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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

P&R (pergunta e resposta) - Valter Hugo Mãe

No momento em que está a escrever pensa nos leitores?  Não posso pensar. Os meus leitores são muito diversos. Há gente que me diz: «Os meus autores favoritos são você e o Lobo Antunes», ou «você e o Saramago», ou «você e o Dostoiévski», ou mesmo «você e o Paulo Coelho». Houve uma senhora que me escreveu, amorosa, a dizer: «Os melhores livros que li são o seu e um da Margarida Rebelo Pinto.» Aquilo que são os leitores é absolutamente indpendente do que sou eu, não posso escrever para eles. A oficina da literatura tem de ser independente do que nos dizem e do que esperam de nós. Já fui convidado para fazer textos para programas de televisão de sketches por cauda d'O Apocalipse dos Trabalhadores. Sei que tenho essa dimensão, porque gosto de me divertir, rio-me com as coisas que podem ter piada. Mas depois d'O Apocalipse escrevi A Máquina de Fazer Espanhóis que talvez seja o meu livro mais espesso na tristeza. É importante saber regressar a um lugar de solidão. Hoje sinto-me acompanhado. Mas a escrita é um processo demasiado interior, intuitivo, para que permitamos que os outros participem de forma decisiva.
Entrevista a Ana Sousa Dias, Ler #128, Outubro 2013.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

somos bons homens.

     somos bons homens. não digo que sejamos assim uns tolos, sem a robustez necessária, uma certa resistência para as dificuldades, nada disso, somos genuinamente bons homens e ainda conservamos uma ingénua vontade de como tal sermos vistos, honestos e trabalhadores. um povo assim, está a perceber. pousou a caneta. queria tornar inequívoca a ideia e precisava de se assegurar da minha atenção.

Início de A Máquina de Fazer Espanhóis, de valter hugo mãe, Lisboa, Alfaguara, 2010.