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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

livros que me apetecem

Amálgama, Rubem Fonseca (Sextante)
O Angolano que Comprou Lisboa (Por Metade do Preço), Kalaf Epalanga (Caminho)
As Avenidas Periféricas, Patrick Modiano (Porto Editora)
Cartas, Visões e Outros Textos do Sr. Pantaleão, Fernando Pessoa (Assírio & Alvim)
Desta Varanda, o Mar, Albano Martins (Simplesmente)
Diários de Viagem, Franz Kafka (Relógio d'Água)
O Livro dos Dias, Diniz Conefrey (Pianola / Quarteto de Jade)
Mar - Enciclopédia da Estória Universal, Afonso Cruz (Alfaguara)
Monte Cativo e Outras Ficções, Jorge de Sena (Guimarães)







quarta-feira, 27 de agosto de 2014

leituras de 2014 - #43 80 Poemas de Emily Dickinson

Versão de Jorge de Sena, creditada às suas «Obras», com uma magistral «Introdução», apanágio dos trabalhos críticos e ensaísticos do grande escritor.
A poesia de Emily Dickinson (1830-1866) é breve, por vezes quase aforística, e essencial, lembrando, em certas ocasiões -- e embora mais negra -- a de Sophia de Mello Breyner Andresen.
A biografia de Emily Dickinson pouco mais regista além da vivência sem história ("Great Streets of silence led away / To Neighbourhoods of Pause", c.1870)  numa pequena cidade da Nova Inglaterra, ao contrário duma tumultuosa inquietação interior, que surge a cada passo ("This is my letter to the World / That never wrote to Me", c.1862) : as interpelações descrentes a Deus ("Heavenly Father [...] / We apologize to thee / For thine own Duplicity --" c.1879); a incómoda rasura da diferença ("Assent -- and you are sane -- / Demur -- you're straightway dangerous -- / And handled with a chain -- ", c.1862); a ausência do amor ("Wild Nights -- Wild Nights! / Were I with thee / Wild Nights should be / Our luxury!", c.1861)."Your thoughts don't have words everyday", escreveu num apontamento, por volta de 1861, reflectindo esse acontecer do(s) poema(s) por entre a verdejante calma aparente numa casa de família em Amherst, Massachusetts, em que viveu praticamente na obscuridade e ignorada dos seus contemporâneos. 
Há mais mundo na cabeça dum grande poeta do que em qualquer grand tour que um medíocre de ontem e de hoje possa fazer.   5*****

Ficha:
Autor: Emily Dickinson
título: 80 Poemas de Emily Dickunson
tradução e apresentação: Jorge de Sena
nota preliminar: Mécia de Sena
colecção: «obras de Jorge de Sena»
editora: Edições 70
local: Lisboa
ano: 1970
impressão: Guide-Artes Gráficas, Odivelas
capa: A. Saldanha Coutinho
obs.: edição bilingue
págs.: 211

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

um sorriso de inescrutável contentamento

«O corpo foi exposto, em caixão aberto, na capela. O Rev.º Heathcote ajoelhou ao lado, a rezar. Amphillis e eu fomos trazidos para o ver. O tio estava branco como o marfim, mas não mais pálido do que fora em vida. Havia um sorriso de inescrutável contentamento no seu rosto, e parecia dormir feliz, como alguém de posse de um precioso segredo, que confiadamente aguarda um auspicioso acontecimento.»

Maurice Baring, O Trono e o Altar (1930)
tradução: Jorge de Sena