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segunda-feira, 30 de julho de 2012



Num país que já não é o teu, alguém que viaja de carro te vê na rua e grita:

- Iris! Iris! - alguém que te viu pela última vez quando tinhas uns 6 anos de idade (já lá vão 30) - És a Iris não és?

- Sou e tu?

- Sou o Lito, afilhado do padrinho Restolho. - (o nome Lito tocou as campainhas certas e depressa lembrei-me dos meus vizinhos no Quinaxixe - Luanda - Angola)

- Oh Lito, como é que me reconheceste na rua?!

- Como é possível não reconhecer, és a cara chapada do padrinho Restolho... como está a madrinha Augusta?! Desde 82 que não sei nada de vocês... que saudades da madrinha, que saudades!

- (a conversa continuou e deu-me boleia.)

E esta hein?

domingo, 29 de julho de 2012

Perto de Luanda - Angola - está a ser construída uma nova urbanização, ZANGO. 

Estas imagens a National Geografic, foram tiradas há uns meses atrás, numa das estradas que liga Luanda a esta zona, que estão em execução e quem tirou as fotografias decidiu partilhá-las comigo, provavelmente pensando que isso iria assustar-me, ou dar maior crédito ao que eles passam por estarem a trabalhar neste país maravilhoso e cheio de contrastes.

Tenho que dizer que odeio cobras, desde que uma Mamba Negra decidiu que passar por cima dos meus pés era o caminho mais rápido para o que ela tinha a fazer, mas de qualquer forma, não consigo parar de me fascinar pela diversidade biológica dos reptéis e das suas diferentes capacidades.

São simplesmente fantásticos! Reparem na deformação do maxilar da Giboia enquanto engole o lagarto tamanho familiar.


















quarta-feira, 4 de abril de 2012



Para além dos diamantes, petróleo, bauxite e sei lá mais o quê, o peixe é uma das muitas riquezas de Angola.

Fresco ou seco, cozido ou grelado, com diferentes acompanhamentos, a dificuldade encontra-se mesmo, na hora de escolher o que comer.

Do outro lado da rua do Hotel Trópico, onde fiquei instalada, existe uma cervejaria a “Tendinha”, que para além de uma fabulosa decoração com arte africana, tem uma ementa rica, variada e, sobretudo, muito bem confeccionada.

Na Quinta-Feira passada, comi lá um Mufete de Choupa, que era de se comer e chorar por mais. 

A Choupa é muito parecida, visualmente, com o Sargo, ou com a Dourada, mas detém um sabor mais cristalino e tem uma carne mais firme. Neste prato específico é grelhada e coberta com um molho de azeite, cebola e salsa picada. Para acompanhamento temos uma guarnição que grita África em cada garfada, composta por Banana Pão, Batata-Doce e Mandioca cozida. À parte servem ainda, como complemento extra, feijão de óleo de palma.

Quanto a mim, só falta mesmo é colocarem jindungo na confecção, pois ter de se juntar depois, retira grande parte do sabor e o jindungo não se quer apenas picante.

Acompanhei o meu prato com uma Cuca gelada, mas fiquei com a impressão que um bom vinho verde teria sido o parceiro ideal.

sábado, 31 de março de 2012




















sexta-feira, 30 de março de 2012

Tal como previa o caos ficou estabelecido. Não havia telefones, as estradas estavam em grande parte intransitáveis, não se conseguia confirmar ou desconfirmar reuniões, entrei no taxi, preparado para a cidade a pensar na aventura que seria enfiá-lo em buracos alagados e ver quando é que iríamos ficar parados no meio de estradas enormes, sem ter como voltar para trás.



Na agenda tinha 4 reuniões marcadas pela AIDA/AICEP, que variavam entre o centro da cidade e a Talatona, passando por Viana e pela zona da FILDA.

A primeira reunião - Vejam bem a minha sorte! - era com o coordenador geral da ELISAL (empresa responsável pela limpeza e saneamento de Luanda). Claro que quando lá cheguei, o Sr. coordenador estava em ronda para ver os estragos que a chuva de 2ª Feira haviam feito. Reunião adiada e depois de muitas tentativas por telemóvel, lá consegui coordenar (brincadeira), uma reunião no Hotel para o fim da tarde. Mais um Gin Tónico, menos um Gin Tónico, e fiquei a perceber que é o Ministério da Administração Interna que comanda qualquer compra que eles façam. (tempo, literalmente perdido)


As outras lá se passaram como tinham de passar, com maiores ou menores perspectivas, os contactos ficaram feitos e a porta passou a estar destrancada.

Comi um Hamburguer no bar do hotel para jantar, uma vez que havia almoçado com outro cliente e onde para um simples serviço de buffet, havia pago mais de 60€/pessoa. Haja cidade cara!

O dia rematou com uma chamada para o mais que tudo e mais uma noite de pequenas passagens pelo sono.

terça-feira, 27 de março de 2012

8.30h - Uma empresa de segurança
10.00h - Uma empresa de furos de água
14.00h - Uma empresa de construção
16.00h - Uma empresa de multi-serviços e organização de eventos

Às 7.00 desço para tomar o pequeno-almoço. Pela primeira vez desde que cheguei, assustei-me. Havia agentes de segurança privada em todos os corredores e a segurança do hotel ostentava mais armas do que o normal. Quando passo pelas salas de reuniões apercebo-me que existe um congresso/seminário/qualquer coisa que o valha, sobre diamantes. Caso explicado e o susto afasta-se tão rápido quanto surgiu.

A primeira reunião era mesmo ao descer da rua. Fui a pé a apreciar tudo o que me rodeava. A vivência das pessoas continua a mesma. Tudo se passa num caos organizado que apenas os locais percebem. Depois da primeira reunião, que vai dar em cliente, acabo por decidir comprar um Laranjinha. Já tinha gasto todo o meu saldo pessoal a enviar mensagens a confirmar reuniões, por isso com 31000 Kwanzas comprei um telemóvel e uma recarga que me deve dar até ir embora. Não se assustem, é qualquer coisa como 25€.

A reunião seguinte fica em Talatona, já fora de Luanda, por isso apresso-me a arranjar um taxi, mas depois de longos telefonemas de frustração, peço à recepção para me arranjarem um.

O rapaz chega, baixinho com barriga de cerveja num carro branco, pequeno. O recepcionista apresenta-o e depois de lhe dizer para onde ia ele diz:

- 15.000 kwanza -  eu sorri e continuei
- Vamos de helicóptero? -  o recepcionista ri-se e afasta-se deixando-me a negociar com o personagem. -  3000, ida e volta.
- 12000 - insiste sem conter um sorriso.
- 4000
- 8000
- 6000 kwanzas - afirmo mais peremptória
- Feito! - Huuum! Respondeu rápido demais. Fiquei com a sensação de que 5000 teria sido o preço justo, mas como posso eu adivinhar?! Nada é tabelado, nada tem facturas ou recibos. Que dor de cabeça vai ser justificar as despesas.

Talatona foi um sucesso e levo encomenda comigo. Espero que a transferência seja feita antes de eu voltar a Lisboa. Ainda tenho de lá voltar, mas por causa de outra empresa.

Depois do almoço, as reuniões seguintes foram no hotel. Menos mal, sempre é algum que se poupa. As reuniões foram menos promissoras, mas nunca se sabe. Este trabalho de prospecção é um jogo de cegos. Andamos todos a apalpar terreno e é difícil perceber o que irá resultar ou não.

Nos intervalos entre reuniões deu para dar umas voltas a pé (desculpa mãe, mas sabias bem que não ia ficar quieta, eu não sou menina de ficar no hotel). Tive sempre a sensação que podia ser atacada a qualquer momento, mas se calhar com um pouco de sorte, nem deram por mim.

Consegui localizar alguns lugares onde vou ter reuniões durante o resto da semana e para as quais irei a pé. Prefiro assim! Não gosto nada da ideia de andar num carro com alguém que não conheço e que não passa recibo.

Choveu torrencialmente toda a noite. As estradas alagaram e vão deixar a minha 3ª Feira num caos.

Fiquei sem net das 20h às 24h, para além do tédio, fiquei sem falar com o FI....

segunda-feira, 26 de março de 2012

Depois de algum tempo de espera para que a Dra. Carla da AIDA resolvesse um problema de um saco com umas sapatilhas para entregar a dois personagens divertidos, que tinham ficado com o Sr. Engenheiro qualquer coisa também da AIDA, mas que ia seguir para a Namíbia, seguimos para o hotel.

A cidade está em convulsão. Prédios que há anos esperam demolição estão a ser deitados abaixo, torres e arranha céus crescem como cogumelos, passeios estão a ser reestruturados, as estradas estão a ser alargadas, os jardins estão a voltar a ter verde e cor, mas as fossas continuam cheias, os musseques existem em cada espaço disponível, existe lixo em todo o lado e a água das fossas continua a refrescar o alcatrão.

Chegámos ao Hotel, que mantém no meio de uma rua bem degradada, uma imagem limpa e elegante. Entrámos de caminho, enquanto a Carla combinava com o motorista do mini-autocarro para nos vir buscar em 20 minutos, pois o grupo queria ir beber uma CUCA à Ilha antes de apanharem o avião para Benguela.

Eu, respeitosamente dispensei, uma vez que não ia seguir viagem com eles, pois tenho reuniões em Luanda do dia 25 ao dia 30, mas como insistiram tanto e traziam-me de volta ao hotel e como a 1ª reunião agendada era apenas para as 15h, lá cedi e juntei-me a eles.

Ainda bem, pois o meu quarto de hotel apenas ficou livre perto das 13h e se não o tivesse feito teria apanhado uma seca no lobby, que por muito agradável que seja, ter-se-ia transformado num autêntico purgatório.

Fomos até ao Miami, comemos um prego e bebemos 1 ou 2 Cucas às 11h da manhã. Seria uma espécie de brunch.a olhar o mar e a apreciar cada toque do sol na minha pele. No entanto, porque não estou aqui de férias mas sim a trabalhar, puxei o assunto das agendas, para desagrado de alguns e descobri, que vou poupar dois taxis, um na 4ª Feira, onde existe uma Senhora no negócio das madeiras que vai à mesma empresa do que eu e outro na 6ª Feira, onde mais duas empresas, uma metalurgica e outra de formação de ambulâncias, que vão comigo aos Bombeiros.


Voltámos ao hotel, desejei-lhes boa viagem até 3ª feira e lá fui eu, tentar agilizar o quarto, para tomar um banho e trocar de roupa antes da reunião.

Dito e feito. As reuniões foram um sucesso e espero que tragam alguns dividendos dentro em breve.

Jantar no bar da piscina do Hotel e cama cedo que não dormia há mais de 48 horas.

Apenas tempo para trocar umas frases no chat com o meu amor...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pois é! Como vos disse antes, vou ter de ir até Angola a trabalho. Apenas uma semana, cinco dias, mas mesmo assim, estou a sofrer algum tipo de síndrome que me deixa muito desconfortável.

Angola é o país que me viu nascer, que me viu dar os primeiros passos e que me ouviu dizer as primeiras palavras. É o país onde os meus avós maternos se conheceram e casaram, onde tiveram a minha mãe e onde a minha mãe e o meu pai se conheceram e casaram. É o pais que me deu as primeiras lições de vida, onde aprendi a disparar uma arma, onde descobri que tinha fobia de cobras, onde eu fugi de balas, vi gente morrer nas ruas numa guerra sem explicação, onde estive em filas de racionamento e onde eu vi o meu pai perder a vida 3 vezes. (Sei que parece estranho, mas vou explicar apenas este ponto: o meu pai teve 1 ataque cardíaco grave, aquando de umas das minhas visitas aos onze, ou doze anos e teve depois mais dois AVC's, que coincidiram sempre em alturas em que eu estava lá a viver ou de férias.)

Foi em Angola onde eu conduzi pela primeira vez, andei de bicicleta pela primeira vez, fui mordida por um cão, pela primeira e única vez, na casa do Cônsul dos Estados Unidos, que valeu um "Camaro" ao meu Pai (se calhar o meu pai fez de propósito!). Acompanhei o meu pai em tantos Ralis, nas estradas de terra batida a Norte de Luanda e em Cabinda! (Que saudades pai!) E foi em Angola onde eu quase morri pela primeira vez, aos 5 anos com Tifo (mas valeu a pena, mãe, a Ana não morreu sem uma amiga a apertar-lhe a mão, eu estava lá e isso tem de valer alguma coisa, mesmo o susto que tu e o pai tiveram).

Eu nunca me senti tão viva como em Angola! Aquela terra encarnada, o cheiro da humidade do ar, as luas vermelhas do tamanho do Mundo, a pesca nocturna nos cais de Luanda, as noites longas no Barracuda onde, depois do jantar os meus pais namoravam e por vezes discutiam algum assunto, enquanto eu e a minha irmã apanhávamos conchas na areia da praia, os pic-nics na Barra do Kwanza, os meus aniversários na praia do km 31.

Angola é a minha terra mãe, mas será que eu me vou identificar com ela depois de tantos anos de afastamento, depois da morte do meu pai, depois de eu já não ser aquela pessoa que fui?!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012


Pois bem, de vez em quando lá tem de ser. Tenho de sair da comodidade da minha (In)ergonómica cadeira, do meu lento e insuficiente PC para as necessidades laborais diárias e tenho de me dirigir a um destes pastéis.

Faz parte das minhas funções no meu novo emprego explorar mercados fora das fronteiras para alargar o peso da balança de exportações da empresa e um dos mercados que tenho que trabalhar, é mesmo o mercado Angolano, que me surgiu de imediato, talvez por ter com ele uma afinidade especial.

No âmbito desta minha nova tarefa, tive ontem, que me dirigir até ao Porto para uma conferência sobre o mercado de Angola, organizado pela AICEP.

Já me tinha esquecido deste microcosmo digno de estudo científico, não da conferência em si, mas dos espécimes que acorrem a estas.

Existem 3 tipos, divididos em sub-espécies. Mas vamos falar agora, apenas dos grupos generalistas:
  1.  Os gestores que utilizam todas as conferências, formações e afins para se libertarem dos escritórios e arranjarem uma desculpa para fugir do local de trabalho. Surgem por lá como se fossem a um cocktail, falam ruidosamente de todas as outras conferências a que foram nos últimos tempos, usam como camuflagem, as marcas mais em voga do ano, com fatos e tailleurs de corte impecável e sobretudos irrepreenssíveis, saltos vertiginosos e sapatos reflectores de tanto brilho, com solas quase novas, demonstrando que o andar é uma actividade que se faz da carpete do quarto , para o carro e deste para a carpete de outras salas, ignorando os campos asfaltados, de terra, ou calçada. O ouro surge como o artefacto mais vistoso das sua plumagens, bem como o último grito de I-phones  e Ipads que usam de 5 em 5 minutos, para se fingirem de muito activos e ocupados, como se aquela tarde ali, fosse uma perda de tempo irrecuperável e que ninguém fosse capaz de trabalhar sem eles lá (na realidade apenas estão a trocar imagens e lol's no facebook e outras redes sociais.).
  2. Depois existe uma segunda espécie que surge a passear como turistas, com blasers desportivos, camisa de marca por baixo de um pólo Ralph Loren e calças de bombazine. Mala de computador portátil a tiracolo, como se estivessem no lobby por engano. Chegam em cima da hora e olham para o telemóvel para dizerem como se alguém estivesse interessado: "Afinal ainda cheguei a tempo!"
  3. Os alienígenas: estudantes, gestores e pequenos empresários, que realmente trabalham e fazem falta nos seus escritórios e que escolheram aquele congresso, formação, ou conferência, porque realmente fala de algo que precisam mesmo conhecer melhor.
As duas primeiras espécies partilham nas suas conversas pontos comuns interessantes:
  • Utilizam palavras e expressões em Inglês e Francês, como se no léxico português não houvesse palavras suficientes para exprimirem o que querem dizer. 
  • Mentem com todos os dentes sobre os negócios que fazem e de quanto facturaram no último trimestre.
  • Falam sobre as previsões que nunca fizeram, mas que têm a certeza que irão acontecer, pois nunca se enganam e os mercados não têm vida própria para eles.
  • A crise veio mas não os afectou e vão fazer umas férias no Carnaval, talvez para a neve para não destoar. Na Páscoa prevêem ir até algum paraíso tropical, para não estarem brancos para as férias do Verão e porque estiveram nas grandes cidades "civilizadas" para as compras de Natal (leia-se: Londres, Paris, Nova York) e não vão repetir destinos.
Ainda hoje estou para perceber como é que eu vim parar aqui! Todas as opções que fiz aos 16 anos vieram mesmo a revelar-se falácias enormes sobre a minha personalidade. A minha profissão agrada-me, mas não me completa e não é de todo o que eu amo. Não me revejo neste meio, nestas pessoas.


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