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sobre a pele que há em mim

Quando o dia entardeceu E o teu corpo tocou Num recanto do meu Uma dança acordou E o sol apareceu De gigante ficou Num instante apagou O sereno do céu E a calma a aguardar lugar em mim O desejo a contar segundo o fim. Foi num ar que te deu E o teu canto mudou E o teu corpo no meu Uma trança arrancou E o sangue arrefeceu E o meu pé aterrou Minha voz sussurrou O meu sonho morreu Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada. Dá-me o quarto vazio da minha casa Vou deixar-te no fio da tua fala. Sobre a pele que há em mim Tu não sabes nada. Quando o amor se acabou E o meu corpo esqueceu O caminho onde andou Nos recantos do teu E o luar se apagou E a noite emudeceu O frio fundo do céu Foi descendo e ficou. Mas a mágoa não mora mais em mim Já passou, desgastei Para lá do fim É preciso partir É o preço do amor Para voltar a viver Já nem sinto o sabor A suor e pavor Do teu colo a ferver Do teu sangue de flor...

white tea

chá das cinco , a photo by cochinilha on Flickr. (anúncio de imprensa, 1944) Conta-se que um dos hábitos mais tipicamente britânicos, o "chá das cinco", foi introduzido na corte inglesa por Catarina de Bragança, quando a princesa portuguesa se casou com Carlos III de Inglaterra. Conta-se também que um dos hábitos mais tipicamente portugueses, o "chá das tias", foi introduzido pelas senhoras da cidade de Braga na confeitaria Benamor. Era obrigatório, ao final da tarde, pedir o tal chá branco, piscar o olho ao garçon e ir acompanhada de muitas amigas e de muita compostura. Conta-se também que o  chic chá branco não era pera doce ( mesmo apesar do baixo teor alcoólico ). Uma excelente moda, esta. Pena que a Benamor seja hoje uma sapataria. Não fosse esse o caso, a cidade de Braga ao final do dia seria de certeza muito mais alegre.

amor aéreo

No verão de 1924 a imprensa bracarense publicou uma "recomendação" curiosa aos leitores: nas festas da Avenida, dias 5 e 6 de julho, para que os festejos se revestissem de maior brilho, todos deviam possuir o querido “Balão Amor Aéreo”, o "único que consegue cativar os corações apaixonados quando ele seja oferecido ás donzelas que os cavalheiros admiram e pretendem conquistar. É pois a única ocasião de aproveitar", porque, além do mais, apareceria também o célebre cinema movente! Como gostava de sobrevoar 1924 num balão aéreo... ou ser donzela admirada por cavalheiro... Bem, mas o que interessa mesmo, é que hoje, dia 12 de Dezembro de 2012 o meu mais novo faz seis anos! E que, para conquistar um amor, só é preciso saber amar. Como é que se sabe? Não sei, ama-se sem medo de amar?

convertida

Convertidas, Novembro 2012. Cheirava a álcool, estava velha e encarquilhada. A mentira, a raiva, a vergonha tinham dado cabo dela e impregnaram o seu corpo, o que é o mesmo que dizer que o estuque e a tinta do tecto pendiam como estalactites do seu rosto magro. Ultrapassei os meus limtes e tenho de me preservar, she said. Sem filhos, é muito fácil. É só dizer: A Deus!

lisboa em braga

anúncio de imprensa, 1927 Depois de Braga em Lisboa , afinal, acabei por encontrar sozinha uma Lisboa em Braga. Continuarei contudo a acalentar a esperança de que encontre, acompanhada, mais Lisboas em Braga que não existe. Porque, na verdade, a dois, é muito mais divertido (mesmo sem o corte perfeito, a exímia execução e o meticuloso acabamento).

à flor da pele

a pele da Ana e da Sofia, 2002. Conhecer um pouco mais profundamente a ex-namorada do ex-namorado pode ser algo extraordinário - ela sabe tão bem quanto nós o que sentimos, percebe exactamente o que queremos dizer. Não sabemos como é que as vidas se cruzam e se intricam umas nas outras, mas sabemos que está tudo à flor da pele. Por isso por mais que não queiramos que nada saibam de nós, o nosso corpo é indiscreto. A pele, por exemplo, em íntima ligação com o sistema nervoso, responde muito sensivelmente aos acontecimentos emocionais. E mesmo que não queiramos ligar às nossas emoções, elas encontram uma forma de falar por nós através da pele. E a pele chora. Esta é a pele da Ana. Esta é a pele da Sofia. Duas raparigas que irradiam luz. Esta pele é a da minha avó. Uma mulher que não fazia reserva dos seus sentimentos e que irradiava toda a força do universo. A pele da minha avó não chorava. Tão só porque não tinha medo de dizer o que sentia e  mandava à fava ...

de mãos dadas

Maria Catarina , 1952. Não tem mesmo nada a ver comigo, mas chama-se Catarina.  Talvez em 2152, quando tiverem passado 177 anos do meu nascimento, uma outra Catarina em crise existencial, me encontre num qualquer arquivo da memória, se os houver. Espero mesmo é que encontre calor nas mãos dadas com os seus filhos ou enteados, como algumas mães e alguns pais como José Luís Peixoto tiveram um dia o privilégio de encontrar. "Nesse momento, eu e o André estávamos de mãos dadas. Segurar a pequena mão dele, sentir os seus dedos pequenos a agarrarem a minha mão é uma justificação óbvia para tudo, para a vida. Vale a pena nascer, crescer, vale a pena a adolescência inteira, todos os sacrifícios, vale a pena a responsabilidade, vale a pena sair do desconhecido e ter de estar preparado para o impossível, vale a pena ler obras completas, passar dias fechados apenas a ler, vale a pena comer sopa, aprender a fazer sopa, vale a pena lavar loiça para ter a oportunidade de segurar-lh...

mademoiselle

1914 O objectivo era ler todos os jornais que conseguisse do passado, mas não tinha sequer tempo de passar os olhos pelos que saíam fresquinhos pela manhã (já do passado também by the way ). Ficava muitas vezes distraída com a rugosidade do papel, com o silêncio da sala, com a luz que deixavam entrar da janela. Tentava imaginar como seria naquele tempo enquanto as sombras se passeavam pelo jornal. Quantos olhos e quantas mãos não haviam já passado por aquelas folhas? Quem foi que escreveu aquelas linhas que se lêem quase cem anos depois? Mademoiselle Astory e o seu Gregory estiveram na praça de touros em 1914. Eu estive ali, passeei-me pelo jornal, fotografei-o, fotografei-me, e assim que soube que ias partir saí a correr. Agora espero que aterres, quente, sem receio da fotografia no jornal.

[.]

. , a photo by cochinilha on Flickr. responsável pela instabilidade responsável pela irritabilidade responsável pela indisponibilidade uma mulher que se preze sabe que quando o mundo começa a desabar aos seus pés, a culpa é do seu corpo, que tudo volta a clarificar. só acontece uma vez por mês, mas mesmo uma mulher que se preze não é capaz, nestes momentos (dias ou semana), de se recordar que daí a uns dias o mundo voltará a sorrir-lhe. [devia haver um método que permitisse saber com clareza quando é que uma mulher está no ppm] anúncio de imprensa, 1910.

kermes carmim

carmesim adj. 2 g. s. m. Gradação muito carregada da cor vermelha. carmim   s. m. 1. Substância corante muito viva que se extrai de certos vegetais. 2. Cor vermelha muito viva. cochonilha (alteração de cochinilha )  s. f. Nome dado a certos pulgões, muitas vezes prejudiciais às plantas cultivadas.  (Uma espécie mexicana forneceu durante muito tempo um corante, o carmim) carmim by catarina wheelhouse ... primeiro havia o carmesim, corante extraído de u m insecto [ kermes ilicis ]   ... depois veio o carmim , corante extraído da cochinilha [ dactylopius coccus ]

youth 366 iduna

apple (blossom, fruit & seed) , a photo by cochinilha on Flickr. existe um ano (de quatro em quatro anos) com um dia a mais do que os outros. hoje é esse dia. este ano é esse ano. este ano é ano da cidade de Braga, capital europeia da juventude . para mim, é dia de evocar o nome de uma deusa que conheci através deste e deste site. chama-se iðunn (que se pronuncia assim ) e é a deusa da eterna juventude ( mitologia nórdica ). iduna

o retrato carmim

 à procura de informações acerca da associação fundadora dos encontros da imagem, encontrei uma página (uma não, duas ou três) criada por mim há mais de 7 anos que se chamou "o retrato carmim"... já não me recordo se foi daqui que surgiu a cochinilha ou vice-versa... mas é só uma questão de comparar datas... fotologs, contas de email e palavras secretas de que já não me lembrava... um projecto que acabou para dar lugar a "ou mun", onde era suposto ter havido contribuições várias de mymacau... na altura ainda não se usava o facebook... (a história pela internet!)

buarcos na figueira

... , a photo by cochinilha on Flickr. É mesmo nas viagens que aprendemos coisas novas e que conhecemos o mundo, como se diz por aí: o nosso, e o dos outros. Cheguei à Figueira exactamente à hora do fecho da biblioteca. A ideia era chegar uma hora antes, mas a falta dos devidos apetrechos (mapa, telefone com internet, gps), de combustível quando estava quase quase lá, e, claro, de sinalização adequada, justificaram, em parte, o atraso. Mas não importa, porque de qualquer maneira tinha já reservada a manhã de amanhã para lá voltar. Tinha como referência que a Pensão Bela Figueira ficava por trás dos grandes hotéis voltados para o mar. Percorri aquela imensa avenida até parar e perguntar a um senhor de meia idade onde era a rua Miguel Bombarda. Ó menina, isso é na Figueira! Como assim, mas não estamos na Figueira? Nesta altura olhei em redor a confirmar que aquela praia era a da Figueira,  e senti-me completamente perdida. Eu bem segui as setas e dizia: Fi-guei-ra. Não! A...

férias

no caminho junto ao mar, de Moledo a Âncora, Agosto 2011. Andamos pelo norte... Boas férias!

Bela

  Hoje algumas festas de anos das crianças fazem-se a parecer festas de adultos: na discoteca, jantar incluído, com música a gosto (estilo J. Bieber e A. Montana), karaoke, etc, etc., maquilhagem e penteados incluídos. Hoje a A. é convidada fim-de-semana sim, fim-de-semana não para mais uma festa de anos. "Foi fixe". As minhas festas eram na garagem de casa, com todos os primos e tios e família, e alguns, poucos amigos. Quando é que elas deixam de ser pirosas?