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4.5.06

Coisa rara: o feminismo a passar pelo "Expresso"

Palmas para a última crónica de Inês Pedrosa, na revista "Única" do semanário "Expresso" do passado 29 de Abril.

Aqui ficam alguns excertos:


" Como a maioria das portuguesas (ou seja, a maioria da população) acha que o feminismo é um beco escuro para onde se empurram as que não têm charme ou inteligência para serem tão homens como os homens (isto é, eficientes, despachadas, sedutoras, dominadoras), eu tenho depositado a minha esperança nos homens, e com algum êxito, a maior parte deles já me diz que "compreende" a necessidade do feminismo e que tem "empatia" com "a causa". Quando lhes explicamos que o fim da discriminação das mulheres implica também o fim da discriminação dos homens - o mesmo direito aos filhos, ao lazer, aos afectos - alguns (os pais divorciados) começam, mais do que a "empatizar", a simpatizar com a ideia. Mas, feitas as contas, e até à data, homens que se afirmem feministas, sem necessidade de rodeios e perguntas insinuantes, só conheço dois. Bem espremidinhos, talvez três - mas os bem espremidinhos não contam. São apenas versões bem educadas das damas que repetem, como bonecas de pilhas: "Não sou feminista, sou feminina, nina, nina, nina..." Aceito inscrições de cavalheiros que alterem esta estatística embaraçante. Os outros dizem que não podem ser feministas "porque não são mulheres". (...)

"A um escritor homem nunca se pergunta se a sua escrita é masculina, pede-se simplesmente que fale da sua obra (sem mantos de género). A um homem público nunca se pergunta como concilia vida e obra. A um rapaz nunca se pergunta quantos filhos quer ter no futuro"(...)