Mostrar mensagens com a etiqueta Coisas que não gosto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Coisas que não gosto. Mostrar todas as mensagens

domingo, 10 de janeiro de 2010

 

abismo (2) Não quero ninguém que morra por mim, ninguém que morra por amor ou por outra razão qualquer por mim provocada. Não quero alguém que se sinta tão subjugado a mim, que seja incapaz de conceber outra forma de estar, não quero!

Quero alguém que esteja comigo, que viva por mim, que queira fazer coisas comigo. Quero alguém que me entrelace nos seus braços, que me proteja apenas com a sua presença, alguém que se arrepie com o toque da minha pele, mas que mantenha todas as suas forças, toda a sua essência. Não quero ninguém que ao meu toque deixe de ser.

Não quero alguém que me diga apenas o que quero ouvir, não quero alguém que me faça irritar pela falta da verdade. Não quero alguém que aparente, quero alguém que seja. Não quero alguém que se esconda, mas alguém que se assuma, que simplesmente exista, sem artifícios, sem jogos, sem camadas. Quero a a idiossincrasia completa.

Não quero alguém que me ame com a mesma intensidade que eu, apenas quero que goste de mim, seja de que forma for. Não quero que todos gostem de mim, nem mesmo as pessoas de quem eu gosto. Não quero que elas sintam a minha falta, da mesma forma que eu sinto, intensamente, a falta delas, se o fizesse estaria a desejar o mal das mesmas e eu não o desejo. Queria poder sentir que em algum momento especial eu fui única, isso seria o suficiente, mesmo sabendo que existe sempre quem ocupe o nosso lugar. Mas pensar que alguém, em algum momento, por mais fugaz que tenha sido, pensou e sentiu assim, já me satisfaz.

Simplesmente não quero! Não quero ser apenas alguém que passa pela vida, sem que ninguém note. Mas também não quero que a minha presença seja tão opressiva, tão poderosa, que ninguém suporte estar perto de mim.

Apenas quero… apenas quero… apenas quero… que tudo tenha um sentido, que tudo tenha um valor real.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Existem coisas, que não devem ser explicadas, pois se forem, perdem todo o encanto e magia que envolve os sentimentos e pensamentos de quando estamos a viver uma situação, que nos faz sentir bem! Passamos a vida a racionalizar cada um dos passos que damos, cada uma das acções que tomamos, pesamos os prós e os contras, tentamos ver a imagem de todos os ângulos possíveis e tentamos antecipar no futuro, aonde é que nos leva aquilo que vamos fazer. No meio disto tudo, esquecemos-nos, simplesmente, de viver o momento.

Por vezes são coisas bem simples, como uma conversa diária que temos com alguém no comboio, uma troca de mensagens com um parceiro de jogo na internet, um novo projecto que nos ocupa a mente e as mãos. Coisas simples, banais, corriqueiras e no entanto, fazer qualquer uma destas acções, (ou outras, cada um tem as suas certamente), dá-nos prazer, satisfaz algo que falta no nosso dia-a-dia e chegamos mesmo a sentir a falta delas, quando por algum motivo, não as conseguimos concretizar.

Mas mesmo assim, para além de serem coisas simples, quase em significado, temos tendência automática de as querer transformar em algo mais. Realizamos cálculos complexos, colocamos hipóteses, hipotéticas construções futuristas, onde aquilo, que por si só nos satisfaz, se torna em algo muito diferente e de contornos concretos pouco plausíveis.

Acho que neste tema, vou ter mesmo dificuldade e em encontrar as palavras certas para explicar o meu raciocínio, mas resumindo: Se no nosso dia-a-dia, existe algo que nos satisfaz, exactamente porque é apenas aquilo que é e nada mais, não compliquem, não tentem transformá-lo, pois o mais provável, é simplesmente perderem aquilo que já têm.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Não sei se vocês já se deram ao trabalho de reparar, que sempre que problemas e casos que envolvem o nosso Primeiro Ministro, chegam à comunicação social, existe também e em tempo real, um hastear de grandes bandeiras que têm de ser defendidas na Assembleia da Republica?

Há uns tempos atrás, durante o caso Freeport, foi a bandeira do Aborto, uma prioridade absoluta do governo: fazer, ou não referendo; aprovar ou não a lei. Agora que a corrupção e o desemprego estão à solta, aparece a bandeira do Casamento Gay, assunto prioritário para ser resolvido em início de mandato e à frente de tantos outros assuntos importantes e prioritários para a Nação.

Se virmos a coisa por outro prisma, sempre podemos supor que o Casamento Gay é prioritário, pois permitirá criar um novo nicho de oportunidades de emprego e desenvolvimento do empreendorismo no mercado: Afinal de contas, alguém terá que desenvolver e criar, usos e costumes para a realização das cerimónias. Creio que o Presidente da República, ficaria muito feliz, com tal desenvolvimento!

Até quando os eleitores portugueses, vão continuar a cair em tamanha manobra barata de marketing político? Até quando?!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

“Odeio falar ao telefone!”

SONY DSC Sei que nos dias que correm é quase ridículo fazer tal afirmação, mas é a mais pura das verdades. Se não fosse o facto de serem tão úteis em casos de necessidade, nem teria um, nem fixo nem móvel, simplesmente não teria.

Sempre admirei as pessoas que falam ao telefone durante horas a fio, que conversam sobre tudo e sobre nada, que contam as novidades da vizinhança, que relatam cada segundo do seu dia, incluindo quantas vezes foram à casa de banho, sobre o episodio da telenovela da TVI, na noite anterior, sobre a telenovela da SIC e do filme que viram no Domingo à tarde.

Sempre admirei as pessoas que ficam horas a namorar ao telefone: “Meu amor, isto!”; “Meu amor, aquilo!”; “Beijinho, para aqui”; “Beijinho para lá”; “Amo-te muito, meu amor!” (algo que é, aliás, um pleonasmo) e enquanto isto, estão a comer, a ver televisão; em voz alta com os amigos; no quarto de banho; a limparem o nariz; a jogarem consola.

Não quero com isto dizer que não gosto de falar, antes pelo contrário, adoro uma boa conversa, estar horas com os amigos e falar sobre tudo e mais alguma coisa, mas ao vivo e a cores, em carne e osso, onde podemos ver e sentir a reacção de cada um ao que se está a falar, onde existe movimento corporal, onde os olhos falam tanto, ou mais, que a boca, os lábios e a língua.

Até mesmo algo escrito tem para mim mais valor que um telefonema. ao menos, o acto de escrever implica uma acção em vários actos: primeiro sente-se; depois raciocina-se; codifica-se em linguagem e depois, sem fazer uma segunda coisa simultânea, pois escrever implica concentração, escreve-se, passa-se para o papel, para o pc, ou até mesmo para o odioso “Smal Message Service”.

O Telefone por sua vez deve ser algo a ser usado em caso de urgência, em comunicações curtas e pontuais. Pequenas combinações, para marcações, ou desmarcações, ou para a típica pergunta, talvez a que melhor caracteriza os nossos tempos:

- Aonde é que estás?!

Que é geralmente seguido com o:

-  Deixa estar que já te estou a ver!

Que se segue, por sua vez, com o típico desligar do telemóvel na cara.

sábado, 26 de setembro de 2009

 image001

…ninguém gostou da nova decoração da minha casa, pois nem sequer um comentáriozinho, sobre o assunto…

Já havia reparado o quão parcos andavam nessa área, mas não comentar a mudança de visual, que tanto trabalho me deu, é quase ofensivo!

Amuei…

terça-feira, 15 de setembro de 2009

image0022Existem coisas, que o ser humano faz, que me deixam sem qualquer outra alternativa se não gritar de indignação, com toda a força dos meus pulmões.

Se eu acho a tourada um espectáculo bárbaro, onde os touros não pediram para ali estar e no entanto, o seu sofrimento é o ponto alto de um espectáculo de massas, imaginem o que eu sinto quando vejo estas imagens num documentário e mais tarde num e-mail que me foi enviado.

Sempre tive em conta que os países nórdicos eram países civilizados e muito racionais. Que evoluíram do Vikings e se tornaram nas civilizações mais pacíficas e organizadas do planeta, mas quando me identificam este local como sendo a Dinamarca, tenho logo que pensar, que algo vai muito podre naquele reino.

image0011 Numa determinada altura do ano, o mar,  numa pequena aldeia piscatória na Dinamarca,  mais precisamente na Ilha Faroé, fica vermelho. No entanto não é devido a efeitos especiais, ou a qualquer outro fenómeno climatérico estranho e sem explicação. Deve-se à crueldade com que os seres humanos (supostamente seres racionais e civilizados) matam centenas dos famosos e inteligentíssimos Golfinhos Calderon, também conhecidos como Grampus Griseus e Golfinho-de-Risso. 

image0033 Isto acontece ano após ano e participam deste massacre, maioritariamente,  jovens homens. Por quê? Porque supostamente, através deste acto irracional, os mancebos demonstram que  atingiram a idade adulta e que não podem mais ser considerados crianças.

A verdade é que todos participam deste triste espectáculo: os que image0066vão lá para assistir; os que vão para matar; os que organizam; os que incitam; nós que nada fazemos para terminar com este bárbaro costume.

O golfinho Calderon, como quase todas as outras espécies de golfinhos, aproxima-se do homem, com o exclusivo objectivo de interagir e brincar. Os golfinhos são uma espécie que mesmo em liberdade, tal como os animais domesticados, gostam de brincar e travar amizade com os humanos. 

image01010Mas o que mais me repugna é a forma lenta e cruel com que ele são mortos. A forma como o fazem, não os mata instantaneamente. Estes cetáceos são cortados diversas vezes, com ganchos grossos. Segundo parece, o som que os golfinhos lançam no ar, nesse momento é estridente e, confiando em relatos de pessoas que já observaram tal barbárie, assemelha-se muito ao choro de um recém-nascido.

image0077 O processo repete-se as vezes necessárias e, durante todo esse tempo de tentativas, o golfinho sofre e não existe qualquer tipo de compaixão. Este dócil ser, sangra, lentamente, e sofre com as dores provocadas pelas feridas enormes, até perder a consciência e morrer no seu próprio sangue. 

No fim da matança, os  Heróis, passam, finalmente, a ser adultos. image0099Homens racionais e prontos para as adversidades do dia a dia, uma vez que a sua maturidade, ficou, inequivocamente comprovada, através desta exaustiva demonstração.

Creio que já existe demasiada violência no Mundo, para que seja necessário continuar a compactuar com este espectáculo triste e deplorável.

Está na hora de fazermos algo, a mais não seja, denunciando este filme de terror a todos aqueles que ainda não tenham conhecimento.

Talvez assim, seja possível criar uma onda de indignação que comova o governo Dinamarquês e o demova de continuar a tolerar image0055 este genocídio (sim utilizei a palavra genocídio para a morte de uma espécie animal, porque para mim, todos os que habitam o planeta merecem ser tratados de igual forma: todos merecem respeito, todos merecem viver em paz)

 

 

 

 

Nota: caso queiram saber as características científicas deste lindo animal, aqui estão:

Nome Cientifico: Grampus griseus

Características: É relativamente fácil identificar golfinhos de Risso no mar, em particular quando são mais velhos. Parece que foram "atacados pela artilharia"., com cicatrizes corporais extensivas causadas pelos dentes de outros golfinhos de Risso e, em menor escala, por confrontações com lulas.

A sua cabeça é arredondada e não possui bico. Este golfinho pode medir entre 3,60 a 4m de comprimento.

O corpo tem tendência  a clarear com a idade, se bem que haja grandes variantes entre indivíduos: os adultos podem ser quase tão brancos como golfinhos-brancos ou tão escuros como baleias-piloto.

À distância, a barbatana dorsal alta pode induzir momentaneamente à confusão com orcas fêmeas ou jovens ou roazes-corvineiros.

O golfinho de Risso tem um sulco frontal no centro da testa, correndo do espiráculo ao "lábio" superior; é visível de perto e é peculiar a esta espécie.

Por vezes vêem-se golfinhos de Risso agrupados com outras espécies de golfinhos e com baleias-piloto.

Barbatana Caudal

Cabeça de Animal Velho

Comportamento: Sabe-se que os animais jovens saltam; os animais mais velhos têm tendência para dar meio-salto, batendo depois com o lado da cabeça na superfície.

Por vezes eleva bem a cabeça para "espiar", ficando as barbatanas peitorais expostas.

Pode dar "batimentos caudais e peitorais" e faz surf nas vagas.

É raro "acompanhar à proa", mas pode nadar ao lado de um navio ou no seu rasto.

É típico mergulhar durante 1 a 2 minutos, depois sobe e respira uma dúzia de vezes com intervalos entre 15 e 20 segundos; pode ficar debaixo de água até 30 minutos.

Barbatana caudal pode aparecer acima da superfície quando mergulha.

Às vezes nada "saltitando".

Pode emergir para respirar num ângulo de 45º.

Quando caçam, os grupos estendem-se por vezes numa longa linha. Alguns são grupos muito tímidos, mas outros deixam-se aproximar.

Distribuição: Bastante abundante, a distribuição é ampla. Prefere as águas profundas do largo, mas pode ser visto perto da costa em volta de ilhas oceânicas e onde haja uma estreita plataforma continental.

Na Grã-Bretanha e Irlanda, maioria dos registos dentro dos 8 km costeiros. Nos EUA, encontrado sobretudo perto do extremo da plataforma.

Presente durante todo o ano na maior parte da área, apesar de poder haver um movimento sazonal costa/largo em algumas áreas.

Encontrado por vezes em regiões mais frias durante os meses de Verão.

Alimentação: cefalópodes, por vezes peixes.

http://www.golfinhos.net/pt/portal/especies/familia-dos-golfinhos/golfinho-de-risso.html



quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vocês sabem como todos nós tentamos encaixar as coisas e as pessoas em pequenas caixinhas e rotulá-las, de forma a podermos arrumá-las nas prateleiras e retirá-las quando nos é mais conveniente?

Eu também o faço, mas no outro dia, ao falar através do chat do Facebook com um amigo, sofri uma epifania e achei absurdo tal comportamento. Ele fazia-me perguntas absurdas, seguindo a linha dos teste de personalidade, de forma a tentar perceber-me melhor. Achei divertido, a sério e não me esquivei a nenhuma pergunta, respondendo a tudo com a maior sinceridade, mas ele ia ficando cada vez mais confuso e foi criando opiniões e conceitos diferentes acerca de mim, que depressa se via obrigado a alterá-los, porque na realidade, eu não me encaixo em nenhuma caixinha. Nenhum de nós encaixa. Todos temos demasiadas camadas, demasiadas facetas, para que sejamos catalogados com mais de 70% de segurança, numa só. O resultado é que passamos a vida a ser aquilo que não somos. As pessoas olham para o que escrevo e acham que eu sou uma pessoa cautelosa, que programa tudo ao mínimo detalhe, que gosta de rotinas, quando na realidade, apesar de eu apreciar todas essas características, elas não me pertencem. Até gostaria de ser possuidora de algumas, mas não sou. Eu até posso planear com antecedência, mas sempre que o faço, as coisas não correm como defini e não existe nada que me dê maior prazer do que sair da rotina e dizer o que me vai na cabeça, sem pensar nas consequências.

Mas isto são apenas pormenores de personalidade, mas e quando é mais do que isso?

Hoje conheci um Chinês, que não o é. Existe um restaurante buffet chinês com sushi, onde comecei a ir almoçar e um dos empregados, sempre falou comigo num português impecável. Sempre achei estranho e hoje, tive oportunidade de lhe perguntar onde havia ele aprendido a falar português tão bem. Ele riu-se e disse-me: «Nem sequer sei dizer duas frases em mandarim.»

Achei estranhíssimo, mas ele ao aperceber-se disso, decidiu contar o que se passava:

« - Os meus pais fugiram da China nos anos 30, quando o Japão invadiu o nosso país. Eu não devia ter 5 anos quando cheguei a Macau e daí viemos para Portugal. Não havia chineses em Portugal na altura e os meus pais acharam que apenas deveríamos aprender português, pois com o comunismo na China e com a invasão japonesa, voltar não era opção.  Apenas os meus pais falavam mandarim, todos os meus amigos eram portugueses, os meus vizinhos eram portugueses, estudava na escola portuguesa e o meu pai morreu quando tinha 10 anos. Nunca cheguei a aprender a falar mandarim. Casei-me com uma portuguesa e tenho uma família tradicional portuguesa, com todos os vossos costumes e hábitos, até sou católico. De chinês apenas tenho a minha cara.»

Percebem o meu ponto de vista?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Não sei se por acaso alguma vez aqui comentei, que não gosto nem só um pouco de Francês, mas existe nesta língua, uma palavra, que me diverte e que uso com alguma frequência, porque ela significa muito mais do que a sua tradução literal e na realidade pode descrever tudo aquilo que por vezes admiramos em determinadas pessoas, mas que não sabemos o que é exactamente.

Na realidade, foi uma palavra muito usada durante o reinado do Rei Sol, em França e tem também um pouco a ver com aquela época, em que as mulheres para se fazerem notar, ou poderem viver como pensavam e queriam, tinham que ter em abundância. Estamos a falar de um altura, em que as mulheres em todo o lado do Mundo eram consideradas apenas objectos e pouco mais, mas que em França, davam cartas na literatura, na poesia e na filosofia. Muitas das regras de etiqueta e muito do que a língua francesa é hoje, e que todos conhecemos, em muito lhes deve.

Mas voltando à palavra em si: “Ésprit”, significa muito mais que espírito. Significa, isoladamente, ou em conjunto, “Mente”, “Destreza”; “Jogo de Cintura”; “Espinha Dorsal”, “Inteligência”; “Esperteza”; “Ser”, ou como alguém descrevera na altura: «Um poder que todos os outros reconhecem.»

Aristocrata que não tivesse “Ésprit”, depressa era devorado pela máquina cabalista, intriguista e maquiavélica, que era a Corte da altura de Luís XVI. O “Ésprit”, tornou-se um apetrecho social imperativo.

Alguém sabe onde é que se pode comprar, para poder oferecer aos nossos acefálicos políticos?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Antes de mais, desculpem ter ficado tanto tempo sem actualizar o blog, mas a verdade é que férias e computador, por mais portátil que seja, não combinam. Contudo estou de volta e com o meu retorno ao dia-a-dia pavoroso, voltaram, as pequenas pérolas que fazem dos meus dias, algo melhor.

Hoje tive que apanhar um autocarro, algo que simplesmente odeio, não suporto. Se de comboio eu sinto alguma liberdade e calma, posso ler e escrever, dormitar e sonhar, de autocarro, apenas perco tempo. Fico enjoada, não consigo ler e muito menos escrever e passo todo o tempo a pensar quando é que o estupor do condutor, não se vai espetar numa curva.

Estava eu nesse sacrifício, quando um senhor, com mais de 60 anos, se sentou ao meu lado. Cumprimentou-me, algo que achei educado, acho sempre que se deve dizer bom-dia, boa-tarde, boa-noite, é um bonito hábito que nos temos vindo a esquecer. Mesmo quando não conhecemos as pessoas, pois se elas se cruzaram no nosso caminho nesse dia, e depois de nos terem que ter visto, acho que é o mínimo que devemos fazer para melhorar o seu dia, desejar “Bom-alguma-coisa”. No entanto não ficou por aí e isso, já acho mal. Eu gosto de pensar e odeio que estraguem o meu raciocínio, mas o Sr. precisava de falar e na falta de se dirigir a um padre na confissão, eis que eu surgi, como um elemento salvador da sua alma e pensamentos torturados. (A igreja católica tem que fazer algo sobre isto, antigamente as pessoas não iam aos psicólogos, iam ter com um padre, eram de graça, poupavam ouvidos alheios, ninguém ficava a saber e eram igualmente desculpados e perdoados por qualquer acto que tivessem cometido e acima de tudo, não me chateavam). Mas estou a desviar-me das pérolas.

O Senhor, depois de ter contado uns quantos segredos sobre a mulher coscuvilheira que tinha feito uns amigos “Testemunha daquele gajo, o Jeová” e que lhe estavam a dar a volta à cabeça, ao ponto de ele quase ter querido bater-lhe na noite passada, confissão que foi seguida por uma frase minha, muito perspicaz e talvez a única que proferi:

“A violência é um poço sem fundo, do qual se faz bungee jumping, mas cujo elástico nunca permite voltar para cima, porque se parte!”

Acham que ele percebeu alguma coisa? ! O certo é que ele disse que eu tinha toda a razão e continuou, mudando de assunto, para uma sequência de pérolas que eu vou agora transcrever e acreditem que o contexto fez tanto sentido, quanto o que eu agora vou atribuir: Nenhum. E vou sublinhar as palavras que foram destorcidas ao longo do seu fluente discurso.

- E já viu a Gripe A? Começa a ser probremático. É um micróbrio, complicado de se evitar.

- É que as pessoas esqueceram-se do que é a hipiene.

- Nós tínhamos bácoros, ovelhas e cabras em casa, mas tínhamos as orelhas e as unhas sempre limpas e não tínhamos cá esses luxos como os putos de agora têm, como essas coisas que se usa nos ouvidos: os cordonetes.

- Mas basta ver nos supermercados. Deixam entrar todo o tipo de pessoas. Como é que a fruta pode ser segura, se drógados, pretos e ciganos, entram e mexem nelas. (Acreditem que se não fosse pelo facto de eu estar internamente a rir-me com a ironia de alguém que comete tantos erros de vocabulário pronunciar a palavra drogado, como os tios de Cascais, eu ter-me-ia levantado e ido embora naquele momento.)

- Se não vão comprar não podem entrar. Se os empregados têm que usar tocas e luvas, porque é que deixam entrar os piolhentos daqueles pretos e brancos drógados que usam aqueles cabelos cheios de m**** que não prenteiam?!

- É por isso que os micróbrios da Gripe A, não morrem.

- E os disvorcios?! (esta fez-me mesmo rir, pois alguém que fez parte das minhas férias também diz divorcio assim) Já ninguém fica casado! É tudo disvorciado e ninguém tem vergonha. Não acha?!

- Antigamente é que era, os miúdos brincavam na rua e nunca riscavam um carro ou roubavam um autromóvel. (talvez porque não houvesse muitos para roubar, mas roubavam outras coisas, o roubo não é uma invenção deste século)

Bem, acreditem que houve muito mais, até os trinta minutos da minha viagem tivessem terminado e felizmente pudesse sair do autocarro.

Digam lá se não foi uma excelente maneira de começar o dia?! Mas o mais engraçado é que se este senhor entrasse para o programa Novas oportunidades e tivesse passado aquelas pérolas para o papel, teria direito ao 12º ano.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Não sou grande apreciadora de "Demonstrações Públicas de Carinho", apesar de achar algumas deliciosas. Mas quando essas demonstrações de carinho começam a parecer o canal XXL num Sábado de madrugada, deixam-me incomodada e começo logo a pensar em como a Liberdade dos Outros acaba, quando a minha devia Começar.
Até que estava a ser uma boa manhã, cheguei cedo a Lisboa, tinha tempo para ler e-mails e escrever alguma coisa enquanto tomava o meu capuccino no Jeronymo do Rossio com o meu pão de sementes com queijo, antes de entrar no meu pavoroso emprego.
Sim, estava tudo a correr bem, até que na mesa ao lado duas raparigas, que pelo aspecto ainda são adolescentes, se agarraram uma à outra, numa troca de beijos e mãos, pernas para cima e para baixo, línguas rosadas e outras coisas...
E pronto, assim se estragou o meu pequeno almoço, a vontade de escrever a mensagem que queria e apareceu a necessidade deste desabafo. É que para além de serem "Demonstrações Públicas de Carinho" muito explícitas, eram duas mulheres, algo que me deixa ainda mais desconfortável e arrepiada.

Não gosto e ponto, mesmo que sejam a seguir ao Dia da Mulher.

Subscribe to RSS Feed Follow me on Twitter!