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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

outro parágrafo de LUUANDA

Garrido Kam'tuta veio na esquadra porque roubou um papagaio. É verdade mesmo. Mas saber ainda o princípio, o meio, o fim dessa verdade, como é então? Num papagaio nada que se come; um papagaio fala um dono, não pode se vender; um papagaio come muita jinguba e muito milho, um pobre coitado capianguista não gasta o dinheiro que arranja com bicho assim, não dá lucro. Porquê então roubar ainda um pássaro desses?

José Luandino Vieira, «Estória do ladrão e do papagaio», Luuanda [1963], Lisboa, Círculo de Leitores, 1983.


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

um parágrafo de LUUANDA

...Dona Cecília de Bastos Ferreira, sentada na cadeira de bordão, na porta da casa, vê passar o vento fresco das cinco horas, mas as moscas não lhe largam. É Dezembro, calor muito; seu homem, Bastos Ferreira, mulato de antiga família de condenados, saiu já dois quinze dias para negociar no mato perto, acompanhando grande fila de monamgambas, fazendo o caminho a pé com os empregados dele, tipóia não gostava, dizia que homem não anda nas costas de outro.

José Luandino Vieira, «Vavó Xixi e seu neto Zeca Santos», Luuanda [1963], Lisboa, Círculo de Leitores, 1983.