Pai e que voltaria, cumprindo assim sua missão. Mas antes de retornar ao mundo dos céus, sabia que seria trucidado no mundo dos homens.
Este saber de Jesus não era um mero conhecimento como aquele “Puxa, é meu aniversário na semana que vem”, mas sim uma memória do tipo “Cara, a cólica que senti na semana passada foi horrível, se eu pudesse  a evitaria”; o saber de Jesus era uma memória terrível de um futuro cada vez mais próximo.
Jesus sabia tanto da existência de um traidor  entre seus discípulos, como da certeza da ressurreição, e de que o mundo estava confiado em suas mãos; mas naqueles momentos que antecipavam a cruz, penso que Cristo tinha vivo em sua memória que Ele era o Cordeiro imolado da Páscoa.
Ora, como Jesus sabia de sua morte, enganam-se os romanos se pensaram terem sido seus assassinos, ou os judeus, que o fizeram calar: Jesus não foi a vítima de uma injustiça, mas um voluntário da justiça. Jesus não foi, ainda, um mártir  que não teve escolha, porque ninguém pode tirar a vida de Cristo (Jo.10.18), mas um Deus que amou até o fim.

2. Amando até o fim.

“tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”
Que Jesus amou os seus discípulos isso o demonstra todos os Evangelhos, e o seu amor já seria enorme se tivesse parado ali. Se Jesus tivesse dito “Beleza, eu vos amei pra caramba, agora vou tocar a vida”, já seria um amor imenso.
Em 1ª Sm.18.3, logo após a morte de Golias, Davi e Jônatas, filho de Saul, tornam-se profundamente amigos, e fazem então uma aliança de amor. Mas logo em seguida, a amizade dos dois é perturbada  pelo ciúme violento de Saul. Em 1ª Sm 20, Davi está foragido pois o rei quer sua caveira; Jônatas vai ao seu encontro e quer ajudar o amigo, mas sabe que, se o pai descobrisse, com certeza o mataria. Além do mais, outras coisas estavam em jogo, como a perda do seu próprio reino (1ª Sm.20.30-34). A amizade e a aliança de amor estava sendo posta a prova. No versículo 17, vemos que Jônatas amou até o fim. Se antes amar Davi era muito divertido, agora trazia consequências como o risco da própria vida, mas Jônatas amou até o fim, eles renovaram a aliança.
A consequência natural de um Deus amar esta humanidade em pecado é a cruz. Você pode amar uma pessoa doente por toda a vida. Estar ao lado dela, apoiá-la, cuidar dela: e não será um amor pequeno, mas você levará este amor às últimas consequências se você doar os seus órgãos para que ela se mantenha viva em seu lugar. Jesus levou seu amor até as últimas consequências.
Isso é muito bom. Isso deve nos dar uma segurança enorme! Jesus ama até ao fim, Jesus leva o seu amor ao extremo; quando ele diz na cruz “Está consumado”, não era o seu amor chegando ao fim, mas ganhando tal dimensão que não importa quem sejamos, em que estado está nossa vida, mas se confessamos Jesus como nosso salvador, Ele nos ama, pois o seu amor está ancorado não em nós ou em nossa obediências, mas em sua própria fidelidade, e sendo Deus fiel, Ele ama até ao fim, e amando até ao fim, estou seguro em seu amor. E isso e muito bom!

3. Um mandamento difícil.

“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” Jo.13.34-35.
Aí complica tudo, porque Jesus não espera amor menor de nós que o seu próprio e imenso amor até o fim. Jesus é, assim, não uma mobília para ser admirada, mas um exemplo a ser seguido para amarmos ao próximo até as últimas consequências, não baseado nos valores do próximo, mas ancorado em Jesus Cristo. Que irresponsabilidade! Como Jesus pode nos exigir um  amor até o fim por um chefe orgulhoso e que me humilha na frente dos demais? Como amar até ao fim aquela professora que me persegue sem razão? A que consequências sou levado por um amor a um morador de rua, a uma comunidade pobre? Isso é duro, é complicado, é terrível pois este é o RG daqueles que são amados por Cristo. Quem crê em Cristo ama até ao fim, e quem ama até ao fim, perdoa infinitamente, espera pacientemente, ajuda desmedidamente, se entrega graciosamente.
Pedro entendeu este amor muito bem. Observe o que ele diz a Jesus, no versículo 37: “Por Ti darei a própria vida”. Veja como Pedro foi grande, aqui. Jesus ainda não havia sido morto, aliás, Pedro mal entendia aquela história de Jesus ir para onde não podia ser seguido. Mas ele entendeu muito bem que amar até ao fim significava entregar a própria vida, se preciso fosse. Porém, é muito confortante que Jesus, logo em seguida, destrói suas ilusões,  no versículo 38, dizendo que, ainda naquele dia Pedro o negaria três vezes! Fico feliz que logo após um mandameno enorme, como o do versículo 34, tenha sido o grande Pedro o primeiro a descumprí-lo, mas Jesus o amou até ao fim assim mesmo, porque seu amor não está condicionado a nossa obediência.

4. Exemplo e poder.

O que Pedro nos ensina também é que não basta saber o que significa amar até ao fim assim como não era o suficiente Jesus ser simplesmente um exemplo para nós. Sendo assim, estaríamos condenados a chorar amargamente como Pedro após negar Jesus (Mt.27.35) para sempre!
É por isso que é loucura estas propagandas de banco, ou essas mensagens de ONGs que falam de amor ao próximo. É loucura mesmo a nossa pregação contra o mundo pagão, colocando Jesus como exemplo, pois a Cruz não é só nosso exemplo, mas também e principalmente o que nos torna capazes de amar. Só aqueles restaurados pela cruz de Cristo e pelo Espírito Santo são capazes de amar verdadeiramente até o fim. Não devemos esperar amor de um mundo sem Cristo, mas o mundo sem Cristo não deve esperar amor menor que o de Cristo daqueles que confessam o seu nome.
Deus deu a Pedro a honra de cumprir sua promessa e entregar sua vida em nome de Cristo. Diz a tradição que Pedro ia ser crucificado como Cristo por pregar o Evangelho, mas ele não se achou digno e pediu que fosse crucificado de cabeça para baixo. E os expectadores  puderam ver a Glória de Cristo na entrega de Pedro. Através do Espírito Santo regenerador de Deus, temos o poder de amar até ao fim, e este é o nosso ministério de vida.
Ao caminhar pelas ruas, ao planejar sua vida, ao fazer escolhas, você tem levado em conta o amor ao próximo, fazendo assim resplandecer o amor de Cristo?

terça-feira, 6 de abril de 2010

ANÁSTASIS — UM POEMA SOBRE A PÁSCOA

Antonio da Coreggio (c. 1534), "Noli me tangere"

ANÁSTASIS (1)

“Vamos ressuscitados, colher flores!”
Miguel Torga, in “Convite”

Madrugada
primeiro dia do sábado (2)
dia de resgatar o jardim
de revelar as pérolas
de dentro do mundo da concha

dia de colheres flores,
Maria Madalena,
e de anunciares aos irmãos,
ainda dormentes
nos seios da noite

que deixem de indagar
o estridor do oceano
no pavilhão dos búzios
e céleres acorram à cripta
que despojada está da sua missão
de para sempre dissimular à vista
a carne rubra da rosa

pois a esperança foi finalmente
engrinaldada

diz-lhes que a pedra rojou
e a sepultura deu rediviva
o que não tinha cadeias para agrilhoar

leva-lhes esta flor
em que a seiva livre de novo corre
diz-lhes que é perene
o seu perfume que à sua cor
até o sol e a lua murcham

diz aos irmãos, a Pedro a João
e aos demais
que o Mestre vive

Rui Miguel Duarte

25/03/10

(1) Ressurreição, em grego.
(2) Tradução literal da expressão hebraica que designava o primeiro dia da semana lunar. O "sabbath" (donde sábado), era o último dia, dedicado ao repouso e refrigério espiritual, físico e emocional e passou a designar por metonímia, na expressão aqui traduzida, todo o ciclo dos sete dias.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Eu sei em quem tenho crido!



"Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou.
E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam.
Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.
Mas, de fato eu vos afirmo, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem." (I Coríntios 15.12-20)



Romances, livros, filmes, documentários, alguns bem, outros nem tão bem intencionados assim, tentam de todas as formas convencer-me, hoje, de que aquele que confesso ser o meu Senhor não ressuscitou. Que a crença que os cristãos professam não passa de mais uma lenda absorvida pela história como uma ficção que ganhou status de verdade e dogma religioso através de perseguição e imposição política.

O que estão gritando a plenos pulmões, de cima dos telhados da mídia e dos guetos neo-pagãos, é que a Igreja tomou emprestado figuras mitológicas e forjou sua própria divindade. Transformando um homem comum, que teria passado desapercebido pela história não fosse sua personalidade carismática, em Deus.

Comparam o homem Jesus a Buda, Moisés, Mohamed, Merlym, Maytréia e tantos outros “iluminados” que passaram e passarão pela nossa história, afirmando que há tanta salvação em Jesus Cristo como nestes outros homens.

Negam o pecado, o Bem e o Mal personalizados em alguma divindade ou lados opostos, dizendo aos seus prosélitos e vocacionados: um ou outro não importa, você é seu próprio deus, dono de si mesmo e de suas atitudes. Para provar suas “verdades” e afirmações oferecem o poder de dobrar as forças da natureza para seu próprio interesse, disponibilizando “segredos antigos” e o contato sobrenatural com “mestres espirituais” que dão aos iniciados nos mistérios da magia e da mediunidade a possibilidade de verem materializados a resposta imediata de seus deuses, invocações e encantamentos.

Alguns mais inflamados anunciam o fim do cristianismo como religião histórica. Proclamam um retorno às antigas tradições e se auto-intitulam os verdadeiros arautos do Criador ou da Criadora, como preferem outros.

Nesta desacreditada páscoa, especialmente, quero convidá-lo(a) a refletir sobre o profundo significado e verdade que há nela. Mais do que uma disputa de verdades ou de ideologias e sistemas de crenças religiosas para saber quem está com a razão. Mais do que uma briga política entre cristãos e não cristãos, precisamos estar aptos a dar respostas seguras, mesmo diante de refutações muito bem arquitetadas, sobre o “porque cremos”. Esta resposta não está somente na letra, no texto bíblico estudado. Ele é importante e essencial, é nossa regra de fé e conduta, mas é necessário trazer esta verdade de Deus revelada na Palavra para nossa existência. Do contrário nossa experiência religiosa será rebaixada a uma mera filosofia ou mitologia. Aqueles que experimentam sua fé apenas de ouvir falar e possuem pouca ou nenhuma vivencia com Deus no seu dia-a-dia terão muita dificuldade para dar respostas satisfatórias aos crescentes questionamentos e afirmações que fazem ao cristianismo atualmente.

Mais do que uma resposta ou defesa apologética da fé cristã, baseada simplesmente no conhecimento histórico, o que precisamos hoje é experimentar a presença real e poderosa de Deus, conhecer Deus e fazê-lo conhecido como Ele realmente o é. Há no mundo uma infinidade de “vozes divinas”, cada uma delas chamando para si a qualidade de verdade. Algumas dessas deidades apresentam sinais e maravilhas para reivindicar e comprovar este status. O desatento e desorientado poderá enganar-se facilmente e deixar-se ser engolido pelo sinal apresentado, mas aquele que consegue reconhecer a doce e realmente poderosa voz de Deus saberá onde encontrar a verdade.

Conhecimento por conhecimento, revelação por revelação, sinal por sinal, nada se compara à autoridade e ao poder da ressurreição no nome de Jesus Cristo, que subjuga principados, potestades, dominadores e espíritos imundos nas regiões celestiais. Que quebra toda e qualquer cadeia de engano, que descortina o entendimento, leva cativo ao senhorio de Cristo os nossos pensamentos e nos purifica e livra de todo pecado e maldade.

Sim, antes de procurarmos contra-argumentos aos questionamentos que recebemos é preciso resgatar o senhorio, autoridade e poder de Cristo em nossa vida e mente através da entrega quebrantada e submissa. Nós não somos os primeiros a precisar responder a este tipo de afirmação feita pelos que não crêem. Desde o início da era cristã, existem aqueles que afirmam não haver redenção em Cristo Jesus, tentando anular a ressurreição. O Apóstolo Paulo os confrontava não somente no conhecimento ou argumento da palavra, mas principalmente no poder de Deus, e aqui é onde saímos da esfera do conhecimento humano, natural, para o agir e convencer poderoso do Espírito Santo. É a ação do Espírito de Deus que convence o homem do pecado, da justiça e da salvação em Cristo Jesus.

Certamente a Igreja, você e eu, precisamos retomar o caminho da comunhão em santidade com o Pai. A verdadeira revelação de Deus brota nestes momentos de entrega e submissão à sua vontade. Somente a santidade em amor consegue manifestar e revelar sem barreiras o poder de Deus, e enquanto houver pecado em nossos púlpitos e altares, haverá dificuldade de convencer o mundo do seu próprio pecado e da justiça do Senhor.

Minha oração é para que nesta páscoa haja uma profunda revelação do poder da ressurreição do Senhor em sua vida. Desejo que sua experiência com Deus seja não somente no conhecimento intelectual, de ouvir falar, mas principalmente no andar com Ele, em espírito e em verdade.

Eu creio na ressurreição e na Vida Eterna, creio no Sangue do Cordeiro que tira o pecado do mundo, creio porque tenho experimentado desta realidade do Senhor. É vontade de Deus relacionar-se pessoalmente com cada um de nós, como sinal da graça e do seu Reino, como manifestação da justiça e misericórdia Dele em nós. Permita-se ser envolvido por esta verdade.



Jesus Cristo ressuscitado e vivo lhe abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!


Leia outros textos do pastor Pablo Massolar
acessando o blog Ovelha Magra (
ovelhamagra.com)