Como eu gostava de ter superpoderes, um dom especial e secreto que me fosse útil nestas horas. Como eu gostava de te abraçar nos meus braços e aquecer o teu coração com amor. Como eu gostava de te beijar e sugar de ti toda a amargura, angústia e temor. Como eu gostava de te falar e que as minhas palavras, a minha voz te servissem de consolo e remédio para a tua dor.
Como eu gostava de ser capaz de transferir toda a tua tristeza e juntá-la à minha, para que não sofresses nem mais um segundo, nem mais um fôlego. Como eu gostava de poder transformar tudo isso em coragem e esperança!
Como eu gostava! Oh, meus Deus, como gostava! Mas não posso! Não consigo! Não sei como!
Eu falo-te, mas não sirvo de consolo, eu abraço-te mas o teu coração gela com o desgosto, eu beijo-te e sinto a angústia, a revolta e a dor, darem voltas dentro de ti, da mesma forma como se revolvem dentro de mim.
Mana, minha querida e adorada irmã, carne da minha carne, sangue do meu sangue, eu quero devolver-te o bebé, que prematuramente perdeste, o meu sobrinho ou sobrinha, que ainda antes de nascer já era amado. Quero silenciar esse grito mudo que ecoa na tua alma, quero absorver todo esse negro que se pinta dentro de ti e torná-lo só meu. Eu quero mana, eu quero, juro-te que quero… mas não posso, não consigo, não sei como.
Apenas o tempo pode, mana. Apenas o tempo sabe!
Somente posso chorar contigo, gritar e revoltar-me e, por fim, carpir.