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segunda-feira, 19 de março de 2012

Vou ter pela frente um longo período de mentalização. Existe um sonho que eu alimento desde que tenho 16 anos, um sonho que tem sido tudo o que eu realmente quero.

Não me interessa o euro-milhões, sair nas páginas de revista, ou que os livros que já escrevi sejam best-sellers. Tudo isso pode acontecer, não vou dizer que não a nenhuma delas, mas nada me faria mais feliz que ser simplesmente mãe.

Este sonho parece ser tão simples para a maioria das mulheres, muitas vezes nem sequer planeiam, ou querem e no entanto acontece-lhes como um acaso do destino, para outras basta casar e dizer, quero ter um filho e pronto, lá a criança aparece passado um bocado, mas para mim, que desejo tanto ser mãe desde o momento em que a minha prima Mara nasceu, esse sonho tem sido apenas isso mesmo: um sonho.

E infelizmente assim será para sempre. O meu maior sonho, tudo o que eu mais queria na vida, nunca irá acontecer e eu tenho, de uma vez por todas de colocar isso na cabeça. Basta de sofrer cada vez que sei que alguém ficou grávida, basta de sofrer sempre que vejo um anúncio às mães na televisão, ou vejo um filme em que alguém tem um filho no fim e tudo fica feliz. Basta, basta, basta!

A dor que sinto aperta-me o ventre numa contracção absurda, torna-o tão pequeno que o sinto desaparecer da minha anatomia. Faz-me sentir seca e na verdade, não me sinto mulher.

Preciso mentalizar-me que nunca vou ter nenhum ser vivo a chamar-me mãe na vida e seguir em frente. Estou farta de sofrer!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pois é! Como vos disse antes, vou ter de ir até Angola a trabalho. Apenas uma semana, cinco dias, mas mesmo assim, estou a sofrer algum tipo de síndrome que me deixa muito desconfortável.

Angola é o país que me viu nascer, que me viu dar os primeiros passos e que me ouviu dizer as primeiras palavras. É o país onde os meus avós maternos se conheceram e casaram, onde tiveram a minha mãe e onde a minha mãe e o meu pai se conheceram e casaram. É o pais que me deu as primeiras lições de vida, onde aprendi a disparar uma arma, onde descobri que tinha fobia de cobras, onde eu fugi de balas, vi gente morrer nas ruas numa guerra sem explicação, onde estive em filas de racionamento e onde eu vi o meu pai perder a vida 3 vezes. (Sei que parece estranho, mas vou explicar apenas este ponto: o meu pai teve 1 ataque cardíaco grave, aquando de umas das minhas visitas aos onze, ou doze anos e teve depois mais dois AVC's, que coincidiram sempre em alturas em que eu estava lá a viver ou de férias.)

Foi em Angola onde eu conduzi pela primeira vez, andei de bicicleta pela primeira vez, fui mordida por um cão, pela primeira e única vez, na casa do Cônsul dos Estados Unidos, que valeu um "Camaro" ao meu Pai (se calhar o meu pai fez de propósito!). Acompanhei o meu pai em tantos Ralis, nas estradas de terra batida a Norte de Luanda e em Cabinda! (Que saudades pai!) E foi em Angola onde eu quase morri pela primeira vez, aos 5 anos com Tifo (mas valeu a pena, mãe, a Ana não morreu sem uma amiga a apertar-lhe a mão, eu estava lá e isso tem de valer alguma coisa, mesmo o susto que tu e o pai tiveram).

Eu nunca me senti tão viva como em Angola! Aquela terra encarnada, o cheiro da humidade do ar, as luas vermelhas do tamanho do Mundo, a pesca nocturna nos cais de Luanda, as noites longas no Barracuda onde, depois do jantar os meus pais namoravam e por vezes discutiam algum assunto, enquanto eu e a minha irmã apanhávamos conchas na areia da praia, os pic-nics na Barra do Kwanza, os meus aniversários na praia do km 31.

Angola é a minha terra mãe, mas será que eu me vou identificar com ela depois de tantos anos de afastamento, depois da morte do meu pai, depois de eu já não ser aquela pessoa que fui?!
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