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sábado, 6 de dezembro de 2025

E-book gratuito: As Mais Belas Citações sobre o Natal

 

A mensagem do Natal: Não há maior poder do que o amor. Ele supera o ódio como a luz supera a escuridão.

Martin Luther King

 

Natal é o sinal de que Deus, em vez de nos olhar de cima para baixo, preferiu nos olhar nos olhos.

Lucas Lujan

 

Questiona-se se pode haver Natal quando de quase todos os lares foram arrebatados entes queridos, pais, filhos, em muitos casos paira a certeza, em todos, a ameaça de que jamais retornarão. O Natal, no entanto, é a comemoração do júbilo, e ainda que a casa não esteja alegre o bastante, ele não deixa de existir, pois procura então o mais recôndito recanto onde também o luto pode transformar-se em festa – o abrigo do coração.

Rainer Maria Rilke (escrevendo à sua mãe, durante a Primeira Guerra Mundial)

 

Natal não é uma estação. É um sentimento.

Edna Ferber

 

Bendita seja a data que une a todo mundo numa conspiração de amor.

Hamilton Wright Mabi

 

Natal é uma época não só de festas e alegria. É muito mais do que isso. É uma ocasião para refletirmos nas coisas eternas. O espírito do Natal é de doação e perdão.

J. C. Penney

*      *      *      *

Guerras, pandemia(s), crise climática: O mundo suspira, e tem feito suspirar já há tanto... As pessoas clamam por um alívio e mais, uma solução, uma explicação e sentido para o transcurso das coisas, um sentido ou porquê para seus dramas pessoais e os dramas da espécie.

Em meio a esse turbilhão de problemas e questionamentos, o Natal é um refrigério, um momento de reequilíbrio de forças e afetos, de re-união e alegria.

No entanto, o Natal tem tido seu sentido diluído pela liquidez consumista que, em sua sanha, têm regulado por baixo as sociedades, robotizando ações e corações. Mas o Natal é fundamentalmente a festa da esperança, e esperançar é resistir.

Aqui, coligidas dos mais diversos autores, reunimos (mais de 150) frases de luz, alegria e sabedoria sobre esta data que congrega a todos nós, em maior ou menor grau, na busca de um conforto, uma trégua de paz, memória e acolhimento.

Leia e compartilhe estas frases e este e-book, que é gratuito, com seus parentes, amigos e inimigos, se tiver algum. Sim, celebrar o Natal é celebrar a trégua e o perdão, a vida e o renovo.

PARA BAIXAR O SEU EXEMPLAR (FORMATO PDF) PELO GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.


domingo, 27 de outubro de 2024

15 breves reflexões sobre Jesus Cristo, por Sammis Reachers

 


Jesus encarnado é a quebra da meta-alteridade de Deus, o infinitamente inapreensível tornado infinitamente ao lado.

 *   *   *

A um tempo Fonte e Receptáculo de todos os tesouros da Ciência e da Sabedoria: enquanto permanecermos reféns do pó, jamais entenderemos tudo o que Ele FUNDOU naquela CRUZ. O mistério da encarnação, a sublimação máxima: um muro para o entendimento, uma esperança instigante para os ainda agrilhoados ao pó, pela revelação vindoura da glória imarcescível - e então PLENAMENTE compartilhada.

 *   *   *

Quanto mais acumulo quer riquezas quer dívidas, amigos ou opositores, decepções ou alegrias, e experiências com os anos de vida, mais percebo que, estando cheias ou vazias minhas despensas, para tudo, sobretudo e contra tudo, Jesus é tudo o que tenho.

Sou um cristão e, deixados os eufemismos no capacho, isso significa que não há um centímetro do corpo de Cristo que eu não tenha apunhalado, e persista em perfurar novamente, num vai-e-vem tragicômico de crimes e arrependimentos. Cada segundo de respiração minha é um absurdo, uma explosão milagrosa, cataclísmica, de perdão e graça. Kierkegaard falava com razão que a fé verdadeira exige um salto para o absurdo, e a loucura da cruz, do Deus apunhalado, é esse absurdo.

 *   *   *

Seria impossível aproximarmo-nos satisfatoriamente de Deus se Ele não se tivesse feito homem. E isso não pela ausência ou ineficiência de qualquer revelação, mas sim porque, seres caídos (e isso significa: mui distanciados), ser-nos-ia impossível evitar a desconfiança, seja da maior das graças, seja do maior dos deuses, tão distanciadamente alto, que vê-lo é impossível, vê-lo é morrer. Mas, como desconfiar do andrajoso Rabi, o melhor dos homens?

 *   *   *

Seria impossível aproximarmo-nos satisfatoriamente de Deus se Ele não se tivesse feito homem. E isso não pela ausência ou ineficiência de qualquer revelação, mas sim porque, seres caídos (e isso significa: mui distanciados), ser-nos-ia impossível evitar a desconfiança, seja da maior das graças, seja do maior dos deuses, tão distanciadamente alto, que vê-lo é impossível, vê-lo é morrer. Mas, como desconfiar do andrajoso Rabi galileu?

 *   *   *

A um tempo Fonte e Receptáculo de todos os tesouros da Ciência e da Sabedoria: enquanto permanecermos reféns do pó, jamais entenderemos tudo o que Ele FUNDOU naquela CRUZ. O mistério da encarnação, a sublimação máxima: um muro para o entendimento, uma esperança instigante para os ainda agrilhoados ao pó, pela revelação vindoura da glória imarcescível - e então PLENAMENTE compartilhada.

 *   *   *

Eu não sei quem eu sou, mas Cristo, sei bem quem tu és. E sabendo quem és, em ti encontro quem sou.

 *   *   *

Às vezes pode ser cansativo, algumas vezes até irritante, e vezes há que até mesmo, sim!, é humilhante.

Mas nada se compara ao suportado pelo CORDEIRO.

ELE é digno. No dia mau, na crise, quando não puder suportar sequer a expressão do próximo, ou quando não puder suportar sequer o seu próprio rosto no espelho, olhe nos imutáveis olhos do Cordeiro. Apanhe força, arranque-a da Fonte.

Continue seu combate, seu serviço, sua missão.

 *   *   *

Maria busca a máscara chamada filhos; João, a máscara dita paz. Antônio a máscara poder, Marcela a máscara fama. Desmascaradas suas fragilidades, o que todos buscam é por redenção. E só o Cristo, aquele que ressuscitou, a possui e a dá, graciosamente, a quem lhe pede.

 *   *   *

Somos deuses suicidados, ressuscitados por Deus que por nossas mãos se suicidou.

“A palavra da cruz é loucura para os que perecem”.

 *   *   *

Deixar de compartilhar a verdade com medo de magoar o ouvinte, é acabar magoando a verdade.

E a verdade não é uma relatividade ou generalidade, mas uma singularidade, um ‘norte’ fundacional para todas as coisas. Ao fim e ao cabo, a verdade é uma pessoa: Cristo, de onde toda verdade emana.

 *   *   *

Há rei que peça que você mate; há Rei que peça que você morra. Inevitavelmente um desses dois vai definir seu estar e seu porvir. O que lhe solicita que morra é na verdade Senhor da Vida, e a dará a você, a Vida além do tempo, além do calculável. O que ordena que você mate, ao fim e ao cabo nada pode, senão morrer contigo, e arrastá-lo para compartilhar para sempre de seu castigo, o castigo dos usurpadores. Pois só existe um Rei.

 *   *   *

Em Cristo as genealogias são pó, assim como é pó toda honra obtida ao largo da cruz.

 *   *   *

Toda rota que não leva a Cristo é rota de colisão.

 *   *   *

Descobrir que Jesus existe,

Descobrir quem Ele é:

Eis tudo.

_________________________________

Sammis Reachers

Outras frases e reflexões do autor podem ser encontradas no pequeno e-book gratuito Sabenças & Sentenças da Missão. Para baixar o arquivo do livro, CLIQUE AQUI.




sábado, 17 de julho de 2021

Nascemos e morremos entre lágrimas - Por quê?


 "Ouça o choro de uma mulher em trabalho de parto, no momento em que está a dar a luz - olhe para a luta do homem moribundo, em seus últimos estertores, e então me diga se algo que começa e termina assim pode ser planejado para diversão." - Soren Kierkegaard

Meu amigo, minha amiga, há uma névoa de DOR instalada sobre todas as coisas, e um vazio - ora barulhento, ora silencioso - em nossas vidas, do primeiro ao último dia. A vida é mais do que se divertir e correr atrás de uma pretensa felicidade, constantemente fazendo de conta que as coisas ruins da vida não existem. Nossa vida possui um sentido maior, sentido de cuja percepção nossos pecados nos mantêm distantes. E a compreensão desse sentido - E O ENTENDIMENTO DE QUE NÃO NASCEMOS PARA A DOR - passa pela nossa re-ligação com nosso Criador, através da ponte que Ele estabeleceu não numa religião, mas numa pessoa, Cristo Jesus.
Em Cristo está a resposta para nossa angústia e a conquista final daquilo para o que fomos criados - a união com Deus, livres das consequências do pecado, consequências que conhecemos e sofremos como DOR e MORTE.
Apanhe uma Bíblia aí em sua casa, caso possua, e a abra na ÚLTIMA PÁGINA. Você estará então no capítulo final (o de número 21) do livro de Apocalipse, que fala das coisas que em breve irão acontecer. Encontre e reflita neste trecho bíblico: "Ele [Jesus] enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou". Ap 21.4

S. R.

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Poemas cristãos do livro CARTAS E RETORNOS, de Sammis Reachers


O seminal poeta curitibano Paulo Leminski é autor, dentre outros, do livro Distraídos Venceremos. Tal título ou expressão singular me veio à memória ao refletir sobre o volume que o leitor agora tem em mãos: Foi sem perceber ou dar-me conta, assim, distraidamente, que cheguei a este meu décimo livro de poesias. A surpresa deve-se ao fato de que sempre consegui maior prazer atuando como antologista e editor do trabalho alheio do que focalizando minha produção autoral, que correu como que por fora, nesses pouco mais de vinte anos de atividade literária.

Neste Cartas e Retornos, o leitor perceberá que busquei construir fundamentalmente um livro de adjetivações, frutos – ou sementes? – de uma poesia onírico-descritiva, arte/artesanato sequencial de definições poéticas sobre temas ou objetos variados, os “destinatários” aos quais as cartas fazem referência.

Nessa busca de comunicar a magnificação de cada destinatário, não apenas imagens, mas, fazendo jus à licença que pesa sobre os poetas, palavras precisaram ser criadas, seja em neologismo, seja numa das muitas outras formas de parto de palavras que nossa língua conhece e experimenta. Um experimentalismo não de sabor insosso como por vezes vemos sendo praticado mas, sim, uma prazerosa peregrinação em busca do surpreendente – amparada em palavras e expressões que o suportem.

Desde muito jovem tomei para mim uma assertiva do filósofo brasileiro Vilém Flusser: “A poesia aumenta o campo do pensável”. Deste esforço de expandir percepções, de aumentar as formas de bombear de um coração com o sangue dos signos, jamais pude me libertar, malgrado minhas humildes possibilidades criativas.

Às mais de cinquenta Cartas, diversas, como dito, em tema ou objeto, seguem-se alguns Retornos: Poemas de maior hermetismo, onde o jogo de luzes e sombras (chiaroscuro) ganha maiores ares. O livro se conclui com poemas outros, de variada temática e envergadura.

Que este humilde livro possa, com sua carga onírica e algo perturbadora, balançar alegremente suas percepções e empurrá-las, assim, como quem não quer nada, para a expansão.

O livro possui 110 páginas, e está disponível por R$ 22,00, JÁ com o valor do frete por Correios incluído. Para adquirir o seu, escreva para o e-mail:  sreachers@gmail.com 


ALGUNS POEMAS DE CARÁTER CRISTÃO DO LIVRO:


Carta aos Fariseus

 

aquele que bem mata a palavra

é soldado a mando de quem?

seu soldo, concretudes sem

batismo, qual seu sabor

no palato, qual seu peso

na sacola?

 

vós néscios sob quem

a frágil ponte fraqueja,

vós os assassinos de profetas poetas,

quem vos pariu assim, suicidas?




Carta ao Cristo

 

Conquistador em andrajos

Pétala de Sangue

Amor embaraçoso

Azorrague de Deus e retardador do azorrague de Deus

Farta gordura de cordeiro

Que faz enfartar o inferno

Coágulo, pedra de tropeço, entupimento

Inter rupção do fluxo do coração

Da Morte

 

Equalizador

Logosfera

Deus que baixo habita

 

Companheiro de más companhias

Nota promissória contra o fracasso

Da História

 

Patada de trivela no peito de Satanás

Magra mão atravessada de quem nada escapa

Cosmokrator, fonte a jorrar, menor dos homens

Cordeiro que guarda o pastor, leão que costura os dilacerados

 

Senhor dos Senhores – reverta nossa dispersão,

Para de reencontro a ti




Carta ao Perdão

 

Ideia parturiente

primavera para sempre

presente raro

 

Cristoterapia

panaceia dos mundos

flecha de ressuscitar

 

Arte de partir gaiolas

testada contra as muralhas

 

Riso mudo

inconsútil abraço concentrado

gesto canoro, alado, pacificanário

constritor da morte

construtor da vida

 

Paralelepípedo de luz

atiçado contra a cabeça da serpente

 

Perdão, flor-fortuna

que enriquece e perfuma

a quem o despende




Carta aos Missionários

 

Você a esperança

Em pés de barro

Você ave de barro

Você asa de barro

Você construto de barro

Como nós, e de quem

Esperamos tanto

Perdoa-nos

 

Heroicizamos sua vida e cegos achamos

Que o carbono de sua carne

É na verdade aço

Mas você chora e sangra como cada um de nós

Só que com mais frequência

E estamos longe, longe demais e

Alheios demais

Para chorar contigo

Perdoa-nos

 

A cada carta que se arrebenta

Contra nossa indiferença, e-mails

Não abertos, o abraço que lhe negamos;

Nossa avareza, deusa lar de que não nos livramos,

Que nos impede de irmos, segurarmos a corda, intercedermos,

Sequer lembrarmo-nos de que um dia um de nós foi enviado:

Perdoa-nos; ore por nós, ó irmão de mais lágrimas,

Deite-as por nós, os miseráveis do Reino, braço mirrado

De Cristo: pois sequer sabemos de quantas curas carecemos.

E corações ardentes, que de milagres temos fome, de milagres

Tem fome o mundo que nos espera e morre

Enquanto em paz nos deitamos e levantamos, em o nome do Senhor.

 

Que o Senhor nos perdoe através de teu perdão, meu irmão.




Carta à Bíblia


Atlas ígneo

Sendero luminoso

Mapa do parakletos

Verdade desembainhada

Cortante pungente irmanante

Rasgo na cortina do templo

 

Talho no papiro do tempo

Ancoradouro civilizacional

Teotapeçaria

Adaga vara-caos

Final de todos os caminhos,

Farol, sinal, ultimato

Candelabro aceso pelo Sangue

 

Tomo central do ocidental

Cânon literário, hiero-herbário

                Onde a vida pulsa

 

Legislação de tudo

Desfibrilador do mundo

                             Educandário

                                     & escadaréu

 

Orquestra de virtuoses de pó

66 partituras em mãos

dum Espírito regente

régio & magistral

 

Cantil

De néctar

Ou benzetacil

 

Hebreia epopeia & farmacopeia

Estação fidelidade, livro de habitar




 Carta aos Suicidas


Eu e você somos um.

Menina que queria ser homem, eu e você somos um

Nesta fome que nos mói, sede lenta que nos arrebenta,

Sonho de aniquilação, que não vemos donde vem

Mas que parece vir lá do dentro

Isso que não queremos mas que tudo em nós diz para querermos

 

Nosso crime descoberto, nosso corpo vil, nossa perfeita, matemática

Inadequação que a tudo se encaixa

Sim, não poderemos olhar nos olhos deles amanhã,

Pois sequer suportamos nosso vil olhar no espelho!

Eu e você somos um, olhar desesperado

Tudo que queremos é a morte, tesouro sem fim

 

Mas nosso tesouro foi pilhado, apresado por um

Que morreu como gostaríamos

Mas estranhamente escolheu voltar, pois ele podia

Dar-se ao luxo:

Voltou para que, como eu você somos um, fôssemos um com ele

Voltou da morte para dizer que não precisamos dela

Não nos importa conhecê-la, ela é apenas vil,

E não é fim, mas alçapão: escada para baixo, para

Outra maior forma de morte, nem lenta: eterna

Nem dolorosa: esculpida num bloco de dor

 

Uma figura um nazareno maltrapilho lotado de amor desconcertante

Fez como um caminhão de flores que capota, rodopia

E cai de pé e de volta, espalhando toda a carga de flores pelo caminho

Pelas nossas cabisbaixas cabeças que se levantam

Espantadas de alguém que diz estranhezas tais:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas.” (Mateus 11.28,29)

Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá.” (João 11:25,26)

Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” (João 10:11)

Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.” (João 6:35)

 

Mensageiro e Ele próprio uma carta viva a nós endereçada

A todos os viventes remetida, mas como que especialmente

Para nós os últimos, pois somos da criação e da dor

Aqueles mais habilitados a saboreá-la, a compreendê-la

– A ela esta carta viva doadora de Amor e doadora de Sentido –

E a dela nos apropriarmos para alimentar esse nosso desejo de morrer

Até que ele se cale e finde, exploda tendo seu estômago negativo

Entupido com as palavras de Vida do bom Jesus,

O que nos entendeu, o que nos amou, o que pagou pelo que não poderíamos.

Jesus que anseia nossa companhia, meu Deus!, logo a nossa,

Nós os insuportáveis, nós que não nos suportamos, que nos fechamos

No quarto, ele nos chama para fora, ele realiza uma festa

Meu Deus, uma festa!,

E não é como as festas que vemos das pessoas excelentes,

Ele realiza uma festa para todas as pessoas, até as últimas pessoas

Não há preconceito em seus olhos nem traição em seus atos

Ele ama a todas as pessoas e nos convida a amarmos com ele,

A sermos o amor dele andando por aí, convidando para a festa,

Encontrando os outros trancados nos quartos, nos corações,

Encontrando-os e dizendo eu lhe entendo, encontrando-os

Para lhes enxugar as lágrimas de solitários e dizer:

Eu e você somos um. E há um outro, maior do que nós

Que é um conosco. E vamos morar com Ele.




Retorno à Alameda São Boaventura, 1071

 

O abraço do obreiro na porta da congregação

Aquela sensação oceânica de casa

Fui enredado pela paz que combati

Refundado em ágape, da fugacidade do frágil

                                                                           desp(ed)ido

 

Âncora para meu caos fez-se a Tua palavra,

E cais contra meus naufrágios

 



Tríptico Paulino

 

Só em Fé

               eu sei

 

Só em Esperança

                            eu posso

 

Só em Amor

                    alcanço

                                alcançarei

 

 


Feérica

 

A fé não atenta

contra a razão.

 

Pelo contrário:

A verdadeira fé

usa a razão

como um cavalo.

 

Num jogo de

senhor e servo?

Não, mas num jogo

de centauro.

 

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Jesus e a Música das Esferas, um conto de Sammis Reachers


Jesus e a Música das Esferas

      Éramos apenas eu, João e André, com Ele na face norte do monte Shir, defronte ao mar da Galileia. Os demais companheiros permaneceram em Tiberíades, em casa de Zebulom, colaborador judeu egresso do Ponto.
    Sobre o pico do monte, sendo fustigados por fortes ventos, Jesus convidou-nos a sentar. A seguir, abrindo o seu alforje, retirou uma flauta. De minha parte jamais a vira; quedei, como os demais, em abnegado e atônito silêncio. Levou o Rabi a flauta à boca; antes do toque entre lábio e madeira, julguei ter visto um sutil sorriso, que Ele só liberava quando prestes a externar esplendor.
    Quando a música, robusta, estabeleceu-se pelo ar, o ventou apertou. O mar lá embaixo encrespou-se, ondas passaram a estrugir contra as rochas, levantando uma fresca nuvem de gotículas que sobrescalavam até o alto da montanha, borrifando nossas faces. Permanecíamos sentados, enquanto Deus-andarilho tocava sua flauta.
    Houve um hiato na melodia; mas breve o Senhor retomou a música, agora suave e terna. O mar como que silenciou, enquanto multidões de aves marinhas passaram a sobrevoar o mirante em que estávamos, realizando sua marcha perfeita, como as Legiões de César. Absortos, éramos enlevados por seu baile, e curados pela música.
    André sorria maravilhado, tornado à infância pelo deslumbre. João conservava a expressão grave, o susto seco de quem faceara o abismo e a impossibilidade. Aproximou-se ainda mais do Senhor, como sempre fazia em momentos como este. Quando Ele novamente pausou a música, perguntou-lhe:
    — Mestre, é maravilhosa a melodia, e jamais ouvimos nada assim. Sequer já o vimos tocar; por que nos ocultou tal cousa? O Senhor poderia tocá-la para que os demais discípulos, ou mesmo todas as pessoas a ouçam? Dariam nisso mais glórias a Deus!
     O Mestre, que por João nutria perfeita ternura, sorriu.
    — Todo aquele que quiser pode ouvi-la, João; desde que criei esta Terra, a melodia jamais cessou de tocar. Ela respira quando tu respiras, e firma o chão sob teus pés, quando caminhas; ela dá crescimento às plantas e move as esferas. A tudo une e anima; leva a traz minhas ordenanças. Ela é minha Palavra criadora ininterrupta, que existe e subsiste em forma de música. Quando é preciso, como agora, ela recrudesce à forma de palavra de homem, assim como eu próprio esvaziei-me até a forma de filho do homem. Aguce teus ouvidos, ó menor de meus irmãos: Não pode ouvi-la?
   João silenciou, sustentando seu olhar de assombro, agora o dirigindo, inquiridor, para a paisagem.
    — E você, Mateus, pode ouvi-la?
    Deitei-me sobre a rocha; fechei os olhos, como quem se estende sobre a fruição, o devir. Não sentia, como João ou como quem é ferido por um aguilhão, tolhido por cadeias, necessidade de racionalizar. Aleijado na humildade de minha condição de pó, nada respondi ao Mestre - mas num repente o silêncio atmosférico, o próprio silêncio cósmico pareceu ganhar cores em meus ouvidos, numa vibração surda que ia preenchendo dimensões que eu sequer intuíra existir, e como que a tudo completava, ligando, ponto a ponto, a todas as coisas.
    Cerrando com ainda mais força os olhos inundados, sorri.


Nota ao leitor desavisado: Caro leitor, claro está que a situação aqui relatada jamais aconteceu, sendo uma perfeita ficção. Tão ficção que o palco onde transcorre a ação, um monte Shir (do hebraico, música), jamais existiu.

Sammis Reachers