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quarta-feira, 19 de março de 2014

P&R - Dulce Maria Cardoso

Escrever é uma forma de tomar posição?   Viver é tomar posição. Escrever ainda mais. Como qualquer proposta artística.

Entrevista a Luís Ricardo Duarte, JL #1134, 19.III.2014.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

P&R -- Miguel Miranda

Tem alterado livros de contos e romances. Como praticante de xadrez, é o mesmo gosto pelas partidas longas e rápidas?   Sim, é uma boa imagem. As partidas rápidas têm uma magia especial. No entanto, quando as analisamos com lentidão percebemos que se calhar fizemos algumas asneiras. É preciso um raciocínio fulgurante para em cinco minutos levar a bom porto uma partida. O romance, ou os longos jogos de xadrez, equivalem a construir uma grande catedral. Temos de equilibrar todos os aspectos do projecto. Continuando com as comparações, em linguagem enóloga, o romance tem um fin de boca prolongado. O conto, pelo contrário, tem a magia de se conseguir, em pouco tempo, criar um momento, um flash, um suspense, uma precisão.

Entrevista a Luís Ricardo Duarte, JL #1130, 22.I.2014

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

P&R -- Alberto Manguel

Neste Dicionário [dos Lugares Imaginários] também convivem viajantes com não viajantes. Para conceber um lugar imaginário não é preciso sair de casa? O saber de experiência feito não conta?   A imaginação é já por si uma experiência. Júlio Verne escreveu tantas e tão extraordinárias viagens e não foi um grande viajante. Em alguns casos, leu sobre o assunto e depois escreveu. Também não há registo de Dante ter ido ao Inferno, ao Purgatório ou ao Paraíso. A descrição vem toda da imaginação. Nós confiamos quando um livro nos diz que o autor esteve num determinado sítio, mas ele não precisa de ter esyado mesmo lá. Grande autores, como Ryszard Kapuscinski ou Bruce Chatwin mentiram sobre os lugares em que estiveram. Mas contam uma história ainda melhor. Os seus testemunho são mais reais do que a experiência que nós poderíamos ter. Se viajasse até Lisboa o meu relato seria seguramente muito aborrecido. M;as se lermos o romance de Pascal Mercier, Comboio Nocturno para Lisboa, entramos numa espantosa aventura. Lisboa é uma cidade que também existe por causa da imaginação de escritores que não disseram a verdade.

Entrevista a Luís Ricardo Duarte, JL #1129, 8.I.2014