Manuel Tiago, Cinco Dias, Cinco Noites [1975], 2.ª ed., Lisboa, Edições Avante!, 1994, p. 25, ls. 1-12.
autobiografia, correspondência, ensaio, história, memórias, panfleto, poesia, polémica, romance, teatro, viagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Tiago. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Tiago. Mostrar todas as mensagens
sábado, 22 de agosto de 2015
12x25
Etiquetas:
12x25,
Alvaro Cunhal,
Manuel Tiago
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
frente a frente
«Um e outro devoraram a travessa de bacalhau com grão. Esquentado pela correria, André bebeu vários copos de água, e o Lambaça outros tantos de vinho. Estava já visivelmente tocado pelo álcool e os olhitos avermelhados riam provocantes cada vez que o companheiro levava à boca o copo de água. Sem tirar o chapéu, despira o casaco preto, acomodando no bolso, bem à vista de André, um enorme revólver prateado. Os suspensórios demasiado esticados arrepelavam-lhe a camisa, deixando perceber uns ombros musculados. Só no fim da refeição quebrou o silêncio, a voz já empastada pelo vinho, mas ainda mais chocarreira e arrogante.»
Manuel Tiago, Cinco Dias, Cinco Noites (1975)
segunda-feira, 27 de julho de 2015
a caminho do exílio
(um parágrafo):
«Ali tomaram a camioneta, e esta seguiu, ronceira e aos solavancos por uma estrada poeirenta e esburacada, parando aqui e acolá em aldeias pacatas e tristonhas, onde subiam e desciam camponeses de poucas falas. André, que nascera e sempre vivera em Lisboa, olhava curioso a paisagem e a gente, apreciava as moças, ajudava a baixar cestas, e, ao fitar um e outro, lia-se-lhe nos olhos honestos a vontade mal refreada de falar e de conviver. A seu lado, direito e rígido, o Lambaça fumava cigarro atrás de cigarro, sem nada dizer.»
Manuel Tiago, Cinco Dias, Cinco Noites (1975).
Etiquetas:
«experiência-limite»,
CINCO DIAS CINCO NOITES,
Manuel Tiago
quinta-feira, 9 de julho de 2015
encontram-se André e Lambaça
1. Noite na estação de Campanhã, o momento do encontro entre dois estranhos: o muito jovem, talvez ainda ingénuo, mas determinado, André (19 anos), e o Lambaça (40/50 anos), um marginal (um homem das margems), fisicamente maciço e idiossincraticamente difícil e arrogante. O narrador refere-se a uma emigração forçada do protagonista, mas fica a ideia de tratar-se de um exílio político. Uma terceira personagem sem nome é vária vezes assinalado como "camarada". André será, portanto, um militante clandestino do PCP, cujo salto na fronteira se impôs.
O estilo de Manuel Tiago é directo, limpo essencial; diálogos de frases curtas, próprio de personagens que não se conhecem e desconfiam do outro.
(um parágrafo):
«André apertou na sua uma mão seca, ossuda e brusca. Agora próximo, de novo se abriu o clarão do cigarro. André mais adivinhou que viu um bigode negro e um rosto anguloso e moreno.»
Manuel Tiago, Cinco Dias, Cinco Noites, 2.ª ed., Lisboa, Editorial Avante!, 1994
Etiquetas:
«o outro»,
CINCO DIAS CINCO NOITES,
Manuel Tiago
quarta-feira, 17 de junho de 2015
o princípio revelado em 1975: «Com 19 anos incompletos, André viu-se forçado a emigrar.»
| imagem |
Não sei em que década foi redigida esta novela preciosa de Cunhal, talves ainda no exílio, talvez logo depois do 25 de Abril. É o segundo título de Manuel Tiago, que, com o romance Até Amanhã Camaradas alimentou o mito do romancista na clandestinidade, entretanto desaparecido. Será com A Estrela de Seis Pontas (1994) que Cunhal se revelará como ficcionista.
Tive muito boa impressão na primeira leitura. Ainda não calhou ver o filme de Fonseca e Costa.
Etiquetas:
Alvaro Cunhal,
CINCO DIAS CINCO NOITES,
José Fonseca e Costa,
Manuel Tiago
Subscrever:
Mensagens (Atom)