Não sabemos em que condições foi feita esta gravação, e claramente foi manipulada e cortada, como bem entenderam. Também não se sabe exactamente em que contexto foi efectuada, mas podemos tirar alguma ilações.
Uma, é como a educação sexual não deve ser e não pode ser. Não tem que ser opinativa, deve ser esclarecedora e não à mercê das opiniões e do juízo de valores de quem a dá. Neste caso, não se está sequer a falar de uma aula de educação sexual, mas de uma professora que aborda (?) (ou cusca?) a sexualidade com @s se@s alun@s. Não condeno que @s professor@s o façam, sobretudo, quando a educação sexual nas escolas continua e é ainda uma miragem, portanto, encontrar um@ professor@s dispost@ a abordar o tema pode ser, muitas vezes, a única forma de @s alun@s poderem falar abertamente do tema. Mas é lamentável o que se ouve nesta gravação- ainda com todas reticências que aponto no início deste post - o juízo valorativo, o tom de ameaça, de contar aos pais, o tom do "olha que eu sei o que tu fizeste!".
As escolas mais que um espaço onde @s professor@s depositam conteúdo têm que ser um espaço real de aprendizagem e se possível, de pensamento crítico. @s alun@s não têm que ser tratados como tábuas rasas, como anormais, como cabeças ocas à espera de serem preenchidas pela supra suma autoridade d@ professor@. Um/a bom/a professor@ é aquele que respeita @s alun@s e também aprende com @s se@s alun@s.
A segunda parte desta gravação, mostra uma professora irada e a fazer pouco das habilitações literárias da mãe de uma aluna. De novo, a tal ideia do sistema bancário do ensino, que @ professor@ é o supra sumo da sabedoria, @ únic@ capaz de "salvar" as alminhas que não têm educação em casa.
Não estou a dizer que isto é demonstrativo de como são as escolas portuguesas. Sempre achei que o tipo de educação autoritária e bancária até pode ter exactamente o significado inverso do desejado, tanto pode criar rejeição e abandono, como um grande inconformismo e o tal pensamento crítico que reivindica que a escola tem que ser mais do que despejar matéria. Obviamente, que não é o ideal. Mas este tipo de gravações à sucapa, como o incidente do telemóvel no ano passado, não contribui para uma imagem séria das escolas enquanto instituições. Pior, fomenta demagogias populistas no discurso público, o que quer dizer, que cria mais uma série de treinadores de bancada sobre as escolas portuguesas e @s seus professor@s (basta aliás, ler os comentários no Público...). A condenar de imediato sem saber patavina do lá se passa. Mas, inevitavelmente, também nos faz questionar que raio de Escola é esta, que suspende uma professora a partir de "prova irrefutável" da gravação. A professora é suspensa, and then what? Passará a haver de facto alguém que dê educação sexual? Passará haver mais abertura e menos cegueira sócio-cultural (para não dizer também a de género, a inter e multicultural, etc.)? Haverá efectivamente uma reflexão sobre este tipo de incidentes?