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sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Jesus era da judeu ou palestino? Historiadora esclarece a questão

Por uma questão ideológica e até mesmo antissemita, muitos têm promovido a falsa ideia de que Jesus era “palestino”, no sentido de que não havia naquela época uma Judeia, mas toda aquela região era nomeada Palestina. Muitos citam até fontes, distorcendo a seu favor as informações. Neste vídeo, uma historiadora cristã rebate tais falácias, demonstrando, através de fontes históricas contemporâneas a Jesus, que o termo Judeia era também largamente empregado.


Via blog Segredos do Eterno.


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Livro gratuito reúne 365 Citações de Martinho Lutero mais as 95 Teses - Baixe o seu

 

        Há poucos anos comemoramos nada menos que quinhentos anos de Reforma Protestante. Assim, redondos, perfeitos. Quinhentos anos depois, devemos ter e manter por mote capital o lema proposto pelo reformador holandês Gisbertus Voetius (1589-1676): “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (“A Igreja é reformada e está sempre se reformando”). A frase significa que a obra da Reforma não está concluída, mas persevera ou deve perseverar em seu avanço em direção à verdade e à vivência de um cristianismo a cada dia mais bíblico (há quem utilize o termo apostólico, perfeitamente válido) e equilibrado.

        Se a Reforma representou um retorno ou reaproximação à verdade, tal verdade deve ser comunicada com urgência e ímpeto; ímpeto maior do que o daqueles que comunicam o engano, cada vez maior, em cada vez mais variadas formas. Cremos que a Reforma é um movimento engendrado em Deus, peça de perfeito encaixe dentro de seu Kairós, seu tempo; movimento que aponta para conserto dos agentes e engajamento na ação, ou seja, reerguimento da Igreja e/para o cumprimento da Grande Comissão. Assim, a Reforma é um prenúncio da volta do Rei, e um movimento fundamental de seu glorioso retorno.

      No Brasil atual, as mais diversas instituições, sejam eclesiásticas, para-eclesiásticas ou seculares, realizam eventos e  publicações em celebração e memória à vida e obra de Lutero. Digno de nota são os esforços da Igreja de Confissão Luterana do Brasil, de cujo site coligimos mais de metade das frases aqui veiculadas, bem como o texto das 95 Teses.

      Este breve e-book, em sua humildade, simplicidade e gratuidade, vem somar-se ao volume de realizações em comemoração ao 503º aniversário da Reforma Protestante. E proporcionar a todos um singelo aprofundamento no pensamento daquele que, apoiado nos ombros de gigantes, verdadeiramente deflagrou a Reforma ensaiada por muitos, dos quais diversos pagaram a ousadia com sua própria vida.

Sammis Reachers, editor

PARA BAIXAR O LIVRO PELO SITE GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.

sábado, 16 de setembro de 2017

O capitalismo e o comunismo no que possuem de mais sórdido, na NetFlix


Assisti nesta semana a dois filmes bem diferentes, dois filmes (na Netflix) para você aprender sobre SORDIDEZ.
 Em First They Killed My Father vemos a colheita maldita que foi a implantação do comunismo no Camboja, pela história real de uma família desfeita nas fazendas coletivas, alistamentos compulsórios e outras fornalhas marxistas.
Já em Capitalismo: Uma História de Amor, de Michael Moore, o alcagueta-mor do Império, vemos a sordidez inacreditável do capitalismo e seus mecanismos de vampirização e prostituição daquele que foi feito à imagem e semelhança de Deus.
Dois filmes para aprendermos sobre SORDIDEZ, sobre sistemas que em suas raízes e processos (práxis, práticas) negam o cristianismo ensinado no Sermão do Monte; para aprendermos que um outro caminho precisa ser tomado.
Recomendo que você os assista. Como gosto de provocar, são filmes para serem exibidos nas EBDs das igrejas.

Construir a justiça e viver o Sermão não são tarefas fáceis ou redutíveis a maniqueísmos; pelo contrário, são as cargas mais pesadas já dadas, a longa porta estreita que indica que, sim, um outro mundo é possível, mesmo neste rascunho traçado em pus (nosso mundo), mesmo enquanto esperamos pela nossa Pátria Celeste.

Sammis Reachers

domingo, 30 de novembro de 2014

O Sofrimento dos Filósofos, livro de Júnior Fernandes


Abarcando quase 2.000 anos de história da filosofia, o livro O Sofrimento dos Filósofos (Biblioteca 24 Horas, 130 páginas, 2014), do escritor e professor de filosofia Júnior Fernandes, leva o leitor ao encontro de vidas notáveis, diversas delas marcadas pelo trágico, mas todas inalienavelmente calcinadas pelo misto de hombridade e curiosidade mesmas que levam um homem a desposar a filosofia.
Traçando o panorama das vidas e sofrimentos de tantos filósofos (são 24 os autores analisados), tantos mestres do pensamento, Júnior Fernandes acaba fazendo um elogio da filosofia, como força a sustentar a fluição humana, e a indicar, com firmeza e paz, como lutar, quando lutar e a questão mais dura que ao homem se apresenta, quando deixar de lutar.
De Cícero a Sêneca, de Kierkegaard a Deleuze, de Tomás de Aquino a Kant, grandes homens são aqui abordados, em capítulos concisos e de leitura agradável, que causam no leitor aquela inigualável vontade de não interromper a leitura até que o livro termine. Um mérito, por si só, que muitos autores buscam, mas pouquíssimos conseguem lograr.

O Sofrimento dos Filósofos é um prazeroso convite à reflexão e à história da cultura e do pensamento, abordados pelo singular viés da dor e da angústia existencial de que todos os homens, sem exceção, são vítimas .
Sammis Reachers

A aquisição da Obra pode ser feita por meio dos sites das editoras Biblioteca 24Horas e Livraria Cultura, respectivamente, www.biblioteca24horas.com e www.livrariacultura.com.br e, ainda, pelo www.amazon.com. 
Boa leitura, a todos!


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Mandela, homem de outro tempo

Nelson Mandela (1918-2013)
  Por George Gonsalves

Sou um privilegiado. Vivi na mesma época em que também viveu Nelson Mandela. Dizem que os homens só se tornam célebres quando morrem e, às vezes, muito tempo depois. Assim, Leonardo da Vinci não era considerado um gênio tão grande em vida. Também  Beethoven não era sinônimo de música clássica no início do século XVIII. Mas com Madiba, como era conhecido, foi diferente. Mesmo vivo, ele foi reconhecido com um dos grandes homens dos séculos XX/XXI. Daqui a cem anos ainda se falará dele, mas a morte não o elevou a um patamar maior do que àquele que ele alcançou em vida.
     Contudo, chego a pensar que Mandela é um homem de outro tempo. Numa época em que o mundo cultua celebridades vazias e proclama a vingança como virtude; em tempos em que pessoas não são capazes de sequer sofrer por aquilo que mais acreditam e que líderes políticos só pensam em se locupletar, eis que viveu Mandela. Nascido e forjado para o ódio e a vingança, soube “relevar”, como ele mesmo disse. Não temeu morrer para ver o ideal de uma nação em que a cor da pele não decidiria o futuro dos homens. Depois, não usou o poder para destruir os que o odiavam.
      Esta noite poderei dizer aos meus filhos que há mais do que gente mesquinha, covarde e vingativa no mundo. Poderei dizer que os homens aplaudiram Mandela, não por suas façanhas esportivas ou mesmo artísticas, mas porque ousou pregar o perdão em uma terra de guerra. Ele faz nos lembrar de outro homem que, como Mandela, nasceu em um lugar pobre (Belém) e em conflito, anunciou o perdão de Deus aos homens e nos ensinou a perdoar-nos uns aos outros. Deste, o mundo precisará muito mais.


sábado, 18 de agosto de 2012

O HERÓI DE ABETAIA, poema de Mário Barreto França

                      Pintura a óleo "Os 17 de Abetaia" - Otton Arruda Lopes 
                              Exposto no Museu da FEB - Belo Horizonte, MG.

"O HERÓI DE ABETAIA"

(Ao Regimento Sampaio e ao heroísmo do Sargento
Luiz Rodrigues Filho e do Capelão João Soren.)

...E a notícia correu, levando esse desfecho:
- "O Brasil declarou-se em guerra contra o Eixo!..."

O Sargento Luiz ouvia o rádio em casa;
E diante dessa nova, o coração lhe abrasa:
Pensou no Baipendi e nos outros navios,
afundados de noite, em meio aos desafios,
dos agressores vis, cobardes, desalmados,
que metralhavam rindo os botes apinhados,
de desvairadas mães, de filhos que choravam
e de esposas que ainda as ondas perscrutavam.
- Quem sabe? - para enviar um vislumbre de paz
aqueles que  - talvez - não voltariam mais...

E, cônscio do dever que a disciplina exige,
farda-se incontinente e ao quartel se dirige,
para se apresentar e ter o seu fuzil
com que defenderia a honra do Brasil...

Alguns meses depois, com a gloriosa F.E.B,
nalgum porto da Itália, ele também recebe,
de outros povos irmãos, a homenagem primeira
ao canto do hino pátrio, em frente da bandeira...
Nesse instante febril sua alma se extasia,
na ânsia de defender essa democracia,
que, em nome da justiça, acena para o mundo,
prometendo um futuro esplêndido e fecundo.
Onde o Direito e o Bem, irmanados no Amor,
fazem da vida um céu de primavera em flor...

Certo dia foi dada uma ordem ao Regimento
Sampaio, de avançar...
E a missão do Sargento
Luiz era envolver, pelo flanco, Abetaia.
- Um lugarejo que servia de atalaia,
ao exército alemão, que no Monte Castelo,
aguardava o sinal para o combate... -
Belo
e forte, ele dispôs seu grupo para o ataque,
dizendo - "Cada qual se bata com destaque,
procurando elevar bem alto a nossa terra,
defendendo as razões que trouxeram à guerra,
as forças do Brasil! Que cada um se convença
que o mundo de amanhã lavrará a sentença
de morte ou de perdão pelos feitos de agora,
que  hão de servir de marco à inolvidável hora
desta época que tem como escopo a Verdade.
- Suprema aspiração de toda a humanidade!"

E a luta começou. O sibilar das balas,
as chamas a rolar pelos bordos das valas.
Morteiros explodindo e canhões ribombando,
bombardeiros do céu granadas despejando.
E gritos, e explosões, e pragas e gemidos,
e os horrores da morte e o sangue dos feridos.
Tudo se misturava em delírio profundo,
sob o luto da noite, amortalhando o mundo...

O heróico grupo avança... Está  quase cumprida
difícil missão por ele recebida...
Já são poucos, então...

Calaram-se os canhões...
O inimigo abandona as suas posições...
É o assalto final...
O inimigo recua...
Mas... sobre o chão da Itália, à frouxa luz da lua,
os corpos dos heróis, frios ensanguentados,
marcavam, nesse instante, os traços mais sagrados,
que haveriam de unir a família remida
no monumento ideal da Pátria agradecida...

Algum tempo depois, na piedosa missão
de mortos recolher, um jovem capelão,
entre outros corpos, acha o do Sargento Luiz,
sobraçando a sua arma...
E um sorriso feliz,
nos lábios esboçado, era o argumento forte
que ele entrara no céu pelos umbrais da morte...

Um projétil lhe houvera atravessado o peito;
Mas não morrera logo... achara ainda um jeito,
de tirar do seu bolso um Novo Testamento
com Saltério... e sentir ali, nesse momento,
o desejo de ler, pela última vêz,
como se fora seu, o Salmo vinte e três:

- "O Senhor é o meu pastor, nada me faltará!
Deita-me em verde pasto e guia-me onde há
água tranquila e sã! Refrigera a minha alma!
Dirige-me à vereda esplendorosa e calma
da justiça e do amor! E ainda que ande sem norte
pelo vale da sombra esquálida  da morte,
não temo mal algum, pois tu estás comigo.
Teu cajado me guia e livra do perigo;
tua voz me consola; a tua unção me anima;
o meu cálice transborda; a minha alma sublima.
Na esperança e na fé! Certo, tua bondade,
tua misericórdia e tua caridade
seguir-me-hão, pra sempre, entre paz e alegrias;
e habitarei, Senhor, contigo longos dias!..."

E não lera mais nada...
A cabeça reclina
sobre o Saltério aberto...
E, na graça divina,
como um justo, perdoando, em paz adormeceu,
e como herói, honrando o seu país, morreu...

* * * * * *

Hoje no cemitério humilde de Pistóia.
- Pedaço do Brasil engastado na joia.
De uma saudade eterna - em chão da Itália, a lousa,
com um número qualquer, indica onde repousa,
à sombra do auri-verde estandarte, um sargento,
que, morrendo, exaltou seu nobre Regimento.
Porque soube atender, com presteza e valor,
ao chamado da Pátria e à voz do Bom Pastor!

- - - - -

 Mário Barreto França - Icaraí - 1947
______________________________

Colaboração da poeta Pérrima de Moraes Cláudio

domingo, 22 de julho de 2012

Novo livro de Sammis Reachers, Poemas da Guerra de Inverno



Desde a minha mais tenra infância, a Segunda Guerra Mundial foi o evento histórico que mais me fascinou e, como tal, eu lia e via tudo a respeito. Há algum tempo, tomei a resolução de elaborar uma pequenina antologia de poemas sobre a Segunda Guerra, da lavra de significativos poetas de todo o globo, com a condição de terem sido contemporâneos ao conflito. Ainda que trabalhos correlatos existam em inglês, não são nem um pouco comuns em nosso idioma, e minha ideia é sempre, para usar uma expressão tão marcial, franquear tudo gratuitamente na internet, publicando em formato de e-book.

Ideia puxa ideia, e acabei escrevendo, há algum tempo, uma série de três poemas sobre a Segunda Guerra (A Neve/O Trigo /A Náusea). Pretendia publicá-los com notas explicativas (necessárias para aqueles que desconhecem detalhes do conflito, para facultar a plena compreensão dos fatos citados nos textos) em algum blog. E por fim, pensando em tais notas, me veio a ideia de escrever mais alguns textos assim, ambientados seja na 2° Guerra, seja também em outras guerras ou regiões/períodos conflagrados. E numa mesma semana vieram uns 7 ou 8 poemas... E assim foram emergindo. Somando-se a alguns outros, mais antigos, mas de temática ou roupagem de fundo bélica, eis aqui formado este estranho libreto de poesias tristes...

Os poemas aqui reunidos foram escritos sob a égide existencialista, à sombra ou estranha luz de uma profunda percepção da Queda, e a angústia inolvidável que a condição humana (angústia que numa guerra é holisticamente potencializada ao seu nível máximo – e eis daí meu interesse na guerra máxima) influi em cada uma de suas partes, cada um de nós. Tudo é vaidade, diz o Eclesiastes, tudo é dor, diz Schopenhauer: Cristo é Tudo por ser a única coisa anti-dor que jamais existiu em nossa Realidade pós-Queda - do Absurdo o escape, Porta e Única Porta para devolver ao homem/Universo o estado de Graça primordial.

O pano de fundo aqui, como dito, é a Guerra, diluída narrativamente em diversas (no tempo e no espaço) guerras já travadas; a grande maioria dos poemas fala na primeira pessoa, e a persona é o soldado, ou melhor, o soldado-vítima, pois o que combate em meio a tanta dor, retroalimentando-a, é ele próprio as primícias das vítimas do caos. Um dos títulos para esta pequena série de poemas seria mesmo Poemas de Soldados Mortos, mas declinei, pois nem todos conseguem aqui escapar pela morte. Datas e locais foram afixados na maioria dos poemas; mas fora os três primeiros textos que abrem o livro, evitei estender-me em notas explicativas sobre os demais. Sei que seriam necessárias. Mas afinal este é um livro eletrônico, e tem-se sempre ao alcance dos dedos a Wikipédia, e tudo o mais que o Google pode oferecer.

Dividi o livro em duas partes, Omnia Funera (‘Todas as Mortes’), com os poemas ambientados na Segunda Guerra; e Omnia Fragmenta (‘Todos os Fragmentos’), com os demais textos. Nestes, estamos num momento encurralados em Diu, a fortaleza portuguesa encravada durante séculos na Índia; somos em seguida um samurai ferido numa fortaleza em chamas do Japão feudal, absorto entre ser ou não ser; caímos numa estrebaria imunda na imunda Guerra do Paraguai, ou escapamos do Vietnã durante a Queda de Saigon (ou a Libertação, pois como qualquer poema, depende tudo do coração de quem lê); somos um cão humano marchando para a corte de Luís XVI, ou um soldado solitário de Esparta a profetizar sobre coisas que desconhece... 

Leia o livro online, clicando AQUI.

Para baixar o livro em formato PDF, clique AQUI.


domingo, 20 de maio de 2012

Carta Encontrada Numa Ânfora


Carta Encontrada Numa Ânfora
1187

Carta encontrada numa ânfora pelo arqueólogo inglês Christian Balden, no ano 1987, na cidade de São João de Acre (atual Acre, em Israel). É atribuída ao Capitão Gualdim Chalamera, supostamente o último soldado da Ordem Templária a cair quando do cerco dos maometanos de Saladino, que tomaram a cidade, em 1187.


Naquele dia quando
todas as mortes se abateram sobre mim,
mas desgraçadamente sobrevivi,
Você, cujo poder é a Aurora e é Tudo,
- porque me preservaste?

Aleximandro foi vencido por Satanaquia
e traiu a Ordem e a Ti, o Deus Vivo:
permitiu a entrada dos inimigos, e três
dos quatro círculos de defesa caíram

Grande EU SOU
ao se multiplicarem tanto as traições
foi destruído o meu amor
e eu já como que não posso combater
sim, fui adestrado nas masmorras do inferno
e por isso eu ainda resisto
e ofereço combate nas múltiplas frentes
onde me designaste lutar
mas estou sozinho
(e eles destruíram o meu amor)
as flechas findam em minha aljava
(já arranquei as flechas
dos cadáveres de meus companheiros).
Envie reforços, envie
alguém
não por mim, que estou morto,
mas para sustentar as cabeças-de-ponte
quando eu cair
pois Legião força todas as portas,
e a cidade é morta.

Sou um cão recrutado num estranho momento
onde faltaram os homens;
Tu o sabes, mas aqui o reafirmo:
a única honra de minha vida imunda
foi vestir esta cruz vermelha ao peito,
foi lutar ao lado e à favor
dos que Te amam.

Os que vão morrer te saúdam!
Eu te saúdo,
vencedor de César e vencedor da Morte
e na ressurreição, se os cães alcançarem-na,
saudar-te-ei com as minhas cicatrizes.

Verme e mendigo, bastardo e despatriado,
Morro como Soldado de Cristo.

Viva para sempre o nome e a glória
do Senhor dos Exércitos!
Para sempre o Teu Nome! Para sempre o Teu Nome!

 "Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome dai a glória".

Sammis Reachers

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Enquanto arde Roma


Enquanto arde Roma e muda
o vento as chamas e o rugir
da multidão aponta a face
do cantor que na colina
dedilha os sons da lira


enquanto ardem mil sóis
na inquietação de Nero
porque o povo sobrevive
- e quem o autorizou
sobreviver?- pergunta


enquanto Roma arde, arde
de si mesma, e um poema
frouxo está surdo em chamas
pelo vento, enquanto
o sol arrefece a tarde.

4-4-2010

João Tomaz Parreira

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Concerto em Lisboa Vozes pelo Haiti


Concerto Vozes pelo Haiti, música e poesia de inspiração religiosa, evangélica. A notícia aqui.Na foto, o maestro Pedro Duarte, os poetas Brissos Lino e J.T.P, no domingo dia 14/2 em Lisboa.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Cambridge Seven

Sete amigos universitários transformam a Inglaterra, a China e o mundo em seis semanas.
por André Filipe, Aefe!

“Nunca antes na história das missões um grupo tão singular seguiu para o trabalho no campo estrangeiro”, foi a notícia que correu a Inglaterra em fevereiro de 1885: os sete estudantes de Cambridge estavam seguindo adiante para a missão na China, deixando atrás de si uma multidão de universitários em chamas.

O reavivamento:

Neste fim do século 19, a Inglaterra estava cheia de gente que se chama cristã, mas a poucos deles poderíamos chamar assim. Stanley Smith era um desses jovens que só se chamavam cristãos, assim como os outros seis, mas que foram tremendamente impactados pelo passeio do Espírito por aquelas paragens.
Em 1879, quando Stanley entrou em Cambridge, já tinha entregado sua vida verdadeiramente a Cristo em umas das pregações de Dwight Moody, um dos maiores evangelistas leigos americanos da passagem do século, que estava fazendo algumas cruzadas evangelísticas pela Inglaterra. Stanley e seu amigo inseparável desde seu antigo colégio, Montangue Beauchamp (Monty), eram excelentes esportistas do time de remo da Universidade. O esporte, por isso, tomou lugar nas preferências dos jovens. Cristo só veio a fazer diferença novamente quando Stanley passou a participar do Daily Prayer Meeting, na faculdade, uma espécie de ABU inglesa, e o remo deixou novamente de ser preferência na vida do estudante.
Embora Monty se dissesse cristão, Stanley gostaria que o amigo passasse por aquela transformação que tinha passado ao participar dos grupos de oração. Stanley comprometeu-se a orar 15 minutos por dia pela vida do amigo, que se entregou a Cristo verdadeiramente em outubro de 1881. Curiosamente, a família de Monty era amiga e patrocinadora do grande missionário para a China, Hudson Taylor.
O irmão de Dixon Hoste também era jogador de Remo na mesma Universidade e muito amigo de Stanley. Ambos oravam pela vida dele, pois ainda não havia se convertido. O jovem Hoste tinha uma patente de oficial de artilharia do exército real britânico. No inverno de 1882, Stanley levou Dixon Hoste a uma das cruzadas de Moody. Ele foi insistente, pois o jovem Hoste não queria ir. Na última noite, ele rendeu-se e foi à pregação do americano. Lá, ele entregou sua vida a Cristo e decidiu largar o posto militar para ser um missionário.
William Cassels estudava para ser pastor e era jogador do mesmo time de Stanley. Quando ele passou a freqüentar os grupos de oração, Cassels e ele aproximaram-se mais e oravam juntos no Campus.
Os irmãos Arthur e Cecil Phollil-Thurner eram jogadores fora de série de cricket, um jogo que não é muito conhecido por aqui, mas que na época, na Inglaterra, era muito popular. O irmão de Charles Studd, amigo de Stanley e freqüentador do grupo de oração, convidou Arthur para assistir a uma pregação de Moody. Arthur converteu-se a Cristo naquele dia, e empenhou-se em levar o irmão Cecil a Cristo. Fez o irmão prometer que leria pelo menos dois versículos da Bíblia por dia. Cecil cumpriu e não resistiu à força da oração do irmão e da Palavra de Deus.
Charles Thomas Studd (C.T), foi o mais notável missionário do grupo e certamente sua historia merece um texto a parte. Mas não somente como missionário, já em Cambridge, antes mesmo de se converter, C.T destacou-se, apesar de seu corpo não muito atlético, no jogo de crícket, tornando-se não só o melhor jogador da Universidade, mas foi considerado o maior jogador da Inglaterra. C.T era o Kaká da Inglaterra! No entanto, embora C.T tenha participado das reuniões de oração no seu colegial, na Universidade tinha deixado de participar. Em novembro de 1883, no entanto, seu irmão caiu em grave doença e caminhava para a morte. Quase tão famoso quanto ele, Studd percebeu que, diante da morte, fama e prestígio não valiam de nada. Impactado por aquela doença do irmão, foi ouvir uma pregação de Moody e entregou sua vida a Cristo.

Após estas conversões, estes estudantes testemunharam sua história diante de seus conhecidos, e sua fama, carisma e talento causou um tremendo impacto na Universidade. Stanley e Monty montaram um grupo de estudo bíblico com o time de remo e oravam pela conversão de todos. Dixon, deixando o exército, falou de Jesus a todos os seus parentes. William tornou-se pastor de uma igreja local, Arthur foi para um seminário e C.T, através de sua fama, falou sobre Jesus Cristo a muitos jogadores.

O comissionamento:

Monty também tinha se tornado um seminarista e estava muito próximo de Arthur, por isso oravam e estudavam a Bíblia juntos. Arthur foi o primeiro a ouvir de Deus um chamado para a China. Em 1883, Stanley, Monty e Arthur formavam o protótipo do Cambridge Seven, pregando e falando de missões pela Universidade.
Dixon, já se preparando para o trabalho missionário, foi o segundo a ser chamado por Deus para ir à China. Stanley foi o terceiro, ao entrar em contato pessoalmente com Hudson Taylor, o famoso missionário fundador da Missão para o Interior da China.
O jovem Stanley, o mais persuasivo e entusiasta do grupo, foi procurar William, que se preparava para o trabalho missionário na África. O carisma do amigo foi tão forte que William decidiu também ser um missionário para a China.
Em setembro de 1884, Stanley, Dixon e William foram até a missão de Hudson Taylor para se candidatarem oficialmente como missionários.
Em novembro deste mesmo ano, Stanley convidou C.T para uma pregação de um missionário que retornava da China. O jovem jogador de crícket foi confrontado com o desafio de ser enviado ao país como missionário, aceitando-o prontamente.
Monty, no entanto, que havia ajudado Stanley a convencer C.T, e que participava de tudo sem muito envolvimento, foi profundamente tocado pelo envolvimento de C.T, e por isso, também se candidatou à missão.
Por causa da decisão de C.T., a viagem dos 3, agora 5, foi postergada, já nos propósitos de Deus. Enquanto isso, Stanley, C.T, Monty, William e Hoste testemunhavam sua decisão aos colegas na Universidade, e desta forma, impactavam os estudantes de Cambridge. Certa vez, junto a Hudson Taylor, os 5 deram vários testemunhos na Universidade, e ao fazerem um apelo, somente um estudante atendeu: Arthur Phollil-Thurner.
Cecil Phollil-Thurner, neste tempo, já estava por demais constrangido, por ele mesmo ter sido um dos que tinha encorajado C.T ao trabalho missionário, ele mesmo ainda não havia se comprometido. Em janeiro de 1885, os irmãos Turner vão juntos até Hudson Taylor e oferecerem-se para o trabalho na China.
Agora, a Missão para o Interior da China possuía sete jovens candidatos que deveriam divulgar seu trabalho pela Inglaterra e pela Escócia. Nas seis semanas seguintes que antecederam a viagem, os sete visitaram muitas cidades e Universidades, onde impactavam por onde passavam a vida de estudantes. Foi neste período que ganharam o apelido de Cambridge Seven.
“Nunca antes na história das missões um grupo tão singular seguiu para o trabalho no campo estrangeiro”, foi a notícia que correu a Inglaterra em fevereiro de 1885: os sete estudantes de Cambridge estavam seguindo adiante para a missão na China, deixando atrás de si uma multidão de universitários em chamas. Em 18 de março de 1885, o grupo inusitado chega em Shangai.

O impacto entre os estudantes da Inglaterra, Escócia e Estados Unidos:

Todos os sete, especialmente C.T, eram jovens muito ricos da Inglaterra. Calcula-se que C.T. tenha herdado cerca de meio milhão de dólares atuais. Além disso, eram extremamente talentosos e inteligentes. Muitos em sua época consideraram o ato um grande desperdício de talentos. Porém, maior que o impacto que estes jovens causaram na China, foi o seu testemunho entre os estudantes. O folheto com seus testemunhos, “The Evangelisation of the World: The Cambridge Seven” se tornou um Best seller nas universidades e chegou às mãos da Rainha Vitória. A Missão Para o Interior da China, em 1885, ano que os jovens fizeram o trabalho, recebeu 168 novos missionários, passando para 800 em 1900, representando um terço da força missionária da Inglaterra.
O folheto e a história do grupo chegou aos EUA influenciando muitos estudantes, especialmente Robert Wilder, que foi um dos estudantes a liderar o maior avivamento estudantil que ergueu a mais impactante onda missionária da história cristã, o Movimento de Estudantes Voluntários.

Fonte:
TUCKER, Ruth A. Até os confins da terra. Vida Nova, SP.
WINTER, Ralph D. e HAWTHORNE, Steven C. Missões Transculturais: um perspective histórica.
WONG, Anthony B. The Cambridge Seven. Link: http://www.wholesomewords.org/missions/mscambridge7.html
Wikipédia inglesa.

sábado, 21 de novembro de 2009

Martin Luther King: "Eu Tenho Um Sonho"




"Se você não está pronto para morrer por alguma coisa, você não está pronto para viver".
(Martin Luter King Jr.)
BIRMINGHAM, Alá - Um manifestante feminino é preso e levado pela polícia, 1963.
© Bruce Davidson / Magnum Photos

Em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King, um pastor negro americano, sonha com um mundo onde haja liberdade e justiça para todos. Ele é assassinado em 4 de abril de 1968. Sua memória é um vibrante símbolo da luta contra o racismo.Memphis, Tennessee, 3 de abril de 1968. O discurso de Martin Luther King na véspera do seu assassinato é uma mensagem de esperança aos seus irmãos negros, em um país dominado pelo racismo.

"Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.

Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma.

Martin Luther King, em Fevereiro de 1968, na Igreja Batista de Atlanta, Georgia, arrumando as meias da filha Bonnie King. Foto: Bento Fernandes

Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.


Alabama - escolta de soldados da Guarda Nacional liberdade pilotos em sua viagem de Montgomery a Jackson, Mississippi, 1961.
© Bruce Davidson / Magnum Photos

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.



Manifestação pelos direitos civis-1957. Foto Henri Cartier/Magnun Photos


Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.


Filha Bonnie King- Foto: Bento Fernandes

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça. Onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!


BIRMINGHAM, Alá - Protesto de estudantes do ensino médio, são presos como parte da campanha de Martin Luther King para encher prisões e o fim da segregação racial na cidade, 1963.© Bob Adelman / Magnum Photos


Discurso 1957 Foto: Bob Henrique-MagnumPhotos

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:

"Livre afinal, livre afinal. "


domingo, 4 de outubro de 2009

História: Poder para conquistar o Mundo


João Tomaz Parreira

Vastíssimos estudos sobre o derramamento do Espírito Santo no início do Século XX em Topeka, no Kansas, e na Rua Azuza, em Los Angeles, revelam que a plena experiência pentecostal moveu a Igreja no sentido ascencional, deu-lhe latitude e longitude, e levou-a para o movimento missionário. O Pentecostes – escrevia na Primavera de 1995 a “World Pentecost”- «deu poderes para conquistar o mundo».

Dois números situados nos extremos de quase meio século, apenas como simples paradigma, indicam que os crentes pentecostais em todo o mundo eram em 1993, 429,523,000; e que em 1949 apenas eram uns 3,000,000.

A memória histórica do Movimento Pentecostal face aos neo-pentecostalismos matizados hoje de várias cores excessivas, convém que seja feita pelas consequências positivas. As suas bases estarão sempre no Cenáculo de Jerusalém, aquando do derramamento do Espírito Santo sobre a Igreja apostólica descrito em Actos 2; mas ao longo da história da Igreja estruturada em Cristo e na Doutrina dos Apóstolos, serão também reconhecidas nas primeiras Convenções Pentecostais consituidas tendo em vista a evangelização, as missões e o poder do Pentecostes na vida dos povos.


Ler artigo na íntegra em Papéis na Gaveta

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

0 Fim da História, o início dos Institutos Bíblicos

Por João Tomaz Parreira
Desde 1989, fala-se muito do fim da história. Desde que Francis Fukuyama pegou, política e sociologicamente, nos pedaços de cimento e ferros do Muro de Berlim. Já se disse também que a história não merece confiança absoluta, porque quem a escreve são apenas homens.
É nesta perspectiva que me coloco, entre a história dos princípios das Assembleias de Deus, sobretudo no Brasil, o fim dessa mesma história com o surgimento das ditas igrejas neo-pentecostais, e, passe a redundância, a instituição dos Institutos Bíblicos, nem sempre bem aceites pelo pensamento de alguns intervenientes dessa mesma história.

O fim da história
No plano bíblico, a história é uma relação de equilíbrio entre as acções dos homens e o senhorio de Deus sobre essa mesma história. Quando no prosseguimento das acções humanas a história trai os desejos de Bem de Deus no que respeita às Suas criaturas, dá-se a catástrofe. «Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal.» (Jer 29,11)
No que concerne ao Novo Testamento, o fim da história é descrito na fórmula vitoriosa da asserção paulina, aos coríntios, com a aniquilação da morte como o último inimigo, o fim da mortalidade. Alguém abriu um número da revista Últimato e escreveu que o fim da história terá chegado quando todos os impérios cairem e a arrogância humana ruir para dar lugar ao Reino dos Céus.
Sobre todos, na superioridade absoluta da sua Autoridade, Jesus Cristo afirmou «os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão-de passar».
Mas a preservação dessas palavras como Palavra revelacional, a Palavra de Deus, ainda tem que continuar a ser ensinada. E para isso existem os Institutos Bíblicos.

Institutos Bíblicos
O ensino das Escrituras não é uma orignalidade cristã. A formalidade do ensino persegue, no bom sentido, a Igreja desde a instituição da Sinagoga (do gre. synago, reunir-se), do período exílico dos judeus. Já se viu aqui a circunstância do início da instituição, em Ezequiel(14,1), o ensino pela via do confronto com as inquidades idolátricas e da exortação.
Mesmo no exílio, Deus garantiu que seria para Israel um santuário (Ez 11,16), por extensão teológica e linguística, uma sinagoga para o ensino na perda do Templo. Jesus Cristo ensinou em sinagogas (Mc 6,2), os apóstolos propagaram a Fé cristã a partir de sinagogas. Já foi referido, porventura através de lenda, que existiam mais de 400 sinagogas só em Jerusalém, quando esta foi destruída no ano 70 aD.
Na era moderna e contemporânea, a bela sinagoga da cidade velha de Praga (a Staronová) ainda exibe essa particularidade de o edifício ter sido lugar social e de ensino, para a preservação da Torah. Olhando-a, ainda hoje, vemos nela a porta e as janelas góticas do Céu contra o portão da morte em Auschwitz.
Mas transcorridos os séculos e para arredondar ideias, chegar-se-ia ao ano 1886, no que concerne ao espaço para ensinar as Escrituras Sagradas. O grande evangelista Moody lançaria os alicerces para as modernas escolas bíblicas. Era o Bible Work Institute of Chicago Evangelization Society, um nome comprido que viria a ficar célebre apenas como Moody Bible Institute. O tamanho telegráfico do nome era inversamente proporcional ao seu alcance universal. Moody achava que uma educação centrada na Bíblia produziria um exército de pessoas capazes para a obra da evangelização.
Em 1900 sabia-se e já se dizia que o pentecostalismo moderno tinha nascido dentro de uma escola bíblica, o Instituto Bíblico Betel, de Charles Fox Parham.
Essa escola pretendia aprofundar o estudo da Palavra de Deus sobre o Baptismo com o Espírito Santo.
Diante destes dados históricos, entendamo-nos acerca das reacções fundamentalistas da década de 20, que não eram favoráveis aos institutos bíblicos, aos seminários evangélicos.

Reacções do Fundamentalismo
O problema aparente parecia ser a erudição. Há autores evangélicos que referem o compromisso deste ramo do cristianismo histórico com o afastamento da cultura. Embora já tenha sido escrito que o «legado fundamentalista não seja totalmente culpado da f alta de comprometimento com a actividade intelectual » dos evangélicos.
Outras causas houve e que não estão longe da análise sociológica e de uma incompreensível manutenção das comunidades abaixo do nível das classe trabalhadora, pequeno-burguesa e média. Numa frase que tudo tipificava: cultura é pecado.
Muitos líderes com responsabilidades devem ter ignorado as palavras do apóstolo Paulo, num pedido ingente a Timóteo: « traze a capa...e os livros, principalmente os pergaminhos.» (II Tim,4,13)
A História da Assembleia de Deus no Brasil, da autoria de Emilio Conde, trata concisamente essa historiografia em pormenores que nos colocam quase cem anos atrás, na década de 20 do século passado. Compreendia o historiador, expressando o pensamento dos principais pastores e missionários pioneiros das AD que o «municiamento de obreiros» teria como base as Escolas Bíblicas. Lemos «por sua posição de primeira igreja, centro de atividades evangelísticas, a Assembleia de Deus em Belém tinha também a responsabilidade de preparar obreiros vocacionados». Considerada essa necessidade a igreja em Belém organizou e realizou a primeira Escola Bíblica Pentecostal. Os estudos que decorreram de 4 de Março a 4 de Abril de 1922 foram dirigidos pelo missionário Samuel Nystrom.
Uma Escola Bíblica não visa apenas o ensino, constitui-se sobretudo como uma linha de defesa. É uma fortaleza contra os erros, venham eles do ateísmo ou do cristianismo. Alguém já escreveu que «o cristianismo e a crença em Deus são intelectualmente defensáveis como já demonstraram muitos autores ao longo da história», e davam-se como exemplo alguns nomes, designadamente dos contemporâneos do século XX: C.S.Lewis, Francis Schaeffer ou o holandês Cornelius Van Til, também num âmbito teológico mais alargado à cultura secular, Richard Niebuhr.
Argumentos contrários vêm, às vezes, de onde menos os esperamos, se partirmos do legítimo pressuposto de que é tendêncial o Protestantismo ser também Cultura.

A surpresa
A surpresa veio pelas linhas da história. A saga dos evangélicos na construção de Brasília.
Como nasceu a vida religiosa em Brasília, a partir de 1956, cabendo uma boa parte à Assembleia de Deus, é o que o livro «Os Escolhidos» (*), do jornalista Jason Tércio, nos propõe ver.
A obra foi-me oferecida pelo velho amigo poeta Joanyr de Oliveira, um dos «construtores» dessa realidade brasiliense, no que concerne aos evangélicos assembleianos.
É uma história interessante, com uma dialética profunda entre a natureza agreste e as mulheres e homens de Deus que chegaram ao Planalto, construída sobre diálogos e descrições, recortes de jornal e intervenções públicas na praça, sentem-se os sorrisos e as afabilidades dos cristãos evangélicos em seus primordiais contactos. Sobretudo com a seriedade de colocar nomes sob fotografias, por assim dizer.
Mais adiante na leitura, a surpresa. A páginas 226, narra-se o debate sobre a utilidade ou não dos meios de ensino, como educação teológica formal, instituto bíblico, «fábricas de pastores», etc.
Nessa data, nos anos 50, o jornal Mensageiro da Paz estava proíbido de usar a expressão «instituto bíblico», quem promovia esta ordem era o próprio director, o renomado escritor Emílio Conde; os aliados do ensino teológico tinham à cabeça o prof. João Pereira de Andrade e Silva e o poeta Joanyr de Oliveira. Os argumentos da parte contrária, eram vários e discutíveis: «Jesus vem breve, não há tempo nem urgência de estudar», «muita cultura deixa o crente vaidoso», «o povo de Deus deve ser humilde, pobre e distante dos livros, como os apóstolos de Cristo».
Era um debate impensável, à luz do século XXI, felizmente para o Brasil e Portugal – em língua portuguesa- que as últimas quatro décadas do século passado, deram razão à necessidade dos Institutos Bíblicos.
De tal modo que em S.Paulo e no Rio surgiram dois: o das Assembleias de Deus(IBAD) e o Pentecostal, este dirigido pelo missionário Lawrence Olson.
Em Portugal, sem o debate do Brasil em torno de argumentos pobres, ou pretensamente espirituais, apareceu o primeiro Instituto Bíblico das Assembleias de Deus, na Av. Almirante Reis, em Lisboa, mantendo-se desde sempre o bom hábito das Escolas Bíblicas Anuais.

(*) – Coronário Editora Gráfica, 1997, com o apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal

segunda-feira, 20 de julho de 2009

(In)contornável, a Lua


Poema de J.T.Parreira


Escolhemos tomar a lua
plataforma de sonhos, praça redonda
para os olhos

A lua deixava-nos
uma desolação branca
depois vimos
que era cinzenta
tristeza sem gravidade

Quando Apolo nos trouxe
da lua, foi um momento longo
a lua ficou sozinha
no céu tão humano.


20-7-2009