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sábado, 24 de dezembro de 2016

microleituras

Eco era não só um extraordinário erudito, como um sábio epicurista. O seu humor assim o comprova.
(Conferência proferida em 10 de Março de 1981, na Biblioteca Municipal de Milão.)

início - «Penso que num lugar tão venerando seja oportuno começar, como numa cerimónia religiosa, pela leitura do Livro, não como uma finalidade informativa, pois quando se lê um livro sagrado já  roda a gente sabe o que o livro diz, mas com as funções litaniais e para predispor bem o espírito.»

ficha:
Autor - Umberto Eco
título: A Biblioteca
texto da contracapa: Maria Luísa Rodrigues de Freitas
tradução:  Maria Luísa Rodrigues de Freitas
editora: Difel
local: Lisboa
ano: 1987
capa: Rogério Petinga
impressão: Tipografia Guerra, Viseu
págs. 47

sexta-feira, 18 de julho de 2014

leituras de 2014 - #35 NOTAS DE RODAPÉ

O autor não é apenas professor de Literatura (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), como tem a particularidade de gostar dela, a Literatura -- o que nem sempre sucede --, e, o que é mais, sabe transmitir pedagogicamente essa paixão.
Estas Notas de Rodapé serão tal, na sua designação humilde, se nos reportarmos ao seu objecto: a grande literatura -- brasileira, principalmente, mas também portuguesa e de além-língua. Borges, Calvino e Eco, por exemplo, são abundantemente citados ao longo do livro, muitas vezes em epígrafes. Acontece que estas crónicas, publicadas na imprensa, foram escritas com o gosto de comunicar com os alunos e todos quantos pretendem aventurar-se no bosque da ficção. E, nesse aspecto, é excelente para aqueles leitores menos experientes, perdidos nos labirintos do mercado, nivelando ou soterrando os clássicos de ontem e de hoje na avalanche da subliteratura parida a esmo pela indústria editorial.
"Devaneios de um leitor solitário", subtitula Tôrres Freire o seu livro, desta forma despretensiosa e aparentemente leve, fazendo pontes para a História ou o Cinema, conduzindo sabiamente e dando ferramentas ao leitor interessado em distinguir o trigo do joio. Quase todos os Grandes brasileiros estão lá; e enquanto leitor português apreciei os textos consagrados a Fernando Pessoa, Ferreira de Castro, José Saramago e António Lobo Antunes.  4****

ficha:
Autor: José Alonso Tôrres Freire
título: Notas de Rodapé
subtítulo: Devaneios de um Leitor Solitário
apresentação: Rosana Cristina Zanelatto Santos
editora: Editora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
local: Campo Grande
ano: 2014
impressão: PROPP/UFMS
capa: ilustração de Liana Valle
págs.: 170

sexta-feira, 16 de maio de 2014

livros que me apetecem

do último JL:
As Aventuras de Nugunga, Pepetela (Caminho)
Do Colonialismo como Nosso Impensado, Eduardo Lourenço (Gradiva)
Kassel não Convida à Lógica, Enrique Vila-Matas (Teodolito)
Mudar o Mundo, Noam Chomsky (Bertrand)
Nova Teoria do Sebastianismo, Miguel Real (Dom Quixote)
Poemas Escolhidos das Irmãs Brontë (Relógio d'Água)
Sobre Literatura, Umberto Eco (Relógio d'Água)


 
 
  


domingo, 26 de janeiro de 2014

leituras de 2014 -- #2 ARTE E BELEZA NA ESTÉTICA MEDIEVAL


Um mergulho de Eco nos conceitos de beleza abordados nos grandes textos teológicos da Igreja medieval. Não havendo discurso teórico enquanto tal, a estética estava associada à acção divina de que resultava o belo, porque forçosamente associado à ideia de bem. Bem e belo confundem-se nas noções de harmonia e proporção, na Natureza como na acção humana. Tudo o que se afaste da norma -- o mundo à volta da paz dos mosteiros, onde se meditava e reflectia --, acaba por configurar uma transgressão ao ideal de que a obra de Deus não se ocupou.   4****

Ficha: 
autor: Umberto Eco
título: Arte e Beleza na Estética Medieval (Arte e Bellezza nell'Estetica Medievale)
tradução: António Guerreiro
colecção: "Dimensões" #23
editora: Editorial Presença
local: Lisboa
ano: 1989
ano da edição original: 1987
impressão: Lello & Irmão, Porto
págs.: 198

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

12x25

PRIMA

Onde se chega aos pés da abadia e Guilherme dá prova de grande agudeza.


     Era uma bela manhã de fim de Novembro. De noite tinha nevado um pouco, mas a fresca camada que cobria o terreno não era superior a três dedos. Às escuras, logo depois de laudas, tínhamos ouvido missa numa aldeia do vale. Depois tínhamo-nos posto a caminho para as montanhas, ao despontar o Sol.
     Como trepávamos pelo carreiro íngreme que serpenteava em torno do monte, vi a abadia. Não me espantaram as muralhas que a cingiam por todos os lados, semelhantes a outras que vi em todo o mundo cristão, mas a mole daquilo que depois soube que era o Edifício. Esta era uma constru-

Umberto Eco, O Nome da Rosa, trad. maria Celeste pinto, Lisboa, Difel, s.d., p. 25, ls. 1-12.

sábado, 12 de janeiro de 2013

12x25

É profundamente injusto subsumir atitudes humanas -- em toda a sua variedade, em todos os seus cambiantes -- sob dois conceitos genéricos e polémicos como os de «apocalíptico» e «integrado». Certas coisas fazem-se porque dar título a um livro tem as suas exigências (trata-se, como veremos, de indústria cultural, mas procuraremos precisamente mostrar como este termo tem vindo a ser assumido numa acepção o mais possível descongestionada); e fazem-se também porque, se se quer elaborar um discurso introdutório aos ensaios seguintes, será preciso fatalmente identificar algumas linhas metodológicas gerais: e para definir aquilo que não se quereria fazer, revela-se cómodo tipificar até ao extremo uma série de escolhas culturais, que naturalmente seria analisadas em con-

Umberto Eco, Apocalípticos e Integrados , trad. Helena Gubernatis, Lisboa, difel, 1991, p. 25, ls. 1-12,