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A mostrar mensagens com a etiqueta Braga: semana santa

matraca de pau

"E à frente do lugubre cortejo, soam as palhetas roucas do ruge ruge, raspando estridentemente o ar, riscando os nossos ouvidos. Outr'ora precedia este devoto cortejo uma brava malta que se encarregava de fazer publico exame de consciencia aos pavidos bracarenses, semi-ocultos nas trevas da noite, e eram acusados, deante de todos, de alguma picardia ou irregularidade que mais lhes aprazia se conservasse em segredo". Já não há esta costumeira, "mas ainda o ruge ruge faz ouvir os seus roucos rugidos". É assim que esta matraca de pau agitada pelos farricocos recorda pela tradição oral o que o seu som estridente anunciava...

ruge-ruge

ruge- ruge in  exposição de instrumentos tradicionais portugueses Noite cerrada, saía da igreja da Misericórdia a procissão das Endoenças. Pouco a pouco, apagadas todas as luzes no interior das casas, as varandas e as janelas iam-se enchendo de figuras escoadas a medo na tinta da noite. Mas já ao longe se ouvia um estranho vozear de multidão e incertos fogachos de lumieiras se agitavam, sinistros, na treva espessa: era a ronda dos fogaréus – temido bando popular, precedendo a procissão, que tinha a essa hora de severas contas o inaudito direito de acusar uma cidade inteira... Por isso as almas, as mais lavadas, estremeciam ao sentir aproximar-se esse Bando do Pavor, permitido pelo alto clero com o fim de, à falta de denúncias à inquisição, ser ele, uma vez no ano, o pelourinho andante das mais escondidas vergonhas. Passado o bando e extinto ao longe o último sussurro da turba atroadora, a contrastar com essa algazarra, aparecia, solene e fúnebre, a silen...

domingo santo

,,, , a photo by cochinilha on Flickr. É o dia do "Senhor" visitar as casas e é o dia do cabrito com toda a família junta. De manhã o reboliço, à hora de almoço o siléncio (até o Cheio Cheio estava fechado).

quaresmal

páscoa , a photo by cochinilha on Flickr. para aqueles que gostam de viajar no tempo aconselhamos uma semana santa na cidade de Braga. uma semana de varandas engalanadas vestidas de roxo (que impregna toda a cidade), exposição do santíssimo em todas as igrejas (lausperene, assinalado pelas rebuçadeiras à porta da igreja), capelas abertas a transmitir os episódios da paixão de Cristo, o "senhor" na rua, de casa em casa, para ser beijado na cruz e um mar de gente em volta das procissões que se fazem de igual modo há não sei quantas centenas de anos, sempre misteriosas e carregadas do peso do tempo.