autobiografia, correspondência, ensaio, história, memórias, panfleto, poesia, polémica, romance, teatro, viagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Bacelar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Bacelar. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
uma máxima de José Bacelar
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
...universal.
Os homens com os seus desastres e as suas derrocadas, se souberem realmente lutar e ser sublimes, serão sempre, em todas as circunstâncias, dignos de curiosidade universal.
Final do ensaio de José Bacelar, Da Viabilidade do Romance Português de Interesse Universal, Lisboa, Seara Nova, 1939, p. 123.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
7 anotações de José Bacelar
Uma máxima não pretende defen-
der um ponto de vista ou indicar
uma direcção; uma máxima cons-
tata, simplesmente. Não é pois um
género actual.
1 - A tarefa do crítico é facilitada quando não se trata já duma primeira obra. Uma frase resolve tudo: «É pior que a anterior».
2 - Importunamos os outros se lhes pedimos a respeito do que escrevemos a sua opinião; ofendemo-los se não lha pedimos.
3 - Há uma espécie de indulgência que é a indulgência do desinteresse. Uma indulgência mil vezes nefasta -- porque igualiza tudo e todos.
4 - Gritar, vituperar, amaldiçoar -- está bem ainda. Mas ai daquele que não faz como os outros -- ai daquele que friamente levanta um pouco o véu!
5 - Procurar dizer a verdade, hoje em dia, tornou-se muito simplesmente um sinal de infantilidade. O homem de verdadeira categoria mental -- é aquele que sabe mentir bem.
6 - O filósofo deve preparar-se para ver que o abandonam aqueles mesmo que o aconselhavam a dizer toda a verdade -- quando essa verdade sai afinal mais verdadeira do que a eles lhes convinha.
7 - Invocar a verdade com grandes atitudes na discussão dos incidentes do jogo -- eis o que agradará sempre aos contendores dum e doutro lado. Mas que um espírito mais inquieto surja, que, pondo de parte os episódios e as combinações desse jogo, demonstre muito simplesmente que os dados estão viciados, e verá voltarem-se contra ele -- tanto os amigos da mentira, como os amigos da verdade.
José Bacelar, «Prefácio» de Revisão 2 -- Anotações à Margem da Vida Quotidiana, Lisboa, Portugália Editora, 1936.
2 - Importunamos os outros se lhes pedimos a respeito do que escrevemos a sua opinião; ofendemo-los se não lha pedimos.
3 - Há uma espécie de indulgência que é a indulgência do desinteresse. Uma indulgência mil vezes nefasta -- porque igualiza tudo e todos.
4 - Gritar, vituperar, amaldiçoar -- está bem ainda. Mas ai daquele que não faz como os outros -- ai daquele que friamente levanta um pouco o véu!
5 - Procurar dizer a verdade, hoje em dia, tornou-se muito simplesmente um sinal de infantilidade. O homem de verdadeira categoria mental -- é aquele que sabe mentir bem.
6 - O filósofo deve preparar-se para ver que o abandonam aqueles mesmo que o aconselhavam a dizer toda a verdade -- quando essa verdade sai afinal mais verdadeira do que a eles lhes convinha.
7 - Invocar a verdade com grandes atitudes na discussão dos incidentes do jogo -- eis o que agradará sempre aos contendores dum e doutro lado. Mas que um espírito mais inquieto surja, que, pondo de parte os episódios e as combinações desse jogo, demonstre muito simplesmente que os dados estão viciados, e verá voltarem-se contra ele -- tanto os amigos da mentira, como os amigos da verdade.
José Bacelar, «Prefácio» de Revisão 2 -- Anotações à Margem da Vida Quotidiana, Lisboa, Portugália Editora, 1936.
Etiquetas:
«aforismos»,
José Bacelar
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
PREFÁCIO
1 - Uma máxima não pretende defender um ponto de vista ou indicar uma direcção; uma máxima constata, simplesmente. Não é pois um género actual.
2 - O autor de máximas procura a regra; mas não nega a excepção.
3 - O valor duma máxima não está apenas naquilo que ela diz, mas no eco que ela possa determinar na alma do leitor. Uma boa máxima não é mais, afinal, que um bom ponto de interrogação.
4 - Tem-se esquecido demasiadamente o homem como termo final de toda e qualquer actividade humana, a ponto de certas ciências se permitirem discutir soluções e tomar resoluções abstraindo quase das possíveis reacções dele. Mostrar, de tempos a tempos, um pouco o homem, e erguê-lo de novo acima de tudo o mais, terá pelo menos a vantagem de repudiar automàticamente um sem número de especulações arbitrárias e confusas, feitas em detrimento evidente da Humanidade.
5 - Há verdades que provocam gritos e protestos da direita, da esquerda outras, outras de todos os lados. Mas algumas há cujo efeito instantâneo é uma sideração. A resposta única, unânime, é o silêncio total, sob o qual dir-se-ia que uma ameaça de exterminação fermenta. Cremos de bom grado na justeza, na profundeza, na importância dessa espécie de verdades.
6 - A vida só tem de interessante aquilo que ela tem de pior. O autor de máximas, aquele que pretende fixar o que se escinde debaixo da aparência, será forçosamente um "pessimista". Os pensamentos do "optimista" não são máximas; serão, quando muito, ditirambos.
7 - O autor de máximas sobre o coração humano não cria em geral muito inimigos, pela simples razão que o leitor aplica a si mesmo as lisongeiras, e refere aos outros as restantes.
José Bacelar, Revisão -- Anotações à Margem da Vida Quotidiana, Lisboa, Portugália, 1935.
5 - Há verdades que provocam gritos e protestos da direita, da esquerda outras, outras de todos os lados. Mas algumas há cujo efeito instantâneo é uma sideração. A resposta única, unânime, é o silêncio total, sob o qual dir-se-ia que uma ameaça de exterminação fermenta. Cremos de bom grado na justeza, na profundeza, na importância dessa espécie de verdades.
6 - A vida só tem de interessante aquilo que ela tem de pior. O autor de máximas, aquele que pretende fixar o que se escinde debaixo da aparência, será forçosamente um "pessimista". Os pensamentos do "optimista" não são máximas; serão, quando muito, ditirambos.
7 - O autor de máximas sobre o coração humano não cria em geral muito inimigos, pela simples razão que o leitor aplica a si mesmo as lisongeiras, e refere aos outros as restantes.
José Bacelar, Revisão -- Anotações à Margem da Vida Quotidiana, Lisboa, Portugália, 1935.
Etiquetas:
«aforismos»,
José Bacelar
Subscrever:
Mensagens (Atom)