Mostrar mensagens com a etiqueta saudades. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta saudades. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Desta vez não tenho saudades de uma pessoa, nem de um momento especial, mas sim tenho saudades de algo que fazia muito.

Eu bem sei que nem todos tiveram este tipo de experiência, mas eu vivi grande parte da minha infância, adolescência e juventude, num país diferente do meu pai e numa altura em que o e-mail, telemóveis e muito menos SMS (como eu odeio estas 3 letras), não existiam.

Recordo-me que para falar pessoalmente com o meu pai em Angola, era preciso marcar com antecedência uma chamada que mais tarde era retornada com hora marcada. Resumindo, a comunicação era lenta, dispendiosa e levava o seu tempo. Tal como as cartas que eu acabava por escrever ao meu pai.

A carta surgia como o meio de comunicação mais fácil e completo de falar com ele, de lhe contar as novidades e de lhe pedir favores. Sempre tive maior facilidade em expressar-me por escrito do que por telefone. Não que tenha dificuldades na expressão oral, não confundam, porque não tenho, mas odeio falar com uma pessoa quando não estou a ver os seus gestos, o seu olhar, a sua expressão física. Compreendo que me digam que nas cartas também não, mas as cartas têm algo que o telefone não tem, a impressão escrita.

Cada pessoa tem uma forma própria de se expressar, a sua letra altera quando está doente, triste, ou quer esconder alguma coisa. As palavras que utiliza são diferentes, o contexto e as figuras de estilo também são diferentes de estado para estado de espírito. E é disso que eu tenho saudades. Tenho saudades de ver a letra do meu pai e de tentar descobrir, como se de um quebra-cabeças se tratasse, o que estava por trás de cada uma daquelas palavras que ele imprimia com o seu próprio punho nas folhas cuidadosamente escolhidas para me enviar via aérea.

Sim, porque para além da letra e de tudo o mais que já foi enumerado em cima, ainda havia a linguagem dos detalhes. A folha escolhida para a carta, a caneta e a cor da tinta, o envelope, se vinha ou não perfumada, ou brindada com uma flor seca, ou outro presente que ele me quisesse dar.

Tenho saudades dos rascunhos que escrevia para lhe responder, num exercício que tinha como objectivo, tentar não me esquecer de nada que fosse importante, e era sempre tanta coisa, que por vezes as cartas tinham mais de 4 folhas A4 escritas de frente e de costas.

Pronto, tenho saudades e hoje deu-me para isto… Tenho saudades também de ti, pai!

Que Deus te guarde.

domingo, 11 de abril de 2010

ist_000000135856 Como pudemos nós sentir saudades , ou sentir a falta de algo que nunca se teve na realidade?

Como podemos nós encontrar razões que sejam, minimamente perceptíveis e lógicas, que justifique passar o dia inteiro a sonhar com algo que nos surge tão real, sem que no entanto se tenha alguma vez passado.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

 

Agora que o frio já se vai fazendo sentir (apesar de Novembro já ir a meio), tudo já começa a cheirar a Natal.

Na verdade talvez não cheire, mas eu quero que cheire, quero sentir o seu odor e confortar-me com ele. Tenho saudades do Natal, constantemente. No Dia dos Reis, largo sempre uma lágrima, porque o Natal acabou e nesse mesmo dia, as minhas entranhas sentem logo os sinais de uma nostalgia que me invade automaticamente.

A bem dizer, eu sinto mais do que saudades do Natal, eu sinto falta do que o Natal me recorda e faz sentir, porque o Natal para mim é como África, como a minha Angola e eu sinto saudades delas também.

Sei que parece contrasenso, que o Natal é frio e neve, bonecos brancos com nariz de cenoura, cachecóis, gorros e meias de lã, e o consumismo absurdo, tão comum por terras ocidentais. Mas para mim, o Natal é calor, o calor dos chás aromáticos com especiarias do Norte d'África e Oriente, o calor das lareiras, cujas cor das chamas recordam o pôr-do-sol de paragens mais a Sul, é o calor do encarnado por todo o lado, que recorda a cor da terra fértil d'Angola, é o calor do convívio entre famílias e amigos que eu recordo dos tempos de Luanda, é o calor de todos sentados à mesa, apreciando iguarias que demoraram horas a preparar, é o calor da música festiva que nos aquece o coração.

Já repararam que é quase impossível lembrar África, sem associar música ao pensamento? É como o Natal! Natal sem Jingles, Bing Crosby, Louis Armstrong, Aretha Franklin, Frank Sinatra, nem as portuguesas Janeiras, não é Natal! Tirando o Carnaval, onde a ideia do calor do samba nos faz mover os pés, lembram-se de outra comemoração que associem à música? Eu não!

Sei que ainda faltam mais do que 30 dias para..., mas eu já vou sentindo falta do Natal.

Subscribe to RSS Feed Follow me on Twitter!