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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

eu_e

 

 

"Na vida, não nos apresentamos a ninguém que possa confundir-nos e odiamos quem nos confunde." 

(Epiteto)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

 

Já foi, já passou, quente e aconchegante como quase todos os Verões, mas…  c’est finnit.

Pensar que podia viver num Verão permanente é algo que acalenta o meu espírito, que fomenta a minha imaginação, que me dá horas de doces delírios, onde imagino uma casa na praia, por-de-sois intermináveis, nascer de dias rápidos e fantásticos, com cores que ainda não foram baptizadas, jantares no pátio à sombra de palmeiras e coqueiros, quartos de hospedes sempre com camas ocupadas, amigos à volta a passarem férias, a irem e a virem, a gozarem comigo os prazeres do calor que um clima tropical pode oferecer. Almoços de peixe grelhado, acabado de ser entregue por um pescador que passa todos os dias às oito da manhã, num pequeno barco a motor bem à frente da minha casa, gritando:

- Tenho peixe fresco, acabado de pescar. A menina vai querer?

Compro o peixe e preparo-o antes de sair para ir trabalhar. Pego na lancha, vou até ao continente, faço o meu trabalho e volto para casa à uma da tarde. Grelho o peixe enquanto a minha visita termina de temperar a salada, almoçamos com calma.

O trabalho?! Esse passa a ser em part-time, três horas por dia que rendem mais que um dia inteiro dos que tenho hoje. Da parte da tarde depois do almoço e da sesta, nado e mergulho um pouco, aproveito o sol e escrevo, escrevo totalmente inspirada, sem preocupações. Paro para uma caipirinha e um lanche, coloca-se música ambiente, existe um ar molhado no ar, a chuva está prestes a cair, cai sempre ao fim da tarde. Recolhemos-nos no pátio, debaixo do telheiro e dançamos um pouco antes do jantar, enquanto a chuva embala os nossos movimentos.

Nunca chove durante muito tempo, mas chove sempre todos os dias. Deixa no ar um cheiro que a água liberta da terra e que nos faz ligar a ela, que nos obriga a reconhecer esse cheiro maternal, que nos obriga a sentir humildes, de nos recordar que somos filhos da terra, que dela viemos e que um dia a ela voltaremos.

Jantamos algo preparado por mim, talvez uma comida tropical com óleo de palma, coco e gengibre, jogamos às cartas, conversamos, bebemos um pouco, dançamos até tarde. Fazemos amor até o sol nascer.

Sim, são estes os pensamentos que me acalentam as noites frias do Inverno. É com eles que eu alimento a minha imaginação e coloco no meu espírito aquela acendalha que alimenta a esperança, a esperança de que um dia, talvez seja possível.

Um dia!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Por vezes tenho dificuldade em entender a razão das coisas. Ontem, aconteceu, mais uma vez.

Ouvi uma música que já devo ter ouvido centenas de vezes, mas ontem, sem haver nenhuma razão aparente, prestei mais atenção à letra e ela bateu tão fundo na minha alma, tão fundo, que simplesmente as lágrimas correram pelo meu rosto, em pleno comboio em direcção a casa, depois de  mais um dia de trabalho.

Depois de ter digitalizado a letra, acabei sem perceber o porquê, sem saber a razão de tal fenómeno. Não existe nada no presente que pudesse ter feito com que eu sentisse algum tipo de nostalgia e sinceramente o passado já esta tão longe, morto e enterrado, que não vejo ligação. Terei eu tido uma crise empática, por algo que possa vir a acontecer?!

Bem, sem ter chegado a uma conclusão deixo-vos aqui a letra da dita música:

Porque foste na vida,

A última esperança.

Encontrar-te me fez…

Criança!

Porque já eras meu,

Sem eu saber sequer.

Porque és o meu homem

E eu, tua mulher!

Porque tu me chegaste,

Sem me dizer que vinhas,

E as tuas mãos foram minhas,

Com calma!

Porque foste em minha alma,

Como um amanhecer.

Porque foste o que tinha,

De ser!

Porque foste na minha alma,

Como um amanhecer.

Porque foste o que tinha,

De ser!

“O que tinha de ser!”, Vinicius de Morais.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

 

ROSA-COSTASEla desabotoa as calças cinzentas com listas pretas que vestia e deixa-as cair, sentindo o suave tecido acariciar a sua pele nua. Sente-o sorrir, se é que isso é possível, e sorri também. Levanta os pés, suavemente, um depois do outro e vê-se livre, com uma displicência controlada, daquela peça de vestuário, empurrando-a para debaixo da cama. Ela nada mais faria, tudo o que se passasse a seguir seria da autoria dele.

Ele sabia que era a sua vez de agir, havia chegado o momento e convinha a si mesmo, não prolongar mais aquele hiato. Levantou o seu braço esquerdo e com a mão desse mesmo lado acaricia o fino pescoço que a sua mão conseguia quase contornar na totalidade. Puxa-a até si e com a mão direita abre os botões da blusa, livra-se dela, ao mesmo tempo que com a échàrpe que ela deixara no chão, acaricia suavemente a pele daquele corpo macio que era seu. Aperta-lhe um pouco mais o pescoço e sente-a estremecer de encontro ao seu corpo. Com o braço direito, o mesmo que ainda mantinha o lenço, levanta-a do chão e atira-a para cima da cama.

Ela sai rapidamente da posição desamparada em que caíra no colchão e senta-se no centro da cama, joelhos juntos e elevados e braços a suportarem o seu peso, atrás das costas. Ela sabe que os contornos do seu corpo nessa posição o deixam louco; os ossos dos seus ombros ficam mais visíveis, ligeiramente virados para a frente, o seu peito ganha contornos mais arredondados por os seus seios ficarem mais próximos um do outro, as suas longas pernas parecem, teimosamente, querer impedi-lo de chegar aonde ele quer. Quase sente a vontade de rir por saber que naquele momento, apesar da disparidade da força física entre os dois, é ela quem comanda cada movimento dele.

Ele sobe de joelhos para a cama, agarra os tornozelos dela e sente as pernas estremecerem ligeiramente ao seu toque. Tenta afastá-las enquanto as puxa para baixo, mas ela resiste-lhe. Ele sorri e não insiste. Acaricia-lhe a pele com a sua mão, sobe delicadamente até ao ventre liso, sobe depois até ao peito, aonde ele sabia que duas coisas poderiam acontecer: ou ela permitiria que ele os libertasse da força da fina renda, deixando-os livres para ele brincar com eles, ou ela teria que usar os seus braços, os mesmos que permitiam que ela tivesse força para lhe resistir, para o impedir.

Ela não iria permitir que fosse assim tão simples e tenta impedi-lo de lhe acariciar o peito. Confiando na sua força abdominal, usa os braços para impedir as mãos dele e ele solta uma gargalhada curta. Ela adorava prolongar este género de jogos, mas ele tinha outras intenções, pelo que, com movimentos rápidos, atou-lhe os pulsos com a échàrpe e esta à cabeceira da cama. Ela ainda se debateu, ele admirava a força dela, sobretudo a forma como ela o virava, levantava e expulsava-o da cama, apenas com as pernas, as costas e a barriga.

Assim que ela sossegou, ele saiu do quarto. Ela antecipava o que iria ele fazer a seguir. Ouve um botão a ser ligado. A porta do frigorífico a abrir e a fechar. Sente-o entrar no quarto, a deitar-se ao lado dela. Ela espera o corpo dele junto do seu a qualquer momento e fecha os olhos.

Ouve um click, uma luz intermitente que se acende no quarto. Ela abre os olhos, repara em primeiro lugar na televisão acesa aonde estava a emitir um jogo de futebol, olha depois para ele que sustém no rosto um sorriso de vitória, na mão esquerda o comando da televisão e na mão direita uma sandes de qualquer coisa. Solta um enorme suspiro de decepção.

- O que foi?! – pergunta-lhe com ar de menino traquina e ela revira-lhe os olhos – Soubeste fazer-me desesperar o dia todo, tenho a certeza que saberás também esperar até ao fim do jogo.

Ela ri-se da sua derrota e vê o jogo com ele.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

 

mulher_deitada (1) Ela enviou uma sms dizendo que estava a descer as escadas, o que geralmente era sinal para ele abrir a porta e com efeito assim foi. Chegada ao prédio a porta estava aberta e ela entrou, mas algo naquela noite lhe avisava que alguma coisa não iria correr como o habitual. Sentia um vazio apertado, se é que isso faz algum sentido, no seu estômago, deixando-a expectante e nervosa. Talvez fosse apenas uma impressão, ou um secreto e involuntário desejo que algo realmente acontecesse. Ela sabia que tinha sido mazinha com ele à hora de almoço: mantivera-se distante e altiva, esquivou-se de todos os seus avanços e recusara todos os seus beijos. Ela sabia que havia cultivado nele um sentimento de vingança e que ele lhe faria pagar caro a brincadeira. Na realidade, ela assim o planeara, mas encontrava-se agora um pouco apreensiva quanto ao que a esperava.

Desceu os dois lances de escada que a conduziam ao apartamento dele, com um nó nas entranhas e parecia experimentar, a ver se era sólido, cada um dos degraus antes de pousar cada um dos seus pés. Nunca fizera aquele percurso de forma tão lenta e tão pouco vigorosa. Viu-se em cima do tapete, pensou que se aquele relacionamento se mantivesse por mais algum tempo, lhe teria que oferecer um novo, aliás teria que lhe decorar a casa, pois isso parecia ser algo, no qual ele não tinha o menor gosto. Definitivamente, seria um trabalho ao qual se teria que entregar no futuro. A porta estava encostada, bastaria ela encostar, ligeiramente, a sua mão, para que a mesma se deslocasse para dentro e ela pudesse entrar. Esticou molemente o braço, abriu a palma da mão e encostou-a contra a madeira a precisar de verniz. Respirou fundo e depois, exercendo uma ligeira pressão, viu a porta comportar-se como previra.

Entrou com o pé direito primeiro, como se aquele gesto supersticioso fosse imperativo naquele momento. Estava tudo escuro e a sua respiração pareceu ficar paralisada. Fechou a porta atrás de si e pensou que se tirasse os sapatos não se denunciaria a quem a esperava no escuro e assim o fez. Silenciosamente alcançou a cozinha e com a pouca luz que entrava por umas brechas mal fechadas dos estores, não conseguiu ver ninguém. Dirigiu-se então à sala, mas ainda no corredor, a ideia de acender a luz pareceu-lhe inteligente. Correu com a palma da mão a parede, procurando o interruptor. O silêncio era aterrador. Sentindo uma saliência plástica no meio do estuque macio, o seu corpo sorriu pensando em vitória, no entanto, no exacto momento em que percebeu que ao movimentar o interruptor, as luzes não acendiam, acabou por sentir uma estranha sensação de orgulho, por ter escolhido alguém que havia sido inteligente o suficiente, para desligar o quadro. O jogo começava a agradar-lhe. Dirigiu-se confiante para a sala e, mais uma vez, não encontrou ninguém.

Aquilo criava alguma adrenalina e ela excitava-se com o inesperado, com o medo, com o perigo. Retornou ao corredor, mas desta ficou com a sensação de que alguém estava lá. Reprimiu o seu sensor aranha, ignorou o arrepio na nuca e avançou em direcção ao quarto. Sabia que ninguém lá estaria pois quem ela procurava encontrava-se por trás dela. Com esse conhecimento ganhou outra coragem e com ela livrou-se da échàrpe que trazia ao pescoço, deixando-a cair no chão à frente da porta por onde tinha entrado há alguns minutos atrás. Despiu o casaco, que teve o mesmo destino que a peça de roupa anterior: o soalho flutuante que cobria o chão. Apenas uma blusa de seda pérola e umas calças de fato separavam-na da nudez.

Questionava-se se ele se aperceberia dos seus gestos na escuridão, se o facto de se estar a despir aumentava nele algum tipo de excitação. Por instantes pareceu-lhe ouvir a sua respiração mas depressa apenas o silêncio pontuado pelo seu próprio coração a bater, voltou.

Encostou-se à porta do quarto, antecipando o que se iria passar. Qual seria o gesto que ele usaria para a abordar, se estaria ainda, ou não vestido?! O seu coração batia descompassadamente. Atreveu-se a entrar. Sabia que ninguém estaria lá, mas mesmo assim ficara com a sensação de que fora necessária uma grande dose de coragem para dar aquele passo. Aproximou-se dos pés da cama e estagnou, qual estátua de mármore num museu, pensando no que deveria fazer a partir dali. Aquela antecipação, aquele compasso de espera, deixavam-na louca. Ele estava a levar aos limites, toda aquela encenação.

Sentiu finalmente um leve movimento, mas tão suave que se diria que de um pequeno gato se tratava. A respiração húmida e quente dele, foi o primeiro contacto. A sua pele voltou a arrepiar-se. Ele mantinha-se a poucos centímetros dela, ela conseguia sentir a sua energia, o poder maciço do seu corpo masculino, mas ele não a tocava. Mantiveram-se assim por alguns segundos, ela fingindo que ignorava a presença dele e ele controlando a sua vontade de simplesmente a abraçar, de lhe tocar, de a ter por inteiro para si.

(Continua…)

terça-feira, 12 de maio de 2009

25622Uma amiga muito querida, andava feliz há dois anos, a viver com quem ela pensava ser a sua cara-metade, quando de repente e do nada, o rapaz chega uma noite a casa e depois do jantar preparado por ela, diz:

- Não estou preparado para uma relação séria. Sabes que eu vejo em ti uma amiga muito especial, uma grande amiga. Acho que esta nossa predisposição para vivermos juntos assim tão bem, deve vir de uma relação Kármica, passada, onde tu deves ter sido minha mãe. Mas sabes, tal como em todas as relações entre mães e filhos, está na hora de eu sair de casa e de tu me deixares ir.

Não admira que a minha amiga não se consiga encontrar depois deste duro golpe.  Reencontrar o seu Eu, o seu amor próprio, a sua auto-estima e não admira (por mais absurdo que eu ache) que ela tenha tentado acabar com tudo. Talvez tenha sido a sua forma tortuosa de gritar que queria começar do zero, esquecer todo o passado, olvidar todo o Karma (como começo a odiar esta palavra).

É que em meia dúzia de baboseiras romantizadas, aquele espécime de energúmeno, reduziu-a a uma presença fantasmagórica, a uma alma transviada, perdida no tempo e agarrada, aprisionada, agrilhoada a uma existência onde é obrigada a viver, vezes sem conta, as mesmas relações, a ser mãe sem nunca ter parido, a ser amiga quando queria ser amante, a ser nada quando queria ser tudo.

Mas amor, tudo isso não interessa, eles não interessam. Tu não és menos mulher apenas porque os homens vivem, eternamente, num complexo freudiano, onde Édipo e o Peter Pan, são os modelos a seguir. Tu não és menos mulher, simplesmente porque esse “bife” idiota ainda não era o homem certo para ti!

Tu és linda, inteligente, divertida, emotiva, cheia de salero latino e não existe nada no Mundo que mereça a tua vida e nada que apague a tua ausência.

Por favor acorda! Volta para ti. Volta para junto daqueles que te amam incondicionalmente: a tua família, os teus amigos.

Eu aguardo-te com os meus dois braços abertos!

 

 

P.S.:  Darren, meu querido! Podes ter os cinturões negros todos que quiseres, mas se eu te apanhar em Portugal, ou noutro local qualquer, podes ter a certeza que te enfio a relação Kármica, por um certo orifício.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

4453046-lgAo ler uma mensagem de um blog que já não existe, num blog que sigo, fiquei com vontade de dissecar esta dicotomia do ser humano, ou pelo menos, em mim. Sobretudo depois de ter respondido a um comentário aqui no meu blog hoje.

Depois de ter pensado melhor, de ter passado em revista os meus actos e atitudes perante a vida, nos últimos anos, cheguei à conclusão que  recuso-me a criar expectativas, mesmo quando estou encantada por algo. E porquê?! Porque desta forma, evito o desencantamento, arriscando apenas o desinteresse.

Creio que são formas de se estar na vida, no palco, no mundo, com os outros. A verdade é que cada um procura a felicidade da forma como a vê e, como tal, actua de acordo com essa visão. Se para alguém algo de positivo é sempre seguido de algo negativo, também vê na felicidade algo com prazo de validade e que, inevitavelmente, acabará com o inverso, ou seja, se se encanta, também se desencantará. Eu não o vejo assim. Não vejo obrigatoriedade neste jogo de contrários, de antagonismos. Acho que viver no intermédio, sabendo que as coisas podem não ser eternas, mas que enquanto duram, são verdadeiras e que ficarão agarradas em nós para sempre, é uma boa forma de se estar.

Não creio, no entanto, que isso seja reflexo da busca pela felicidade, até porque na realidade, nos dias que correm estamos mais preocupados em sobreviver do que em viver, ou procurar seja o que for, pois não há tempo. A felicidade, e/ou infelicidade, é assim, consequência directa dos actos aleatórios. É um reflexo da experiência, que tal como as nossas, é muito própria e apenas para nós faz sentido.

Assim, ao contrário do que o bloguista Piloto disse, eu não tenho pena de ninguém, pois se continuam a tentar, é sinal que ainda vivem e que lutam por algo que se venha a assemelhar à felicidade, ou ao encantamento perpétuo, mesmo quando este não é a causa maior das suas vidas e apenas sua consequência.

Fará isto algum sentido?

sábado, 2 de maio de 2009

x-men_origins_wolverine_movie_poster2 O que é que será que me prende à saga X-Men? O excelente enredo? O facto de ser uma das novelas cómicas que eu mais aprecio desde criança, ou o facto de que sempre que sai uma sequela do filme, o elenco melhora exponencialmente.

OK. Vocês já sabem o que eu penso dos filmes de acção, por isso só posso dizer, deadpool_wolverineque o filme não desilude. Tem todos os requisitos para nos manter atentas ao ecrã: acção, espectaculares lutas coreografadas, Ryan Reynolds, CGI, excelente montagem, efeitos sonoros de cair para o lado, Hugh Jackman,  a eterna batalha do  bem contra o mal.

Mas o mais importante  (façam um esforço para acreditar que é o que eu acho mais importante), é que Wolverine mostra de forma clara e inequívoca, o nascimento de um herói traumatizado, complexo e fascinante, exactamente, por ser idiossincrático. x-men-origins-wolverine-1501Wolverine é o mais corajoso, animalesco e selvagem dos X-Men, e, por isso, por ser um ser atormentado na busca constante do seu próprio Eu, torna-se no mais fascinante e apaixonante personagem da saga criada por Stan Lee e Jack Kirby na década de 60.

 

Eu adorei o filme. Bom fim-de-semana!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Estou farta de ouvir toda a gente dizê-lo constantemente. É como uma sinfonia cacofónica, estridente, pós-moderna, de sons que saltam das gargantas dos interlocutores, deslizam pelos seus lábios e voam na direcção das minhas desmesuradas orelhas, percorrem toda a elíptica rampa, entram no pequeno túnel e batem no tímpano, ricocheteando para o meu cérebro: “Têm que te amar, por aquilo que és!”
Coitados!

Tenho a certeza que as intenções são as melhores, que as pessoas não pretendem o mal de ninguém quando o dizem, mas a verdade é que esta velha frase, não apazigua quem a ouve, muito pelo contrário. Se já leram até aqui, acompanhem o meu raciocínio por um pouco.

As pessoas amam e gostam de quem é agradável à vista e fácil na convivência. Preferem pessoas bonitas e amáveis, de grande empatia, que as compreendam, que concordem, que se deixem levar. Por isso, quando dizem: “As pessoas têm que gostar daquilo que és!”, não estão, na realidade, a colocar a bola no outro campo, apenas estão a reforçar a ideia de que temos que ser bonitos, simpáticos, empáticos. Estão a colocar, mais uma vez, a bola nos nossos pés e esperam que não falhemos o próximo passe.

Sim, dizem que têm que gostar de nós pelo que somos, mas pressupõem que as pessoas vão gostar do que somos e de que somos o que as pessoas gostam. Mas a maioria das vezes não gostam e não somos o que os outros pretendem que sejamos.

Eu daria tudo para que alguém incluísse nessa velha, mas não cansada frase de motivação despropositada, apenas uma, reparem que digo “apenas” uma palavra, para que o meu cérebro percebesse o som transportado pelo ar como: “As pessoas têm que te amar, apesar daquilo que és!” Aí sim! Aí o passe teria sido feito na perfeição e a bola estaria agora no campo do adversário, à espera do ângulo perfeito, do pontapé certo, da força na medida exacta, para encontrar as redes da baliza e fazer golo. Aí, todo o esforço ficaria do outro lado e estaria apenas dependente da vontade, da capacidade quase sobre-humana, de alguém amar outra pessoa, apesar de tudo.

Confuso?!

Bem, é assim que a minha mente trabalha, agora depende de vocês gostarem ou não.
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