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domingo, 20 de dezembro de 2015

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«UM  ESTABELECIMENTO MODELAR ONDE
REINAM A PAZ E O TRABALHO -- UM
DIRECTOR QUE É UM AMIGO -- ÓPTIMA
COMIDA -- CRIANÇAS QUE TRABALHAM E 
SE DIVERTEM -- CRIANÇAS LADRONAS EM 
CAMINHO DA REGENERAÇÃO -- ACUSA-
ÇÕES IMPROCEDENTES -- SÓ UM INCOR-
RIGÍVEL RECLAMA -- O REFORMATÓRIO 
    BAIANO É UMA GRANDE FAMÍLIA -- ONDE
   DEVIAM ESTAR OS "CAPITÃES DA AREIA"

(Títulos da reportagem publicada 
ma segunda edição de terça-feira do»

Jotge Amado, Capitães da Areia [1937], 7.^ed., Mem Martins, Publicações Europa-América, 1983, p. 25, ls. 1-12.


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

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«

Infância

Pouco me recordo de meu pai. Ficamos muito crianças eu e minha irmã, ela com três, eu com cinco anos, quando ele morreu. Lembro-me apenas que minha mãe soluçava, os cabelos caídos sobre o rosto pálido, e que meu tio, vestido de preto, abraçava os presentes com uma cara hipócrita de tristeza. Chovia muito. E os homens que seguravam o caixão andavam depressa, sem atender aos soluços de mamãe, que não queria que levassem o seu marido.
Papai, quando vinha da fábrica, me fazia sentar sobre os seus joelhos e me ensinava o abc com a sua bela voz. Era delicado e incapaz, como diziam, de fazer mal a uma formiga. Brincava com mamãe como se ainda fossem namorados. Mamãe, muito alta e muito pálida, as mãos muito finas e muito longas, era de uma beleza esquisita, quase uma figura de romance. Nervosa, às»

Jorge Amado, Cacau (1933), Lisboa, Planeta de Agostini, 1999, p. 25, ls.1-12

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

4 ou 5 págs.: EUCLIDES E HERCULANO

Este texto foi publicado no número espécime (ou número zero, como se diria hoje) de O Diabo -- Semanário de Crítica Literária e Artística, de 2 de Junho de 1934. Ferreira de Castro dá conta do grande momento que então vivia a literatura brasileira, não apenas no romance como no ensaio. Ele não menciona, mas como sabemos dos seus contactos estreitos com o meio cultural do Brasil, é evidente que estaria a pensar em nomes como José Américo de Almeida, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Erico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Gilberto Freyre e, especialmente, em Jorge Amado, com quem se coemaçava a corresponde e de quem viria a ser grande amigo.
Essa referência serviu de introdução ao desconhecimento por que passava a literatura coeva, ao contrário do que sucedera com a do século XIX -- em que enumera alguns dos grandes nomes desse tempo, acrescentando, no início da centúria seguinte, o de Euclides da Cunha, cujo reconhecimento por cá se restringia aos meios literatos, não alcançando ainda o público leitor em geral.
E, curiosamente, vai compará-lo a Alexandre Herculano, não apenas na propensão para a História mas também por uma propensão austera de ambos, distiguindo-se, porém, no colorido da prosa: brônzea no autor da História de Portugal, polícroma no d'Os Sertões, diferenças entre o luso e o trópico.

Início: «Há alguns anos, os escritores brasileiros queixavam-se, e, possivelmente, ainda hoje se queixam, de serem pouco conhecidos em Portugal, enquanto os portugueses estavam largamente difundidos no Brasil.»

um parágrafo: «Irmanados pelo mesmo arcabouço literário, pela mesma forte orquestração verbal, os dois separam-se quando as pupilas devem constituir elemento a aproveitar. Herculano tem pouca cor, usa poucas cores. A sua visão não encontra cromatismos e é como o seu pensamento: profundo, vasto, mas sóbrio. Se tivesse de pintar, seria como certos mestres da arte espanhola; sombrios, procurando exteriorizar-se pelo castanho e pelo negro. Há sempre algo de arte ibérica, conventual, neste génio português.» 

Ferreira de Castro, «Euclides e Herculano», O Diabo, número espécime, Lisboa, 2 de Junho de 1934; antologiado por mim em «A unidade fragmentada. Dispersos de Ferreira de Castro», Vária Escrita #3, Sintra, 1996.

domingo, 1 de junho de 2014

Proletários de todos os países, perdoai-nos!

«Teorias, ideologias -- teorias ditas científicas, ideologias consideradas de pureza incontestável --que seduziram intelectuais, mobilizaram multidões, massas populares, comandaram lutas, revoltas, guerras em nome da felicidade do homem, dividiram o mundo em dois, um bom, um ruim, se revelam falsas, pérfidas, limitadoras: conduziram à opressão  e não à liberdade, e à fartura. Proletários de todos os países, perdoai-nos!, lia-se na faixa conduzida pelos moscovitas na Praça Vermelha durante o desfile de um 7 de Novembro recente.»

Jorge Amado, Navegação de Cabotagem (1992)

sexta-feira, 14 de março de 2014

não do frio do vento, não do frio da chuva

«Aquela era uma noite diferente e angustiante. Sim, porque os homens tinham um ar de desassossego e o marinheiro que bebia solitário no Farol das Estrelas correu para o seu navio como se o fosse salvar de um desastre irremediável. E a mulher, que no pequeno cais do mercado esperava o saveiro onde vinha o seu amor, começou a tremer, não do frio do vento, não do frio da chuva, mas de um frio que vinha do coração amante cheio de maus presságios da noite que se estendia repentinamente.»

Jorge Amado, Mar Morto (1936).

quinta-feira, 6 de março de 2014

4 ou 5 págs.: DISCURSO NA UNIVERSIDADE DE BARI

Publicado à laia de antelóquio ao elogio de Giovanni Ricciardi, (propositadamente para o colóquio em  Portugal do centenário do autor brasileiro, em 2012) Jorge Amado agradece a distinção que a Universidade de bari lhe prestou, em 1990, não para si, mas para o povo brasileiro, o húmus de que brotou a sua obra romanesca. Curta alocução em que o criador de Gabriela, Cravo e Canela se reivindica como escritor com causas, combatendo tudo o que ofende a dignidade humana, muito em especial o racismo, abjecção que não podia ser mais desconforme a um certo ethos idealmente brasileiro, fundado na cultura mestiça, "essa nossa contribuição para humanismo universal." E fá-lo simultaneamente com o brio e a descontracção de quem sabe que a obra que assinou constitui um legado que só tem de prestar contas ao Tempo.

O incipit: «Aqui estou, nesta tribuna ilustre, cumulado de honra -- a alta honra de receber o título de Doutor Honoris Causa de vossa Universidade de Bari.»

Um parágrafo: «Sobre mim e minha obra literária muito se escreveu, de bem e de mal. Disseram certos críticos que não passo de um limitado romancista de putas e de vagabundos. Creio que é verdade e orgulho-me de ser o porta-voz dos mais despossuídos de todos os despossuídos. Disseram também que tenho a paixão da mestiçagem, e dizem-no com raiva racista. Honro-me infinitamente de ser um romancista da nação mulata do Brasil. Creio que, querendo ofender-me, esses críticos me exaltaram e definiram.»

Doutoramento Honoris Causa de Jorge Amado em Línguas e Literaturas Estrangeiras na Universidade de bari (Itália - 1990), s.l., Colóquio Internacional 100 Anos de Jorge Amado, 2012, pp. 1-4.

domingo, 2 de março de 2014

com os olhos espichados em direcção à cidade

imagem
«Porém de noite não havia brinquedo que o arrancasse da contemplação das luzes que se acendiam na cidade tão próxima e tão longínqua. Se sentava naquele mesmo barranco à hora do crepúsculo e esperava com ansiedade de amante que as luzes se acendessem. Tinha uma volúpia aquela espera, parecia um homem esperando a fêmea. Antônio Balduíno ficava com os olhos espichados em direção à cidade, esperando. Seu coração batia com mais força enquanto a escuridão da noite invadia o casario, cobria as ruas, a ladeira, e fazia subir da cidade um rumor estranho de gente que se recolhe ao lar, de homens que comentam os negócios do dia e o crime da noite passada.»
Jorge Amado, Jubiabá [1935]

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A Noite é uma apavorada

«[...] A Noite é uma apavorada, tem horror às trevas.
Com um beijo, a Manhã apaga cada estrela enquanto prossegue a caminhada em direcção ao horizonte. Semi-adormecida, bocejando, acontece-lhe esquecer algumas sem apagar. Ficam as pobres acesas na claridade, tentando inutilmente brilhar durante o dia, uma tristeza. Depois a Manhã esquenta o Sol, trabalho cansativo, tarefa para gigantes e não para tão delicada rapariga. É necessário soprar as brasas consumidas ao passar da Noite, obter uma primeira, vacilante chama, mantê-la viva até crescer em fogaréu. Sozinha, a Manhã levaria horas para iluminar o Sol, mas quase sempre o Vento, soprador de fama, vem ajudá-la. Por que o bobo faz questão de dizer que estava passando ali por acaso, quando todos sabem não existir tal casualidade e sim propósito deliberado? Quem não se dá conta da secreta paixão do Vento pela Manhã? Secreta? Anda na boca do mundo.»

Jorge Amado, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá -- Uma História de Amor ([1948] 1976).

domingo, 2 de fevereiro de 2014

do progresso

«Modificava-se a fisionomia da cidade, abriam-se ruas, importavam-se automóveis, construíam-se palacetes, rasgavam-se estradas, publicavam-se jornais, fundavam-se clubes, transformava-se Ilhéus. Mais lentamente, porém, evoluíam os costumes, os hábitos dos homens. Assim acontece sempre, em todas as sociedades.»

Jorge Amado, Gabriela, Cravo e Canela (1958) 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

cachaça do bem-querer

«Seja velório rico, seja pobre, exige-se, porém, constante e necessária, a boa cachacinha; tudo pode faltar, mesmo café; só ela é indispensável; sem seu conforto não há velório que se preze. Velório sem cachaça é desconsideração ao falecido, significa indiferença e desamor.»

Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966)

domingo, 22 de dezembro de 2013

flagelo em forma humana

«Mané Frajelo fora um apelido posto na cidade. Pegou. Um flagelo, de fato, aquele homem gordo, de setenta anos, que falava com uma voz arrastada e vestia miseravelmente. Manoel Misael de Souza Telles era o seu verdadeiro nome.»

Jorge Amado, Cacau (1933)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

curso?

     Afinal, digam-me os senhores com suas luzes e sua experiência, onde está a verdade, a completa verdade? Qual a moral a extrair desta história por vezes salafrária e chula? Está a verdade naquilo que sucede todos os dias, nos quotidianos acontecimentos, na mesquinhez e chatice da vida da imdensa maioria dos homens ou reside a verdade no sonho que nos é dado sonhar para fugir de nossa triste condição? Como se elevou o homem em sua caminhada pelo mundo: através do dia a dia de misérias e futricas, ou pelo livre sonho, sem fronteiras nem limitações? Quem levou Vasco da Gama e Colombo aos convés das caravelas? Quem dirige as mãos dos sábios a mover as alavancas na partida dos sputniks, criando novas estrelas e uma lua nova no céu desse subúrbio do universo? Onde está a verdade, respondam-me por favor: na pequena realidade de cada um ou no imenso sonho humano? Quem a conduz pelo mundo afora, iluminando o caminho do homem? O Meretíssimo Juiz ou o paupérrimo poeta? Chico Pacheco, com sua integridade, ou o comandante Vasco Moscoso de Aragão, capitão de longo curso?

Final de Os Velhos Marinheiros (1961), de Jorge Amado, Lisboa, publicações Europa-América, 1962.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

(MOSCOVO, 1952 -- OS DESMEMORIADOS)

Ilya Eremburg e eu chegamos silenciosos de uma conversa com figuras gradas nos altos escalões a propósito de nosso amigo Jan Drda, atendendo pedido que ele me fez em Praga de onde venho para receber o Prémio Internacional Estaline da Paz: o prémio me credencia. Estamos em Janeiro de 1952, vinte graus abaixo de zero, vento gélido varre as ruas de Moscovo, emborcamos os cálices de vodca no apartamento da rua Gorki, Ilya me diz: Jorge, somos escritores que jamais poderemos escrever memórias, sabemos de mais. No abalo da conversa que acabamos de ter, balanço a cabeça concordando.
Afirmação categórica não impediu que, alguns anos depois, durante o período de Krushtchev, ao se abrir uma pequena brecha no obscurantismo soviético, ao despontar de uma pequena luz no meio das trevas, o autor de Degelo publicasse sete tomos de memórias, sete, nada menos: no sétimo Zélia e eu figuramos, simpáticos personagens. E isso não é tudo, pois Irina me contou, em 1988, estar pondo em ordem os papéis do pai com o fim de editar vário volumes de memórias inéditas que ele não conseguir publicar sequer durante a abertura de Krushtchev: Ilya sabia de mais.
Durante a minha trajectória de escritor e cidadão tive conhecimento de factos, causas e consequências, sobre os quais prometi guardar segredo, manter reserva. deles soube devido à circunstância de militar em partido político que se propunha mudar a face da sociedade, agia na clandestinidade, desenvolvendo inclusive acções subversivas. Tantos anos depois de ter deixado de ser militante do Partido Comunista, ainda hoje quando a ideologia marxista-leninista que determinava a actividade do Partido se esvazia e fenece, quando o universo do socialismo chega a seu triste fim, ainda hoje não me sinto desligado do compromisso assumido de não revelar informações a que tive acesso por ser militante comunista. Mesmo que a inconfidência não mais possua qualquer importância e não traga consequência alguma. Mesmo assim não me sinto no direito de alardear o que me foi revelado em confiança. Se por vezes as recordo, sobre tais lembranças não fiz anotações, morrerão comigo.

Jorge Amado, Navegação de Cabotagem -- Apontamentos para um Livro de Memórias que Jamais Escreverei (1992), Mem martins, Publicações Europa-América, 1992, 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Aquele fora um mês de más notícias.

Aquele fora um mês de más notícias. O deputado Artur Carneiro Macedo da Rocha, descendente da velha estirpe paulista, pensava com alegria que dentro em poucas horas aquele fatídico mês de Outubro do ano de 1937 estaria terminado, talvez Novembro se iniciasse sob melhores auspícios.
Jorge Amado, Os Subterrâneos da Liberdade. 1 Os Ásperos Tempos (1954), 5.ª ed. portuguesa, Mem Martins, Publicações Europa-América, 1996.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

"A MORTE E A MORTE DE QUINCAS BERRO D'ÁGUA"

Em dois tentos simples, Jorge Amado acaba de escrever o que para mim é o melhor romance e a melhor novela da literatura brasileira: Gabriela, Cravo e Canela e A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água, publicada, esta, no número de junho da revista Senhor. Para tirar teima, ainda andei pegando êsses últimos dias Dom Casmurro e Quincas Borba e uma série de contos do velho Machado; um mais fino estilista, sem dúvida, o escritor carioca, com a graça da sua silogística cinzenta e a sua paciente ordenação das personagens no tempo e no espaço. O baiano, apesar do apuro que, pouco a pouco, está também atingindo, ainda se espoja no sumo de sua linguagem, ainda brinca em serviço, como se diz. E felizmente o faz! Pois se é verdadeiro dizer que o estilo é o homem, temos que Machado é mais estilo que homem, e Jorge Amado mais homem que estilo. E esta é, em última instância, pelo menos a meu ver, a classe de escritores que realmente fecundam a língua que realmente libertam as personagens da sua própria teia psicológica e as fazem saltar, vivas e ardentes, para o lado de cá do livro. 
Não somos um país de grandes prosadores. Alguns dos melhores são, a meu ver, poetas como Bandeira e Drummond, ou poetas a ser, como Rubem Braga, que é para mim, neste momento -- em que pese a freqüente displicência que a obrigação da crônica diária lhe traz -- o melhor prosador do idioma. Digo prosa, entenda-se bem. Grandes romancistas nós os temos, alguns aliando à vocação qualidades ímpares de estilo; e, infelizmente, nesta linha, o maior dêles, na minha opinião, morreu: Graciliano Ramos. Mas a maioria dos que procuraram narrar com estilo, nas pegadas do velho Machado, ou por imperativo de sua própria condição de escritor, secaram a língua, fizeram dela não um saboroso pão, cheiroso e de sustância; produziram finos biscoitos quebradiços que se prova uma vez com delícia, mas cuja repetição resulta enjoativa. A êsses prefiro francamente a incúria estilística de um José Lins, de um Jorge Amado da primeira fase, de um Otávio de Faria, que se prejudica o prazer sibarita da leitura de sandálias, em nada lhes subtrai a capacidade de criar mundos de romance onde as personagens "vivem".
Eu acho francamente belo o crescimento de um escritor como Jorge Amado, que vem desde um livro cheio de defeitos como O País do Carnaval até essa obra-prima que é A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água. Um crescimento verdadeiro como a vida, que vem de baixo para cima e sem se recusar às torpitudes; não um crescimento decorativo de araucária, mas de árvore que dá fronde e que dá frutos de polpa, que dá parasitas e dá passarinhos: uma gorda e resinosa mangueira. E que melhor comparação, para o deleite da leitura dêsse baiano da peste, que o de comer mangas, os dentes mordendo fundo a carne da fruta, a terebentina escorrendo pelo queixo no seu amarelo pungente, a gulodice de enxugar o caroço até o fim...
Saí da leitura dessa extraordinária novela, eu que andava no maior fastio de literatura, com a mesma sensação que tive, e que nunca mais se repetiu, ao ler os grandes romances e novelas dos mestres russos do século 19, Pushkin, Dostoievski, Tolstoi, Gogol especialmente. Uma sensação de bem-estar físico e espiritual como só dão os prazeres do copo e da mesa, quando se está com sêde ou fome, e os da cama, quando se ama. Ela representa dentro da novelística brasileira, onde já há cimos consideráveis, um cume máximo. Um cume que todos os escritores jovens devem ter em mira, numa sadia inveja e num saudável desejo de ultrapassá-lo. E tanto pior se o não fizerem.


(Publicado inicialmente em Última Hora, Rio de Janeiro, 1959)

Jorge Amado Povo e Terra -- 40 Anos de Literatura, prefácio de José de Barros Martins, São Paulo, Livraria Martins Editora, 1971.