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sábado, 18 de julho de 2009

 

 

Por vezes, o risco de se perder aquilo que se tem é tão grande, que tenho medo de arriscar. Acho que se pode sempre ficar pior do que se está.

sábado, 30 de maio de 2009

52 e a decrescer. A contagem diminui minuto a minuto e no entanto parecem minutos do tamanho de horas. Uma ilusão fruto da impaciência, do aborrecimento.

49 e as conversas passam ao lado. Os meus colegas de trabalho, comentam as novelas do dia anterior e os vestidos dos Globos de Ouro, não têm nada a ver comigo e não têm a menor ideia do que é que eu gosto, apenas me acham estranha, elitista, armada em intelectual. Não percebem porque é que eu leio de tudo, porque é que gosto de cinema, porque é que eu vou ao teatro, porque é que eu sei um pouco de tudo e quando não sei, chego no dia seguinte com a explicação. Acham estranhos os livros que leio, pedem-nos emprestados e devolvem-nos, dizendo que não passaram da décima página e eu, eu que os li num fôlego, sinto-me uma alienígena.

39 e nada de interessante se passou, nada de interessante foi dito, nada de interessante foi feito. Quando explico que preciso de outro emprego, todos acham que devo dar graças a Deus por já ter um e eu concordo, concordo com aquela mágoa dentro do peito que me leva a repensar os meus passos, a revalidar os meus gostos, as minhas prioridades.

25 e alguns colegas começam  sair. Que saiam, que nada me dizem. Digo “Até amanhã!”, como se dissesse: “Não se esqueçam do Pão!”, ou outra coisa qualquer.  Amanhã voltarão com as suas vidas iguais, padronizadas, horizontes limitados e eu penso, mais uma vez, em como os meus sonhos, os meus horizontes alargados, são uma prisão, um martírio.

18 e a ansiedade de sair dali, de poder ler, escrever, exercitar o raciocínio, dar trabalho às células cinzentas, acordá-las da letargia que o meu emprego representa, torna-se insuportável.

5 minutos para sair e começo a preparar as coisas. Bem podia começar a prepará-las assim que entro, porque as horas que passo naquele escritório, equivalem a uma morte prematura… pelo menos a uma morte cerebral.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ao ler um outro parceiro “bloguista” lembrei-me desta mensagem que há muito queria aqui colocar.

Vivemos numa sociedade onde todos pensamos que a comunicação é algo perfeitamente ao alcance de todos. Num mesmo minuto, posso estar a escrever aqui, no meu blog, comunicar com familiares por telefone, a trocar mensagens no msn, com amigos e, no entanto, estou só.

A minha sobrinha apenas com sete anos recebeu um Magalhães e já faz tudo sozinha. E quando digo sozinha, digo só, porque acho que com a tecnologia de hoje, os miúdos estão cada vez mais a só, todos nós estamos mais sós... estamos desesperadamente sós. Os miúdos já não brincam nas ruas, não pulam ao elástico, não jogam à “sirumba”, às escondidas, ao mata, não podem sair à rua para irem ter com tos amigos, não podem simplesmente fazer corridas de bicicleta.

Iludimos-nos que vivemos numa sociedade de comunicação e esquecemos simplesmente que essa comunicação é virtual, um conjunto de monólogos que se tentam fazer ouvir, porque não existe algo básico e primordial, o contacto humano, o toque...

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