Mostrar mensagens com a etiqueta Danny Boyle. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Danny Boyle. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Arena - João Salaviza - Cannes

Dizer que a vida é um palco, ou uma arena, é uma metáfora tão trivial, que para nós escritores, usá-la, deixa-nos sempre um gosto amargo nos dedos. No entanto, a verdade escondida por trás dessas corriqueiras palavras, é demasiado pungente, para que possa ser ignorada. Desta forma, expressões como “Actor Principal”, Nova Personagem”, ou “Guião de Vida”, são usadas de ânimo leve, pela maioria, na explicação de coisas diárias, na descrição das nossas vidas.

Portanto todos concordamos que, a vida é um palco, nós somos os actores principais, os outros são personagens secundários, onde vivemos é o cenário e o que vivemos é o guião. Ora, não demoraria muito para que os realizadores percebessem que pouco mais seria necessário para realizar um filme com que todos se pudessem, facilmente, identificar. Apenas precisavam, tal qual um fotógrafo, escolher um ângulo, a lente e o enquadramento com mais interesse, para que a vida comum, a simples realidade, se tornasse pura arte. O realizador Fernando Meirelles (brasileiro), já o havia feito com a “Cidade de Deus”, o britânico Danny Boyle, fê-lo o ano passado com o “Slumdog Milionaire” e o mexicano Alejandro Gonzélez Iñarritu, mostrou a arbitrariedade das acções e das consequências a nível global das mesmas, no “Babel”. Cada um deles tirou a fotografia que achou mais interessante e criou uma obra de arte, com a pura e simples realidade do quotidiano. E foram fotografias dignas de todos os prémios que receberam!

Chegou, finalmente, a hora de um cineasta português descobrir aquilo que há uma década para cá, se tornou vulgar, mas o génio, a grande visão estética e a escolha acertada da metáfora por trás da linguagem comum e da imagem crua, faz com que o João Salaviza, mereça todos os prémios que quiserem atribuir ao seu filme “Arena”.

Para mim o que está por trás do rapaz em prisão domiciliária é muito mais do que a crítica à descriminação de oportunidades num estado democrático. Para mim, todos os habitantes daquele, como de qualquer outro bairro do Mundo, estão presos na Arena da vida que conhecemos e poucos são os capazes de lutar, tal qual gladiador campeão na antiga Roma, contra todas as probabilidades e obter a verdadeira liberdade; aquela que está acima de tudo o que é esperado e que apenas encontramos dentro de cada um de nós. Arrancar isso das entranhas, escondido por baixo de tanta treta esculpida pela sociedade nos últimos séculos, exteriorizá-lo e materializá-lo, é a verdadeira liberdade, a derradeira libertação do espírito.

Parabéns João Salaviza,!

Subscribe to RSS Feed Follow me on Twitter!