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sábado, 18 de janeiro de 2014

o passado é um lugar estranho

«Como é que nós agarramos o passado? Será que o podemos fazer? Quando eu era estudante de medicina uns brincalhões no baile de fim de ano soltaram na sala um leitão que tinha sido coberto de gordura. O bicho corria por entre as pernas, escapava-se quando o tentavam agarrar, grunhia imenso. Alguns caíram ao tentar segurá-lo, e fizeram uma figura ridícula. Muitas vezes o passado comporta-se como o leitão.»

Julian Barnes, O Papagaio de Flaubert (1984)

sábado, 11 de janeiro de 2014

só papel

imagem daqui
«Em relação a Flaubert nunca nada durou muito tempo. Morreu há pouco mais de um século e tudo o que deixou foi papel. Papel, ideias, frases, metáforas, prosa estruturada que se transforma em som. Isto é precisamente o que ele teria querido; só os seus admiradores é que sentimentalmente se queixam.»

Julian Barnes, O Papagaio de Flaubert (1984)
tradução: Ana Maria Amador


sábado, 28 de dezembro de 2013

estátua: a de cima, a permanente, a sem estilo

«Vou começar pela estátua: a de cima, a permanente, a sem estilo, a que chora lágrimas de cobre, a que lega à posteridade a imagem circunspecta de um homem com um laço desajeitado, colete quadrado, calças largas como sacos, bigode em desalinho. Flaubert não corresponde ao olhar. Olha fixamente para Sul, da place des Carmes em direcção à Catedral, por sobre a cidade que desprezou, e que, por sua vez, o ignorou largamente. A cabeça está a uma altura proibitiva: só os pombos podem ver a extensão total da calvície do escritor.»

Juçian Barnes, O Papagaio de Flaubert (1984)
tradução: Ana Maria Amador